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Opinião

Aos Amigos e Colegas em Tempo de Covid-19

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Alcides Mandelli Stumpf
Por Alcides Mandelli Stumpf
Foto Rodrigo Finardi

Um dia, em breve tempo, tudo isso vai passar, como já passaram outras desgraças neste mundo. Depois do caos virá a luz, e prevalecerá a esperança, que, por ser esperança é chama que nunca se apaga, é vida que nunca se extingue, pela força de Deus, por que vem de Deus.

Condição de reféns do medo

Mas tudo isso só vai acontecer no momento em que rompermos definitivamente com a condição de reféns do medo, do torpor paralisante causado pelo medo; quando deixarmos de simplesmente reagir ante a desgraça e agirmos com o enlevo e a grandeza de espírito que essa terrível guerra requer; quando encararmos o aterrador desafio na sua devida proporção e tamanho. Só então, e auxiliados por poderes interiores e superiores, nos colocaremos em posição de confronto real e no caminho da vitória sobre a praga que nos aflige.

Não é hora de esmorecer

Sabemos que não é hora de esmorecer neste momento em que muitos perecem, quando amigos, parentes e companheiros partem sem sequer podermos dar adeus. Mas ainda assim sobra-nos o imenso poderio e o sagrado consolo de estarmos vivos - partilhando terríveis sofrimentos, porém vigorosos e atuantes.

O Inimigo invisível

Por estarmos vivos, seguimos dispostos a enfrentar e vencer o funesto combate contra o inimigo invisível. Nossa luta sempre será a boa luta, a luta da misericórdia, da solidariedade, do querer bem, da saúde, da compreensão ao próximo e seu necessário acolhimento.

Cada dia está mais perto

Porém, para ultrapassarmos esta situação ímpar, devemos pensar de forma diferenciada e atuar vislumbrando o tão desejado final da pandemia, sem jamais esquecer que esse grande momento, mais cedo ou mais tarde acontecerá, e que cada dia está mais perto, cada hora mais próximo, cada minuto mais promissor e cada segundo se acerca mais de todos nós.

 

Tal vilania, nunca a faremos

Por isso, sequer cogitamos desistir. A fuga desta luta seria torpeza e fraqueza moral; seria aceitar passivamente a vitória da morte injusta e precoce. Tal vilania, nunca a faremos. Não peço para que sejamos particularmente simplórios ou superficiais: todos sabemos que não há como minimizar tão grave e cruel situação.

Uma grande prova de amor

No entanto, vale lembrar que ora passamos por uma grande prova de amor e de fé à humanidade. Certamente a maior provação de nossas vidas. E tal evento continuará a exigir ações inteligentes, racionais e integradas a tantas outras a serem conduzidas com tenacidade e absoluta confiança em nossa fantástica capacidade de reação.

 

O dom da racionalidade lógica

Se o Criador escolheu prover a raça humana com o dom da racionalidade lógica, e com essa virtude nos permitiu contemplar e inferir com arte e conhecimento na Sua obra divina, não vamos decepcioná-Lo agora, não vamos esquecê-Lo nesta agonia, não vamos rechaçá-Lo quando Dele mais precisamos.

Horizonte das trevas

Não é tempo de nos deixarmos conduzir para o horizonte das trevas onde predomina o ódio, o desespero, a inveja, a intolerância e o cientificismo exacerbado.

Juntos na batalha final

Vamos agir em paz e de acordo com as nossas consciências e conhecimentos, ordeiramente, dentro de regras civilizadas, juntando nossos pedaços, tendo em mente que toda essa dor, essa guerra, só terá sentido se estivermos juntos na batalha final.

Os versos de Gonçalves Dias

Ao encerrar lembro os versos de Gonçalves Dias, I e IV estrofes da Canção do Tamoio. Retorno esperançoso à minha já distante infância e penso na faina da vida e nas agruras superadas do passado. Para alento dos jovens passo estas inocentes rimas que muitas vezes, em momentos árduos, me foram decisivamente inspiradoras e de grande valia.

“Não chores, meu filho; / Não chores, que a vida / É luta renhida: / Viver é lutar. / A vida é combate, / Que os fracos abate, / Que os fortes, os bravos/ Só pode exaltar.”

“Domina, se vive; /se morre, descansa / Dos seus na lembrança, / na voz do porvir. / Não cures da vida! / Sê bravo, sê forte! / Não fujas da morte, / que a morte há de vir!”

 

Médico e membro da Academia Erechinense de Letras.

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