O sistema silvipastoril integra árvores, pastagem e gado numa mesma área. Apesar de ser novidade para muitos agricultores, a prática aumenta a produção e garante um leite com mais qualidade aos consumidores.
Na Linha Nossa Senhora de Lurdez, interior de Cruzaltense, Ildo Carlos Schimit, acorda ainda de madrugada, às 4h30min, para se dedicar a atividade leiteira na propriedade de 13 hectares. Ao todo foram plantadas 450 árvores no meio do pasto, em 7 hectares de plantio de pastagem perene. “Facilita por que você não precisa tocar a vaca todo dia do piquete, uma vez que têm sombra e água. As árvores ajudam muito no bem-estar animal”, explica Schimit.
Produção e qualidade
O agricultor de 48 anos começou em 1995 com duas vacas, e em 2012 investiu mais e profissionalizou o trabalho. Atualmente, conta com 64 cabeças de gado, sendo 30 vacas em lactação. Os animais permanecem no piquete 21 horas por dia, e após vão para a ordenha automatizada. A média mensal da propriedade é de 25 mil litros de leite, que fica armazenado em 3°C. “O consumidor acha que é fácil produzir leite e as vezes nem fica sabendo de todo o processo envolvido até o produto chegar nos mercados. É preciso muita eficiência para se manter na atividade”
As vacas utilizadas na propriedade são da raça Holandesa, europeia, e estão acostumadas com o frio. A temperatura de conforto delas varia de 0°C à 20°C. “Visto que a nossa região é bastante quente, as árvores são importantes pois propiciam sombra, facilitam o manejo e reduzem o estresse do animal- consequentemente- garante uma produção maior e um leite com mais qualidade”, afirma o Engenheiro Agrônomo da Emater/RS, Vilmar Fruscalso.
Renda e investimento
Segundo o engenheiro agrônomo, R$ 600 milhões de reais circulam em média, por ano na região Alto Uruguai com a venda do leite. Para adquirir a estrutura, máquinas, animais e pastagem, o agricultor precisou embolsar 500 mil reais. A propriedade do Schimdt é monitorada por câmeras de segurança e conta com irrigação de pastagem, captação da água da chuva em cisterna e armazenagem de grãos- em um silo com capacidade de 100 toneladas. “É uma atividade extremamente rentável e que a curto prazo devolve os valores investidos”, garante Fruscalso.
Tecnologia
Seu Ildo dispõe ainda de 4 hectares de plantio de milho, que em duas safras no ano possibilita a produção de 300 toneladas de silagem. Um dos diferenciais é a ordenha automatizada, permitindo que cada vaca tenha uma espécie de “brinco” cadastrado em um software de computador para a coleta dos dados: balanço nutricional, estatística de produção e medições. Segundo ele, graças ao sistema implantado, o custo com medicamentos diminuiu de 8% para 4%. “Existe muito trabalho envolvido desde 2007, quando comecei a plantar perene. Mas o agricultor precisa entender que é necessário investir em um projeto bem planejado e que traga resultado positivo ao longo dos anos”, ressalta.