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Opinião

É preciso transpor a barreira político-ideológica, por mais ideológico que isso seja

A justificativa é simples: porque isso é o melhor para as pessoas e para o país, como um todo

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A política e nós brasileiros precisamos nos reinventar, transpor a barreira político-ideológica (dir
Por Igor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Nem direita, nem esquerda, muito menos centro. E, por mais óbvio e elementar que isso possa parecer, tudo é decidido em função do poder e do dinheiro. Não de partidos, bandeiras, por mais que haja aí também ideologias. Às vezes, a decisão se dá também pelo bem-estar geral, por projetos, mas raras vezes. A polarização é cortina de fumaça e gaiola para uma análise incauta, apressada, não reflexiva. 

Os rótulos de esquerda e direita, para ficar na polarização tão comum nas redes sociais e na vida real, servem para desestabilizar a sociedade, tirar o foco do que é essencial como a busca pela dignidade humana. Em pleno século 21, ainda existe trabalho escravo no Brasil e milhões de pessoas passando fome. Isso sim é preciso combater – expor e discutir em sociedade - ao invés de reduzir a vida a idiotia esquerda-direita.  

A polarização está deixando o ser humano bestializado. Essa postura maniqueísta, extremista - bem e mal - vai enterrar todos na mesma vala comum, com prejuízos generalizados. A polarização não serve pra nada de útil e construtivo, social e economicamente. É, em última análise, completamente alienante, raivosa e despropositada. 

A construção da sociedade sempre foi no sentido de estabelecer regras, limites, para que haja o convívio em grupo, em sociedade, de forma minimamente organizada e harmônica. A polarização está acabando com tudo isso, com o equilíbrio e o sentido de viver coletivamente. Só gera raiva, ódio, cegueira coletiva, descrença total.   

Essa polarização, que a meu ver é uma doença a ser combatida, maximizada nas redes sociais, aflora o lado primitivo, bestial do ser humano, desperta o que há de pior nas pessoas. Apaga a construção racional, a educação e a consciência, que efetivamente nos torna seres humanos.

Está se perdendo a capacidade de ponderar e avaliar as informações de forma equilibrada, e o pior, cada vez mais distante da realidade, do que é orgânico, vital, para se embrenhar e perder num mundo virtual completamente desvirtuado. E, ainda se acha que com essa postura se vai a algum lugar.

A percepção é que ao colocar uma fala, um texto “sabe-se lá da onde” ou uma foto “filtrada”, nas redes sociais, isso é suficiente, e a pessoas já se bastam, que aquilo é a vida plena. Não é, e nunca será. E ponto. Tudo que é essencial se dá com contato físico, olho no olho, de mãos dadas, com sangue e suor, em relação com alguém, e não no “mundo” das redes sociais.   

Essa polarização serve, entre outras coisas, como instrumento de controle social, só para criar discordância no trabalho, no meio empresarial, comunitário, social, e enfraquecer as relações interpessoais. Alienar pela ignorância e desunião. E como esse peixe vende bem, ainda.

A cultura de se afastar, negar a realidade e os problemas reais, interpondo problemas político-ideológico, a polarização esquerda-direita é uma delas, que virou prática agora com a internet. Esse é mais um dos grandes desperdícios do Brasil.

A política e nós brasileiros precisamos nos reinventar, transpor a barreira político-ideológica (direita-esquerda), por mais ideológico que isso seja, para enfrentar os problemas reais, desde os juros extorsivos do sistema financeiro brasileiro à fome e à falta de moradia, saúde, esgoto. A justificativa é simples: porque isso é o melhor para as pessoas e para o país, como um todo. O que já vem acontecendo, em parte, dentro das suas limitações, na esfera municipal, e que precisaria tomar a dimensão estadual e nacional.

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