Depois dos “Diálogos Democráticos”, que fez um debate com a grande maioria dos candidatos às prefeituras da região da Amau e Amunor, agora o jornal e a TV Bom Dia irão iniciar uma série de entrevistas com os prefeitos eleitos da região para o mandato 2021/2024. Esta primeira matéria será com o prefeito eleito de Aratiba, Gilberto Hendges.
A proposta do seu Plano de Governo, nas diretrizes gerais, afirma que vai “estabelecer uma política de curto, médio e longo prazo, com planejamento capaz de atender as imensas demandas sociais da população. Assim, somente com visão e pensamento estratégico poderemos construir uma comunidade livre, aberta, democrática, plural, rica e fraterna”.
O prefeito eleito de Aratiba, Gilberto Hendges, tocou num assunto sensível ao município a ERS 420, e contextualizou todo o processo de asfaltamento da rodovia. Segundo ele, é necessário voltar 25 anos e lembrar que foi no governo Brito que se deu o início do asfaltamento da ERS 420. “Obra iniciada de Erechim para Aratiba, com o esforço do padrinho, então deputado estadual, Iradir Pietroski, hoje cidadão aratibense”, disse.
Usina Hidrelétrica Itá
Conforme o prefeito, com a construção da Usina Hidrelétrica Itá, entre 1995/2000, mas propriamente durante o governo Olívio Dutra do PT, o Consórcio Itá, responsável pela obra da barragem, propôs ao município de Aratiba e ao governo do Estado um convênio para a construção da RS 420 de Aratiba até ligar o estado de Santa Catarina.
“Convênio este que o Consórcio anteciparia os valores da CFRH (Compensação Financeira dos Recursos Hídricos) um valor suficiente para o Estado fazer a obra. A forma proposta foi que o valor antecipado seria cobrado, descontando mensalmente 50% desses recursos, da parte do estado, até o final da devolução do valor antecipado. Os outros 50% do valor mensal entraria normalmente aos cofres do Estado. Pasmem, o governo Olívio Dutra juntamente com o deputado da época, o famoso das planilhas da Odebrecht, o Pavão, não aceitaram fazer este convênio e esta obra. Então, a primeira tentativa de asfaltar a RS 420 estava cancelada”, lembra o prefeito.
Segunda tentativa
Conforme Gilberto Hendges, a segunda tentativa de asfaltar a RS 420 foi mais recente, no governo Yeda Crusius entre 2007/2011 quando a governadora assinou o convênio com o município de Aratiba, ficando o município encarregado de licitar a obra e colocar o valor de R$ 6 milhões. “O consórcio colocaria todo rachão a ser retirado do canteiro de obras da Hidrelétrica e o valor de R$ 1 milhão e o Estado colocaria a outra parcela que seria em torno de R$ 7 milhões”, lembra.
Ele diz que a obra estava licitada, ordem de serviço emitida e, por fim, as máquinas no trecho iniciando no final do calçamento da rua Itá, rumo a Santa Catarina.
Gilberto lembra que quando a obra passou da comunidade do Sarandi, local já asfaltado, veio a denúncia de uns partidários do PT, embargando a obra. “O governo do estado sempre com a ajuda do deputado das planilhas da Odebrect, o Pavão, começaram a dizer que a licença ambiental estava vencida e outra história de vestígios indígenas. Com respeito ao assunto dos indígenas a prefeitura contratou empresa para fazer os estudos e o estado que deveria renovar a licença, pois a obra é de responsabilidade do estado. Faltou competência e vontade política do governo estadual para a continuidade desta importante rodovia”, diz.
Ele lembra que o dinheiro do município reservado e não financiado para o asfaltamento desta estrada foi colocado no asfaltamento da estrada de Aratiba até Dourado e Aratiba para Pio X.
Em 2019
“Agora em 2019, o mesmo partido que por duas vezes pouco caso fez para asfaltar a RS 420, fez audiência pública querendo e fazendo engolir goela abaixo a pavimentação com paver, e, não se sabe o que ocorreu nos bastidores municipais que de uma hora para outra licitou asfaltamento conforme concorrência 05/19, em 30/10/19, na quantia de 17,214 Km ao custo inicial de R$ 16.433.836,46 mais um aditivo não empenhado no valor de R$ 2.207.573,18 perfazendo um total de R$ 18.641.409,64 dando um valor de R$ 1.082.921,44 por quilômetro”, afirma.
Valores
O prefeito eleito afirma que no final do ano passado iniciou a obra que será financiada pela CEF no valor de R$ 10 milhões. “Foi empenhado no dia 21/11/19 o valor de R$ 2.500.000,00. Este ano, no dia 06/01/20 foi feito três empenhos no valor de R$ 7.500.000,00 e outro no valor de R$ 4.934.000,00 e outro no valor de R$ 1.499.836,46”, disse.
Ele comenta que no dia 27/08 foi anulado o empenho 340 no valor de R$ 1.499.836,46 e parte do empenho 337 no valor de R$ 3.556.521,08 que somados deu o valor de R$ 5.056.357,54. “Pois bem, a obra vai custar aos cofres municipais o valor de R$ 18.641.409,64 mais os juros do empréstimo. Do valor da obra de R$ 18.641.409,64 menos o valor do aditivo não empenhado no valor de R$ 2.207.573,18 e ainda a anulação dos empenhos no valor de R$ 5.056.357,54 sobra pra fazer a obra o valor de R$ 11.377.478,92”, afirma.
E, acrescenta, “tirando os 10 milhões de financiamento da CEF, fica ainda R$ 1.377.478,92 e tirando o valor de uma verba do deputado de SC no valor de R$ 500.000,00 sobraram de recursos próprios para fazer a obra o valor de R$ 877.478,92”.
Gilberto Hendges explica que se não fossem os vereadores da oposição já teriam tirado mais R$ 617.237,45 conforme o PL 101 de 20/10/20 ficando para pagar com recursos próprios somente o valor de R$ 260.241,47.
Conforme o prefeito eleito, “vale salientar que a grande obra desta administração, a RS 420, não vai terminar nesta administração e o pior, na melhor das hipóteses do montante de arrecadação dos quatro anos de mandato, até o dia 09 de novembro de 2020 no valor de R$ 218.249.699,71 só será pago a quantia de R$ 260.241,47 com recursos próprios o que em porcentagem é 0,001”.
Ele ressalta que se tudo ocorrer bem, enfatiza o prefeito eleito, “esta administração fará somente 61,03% da obra, que dá a quantia de 10,50 km e ficará para o próximo prefeito os outros 38,97% da obra no total de 6,714 km”.
“Não esquecendo que a grande obra como é chamada pela atual administração, será paga em sua totalidade pelos próximos dois prefeitos e quem vai assumir em 2021 ainda terá que concluir”, disse.