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Região

São Valentim: formada por muitos caminhos e etnias

Na segunda metade do século 19, o Votouro e proximidades passaram a receber migrantes da região de Nonoai, onde o Passo do Goio-En servia de passagem para os tropeiros de mulas que se deslocavam entre o Rio Grande do Sul e a feira de Sorocaba em São Paulo

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O município de São Valentim foi criado pela Lei 3.724, de 17 de fevereiro de 1959
Por Redação
Foto Divulgação

O município de São Valentim foi criado pela Lei 3.724, de 17 de fevereiro de 1959, com área de 550 quilômetros quadrados, abrangendo as regiões pertencentes aos municípios de Entre Rios do Sul, Faxinalzinho e Benjamin Constant do Sul. A colonização e povoamento da sede convergiu dos dois extremos da área pertencente a São Valentim até o ano de 1988. Na faixa norte, região do Votouro, indígenas das tribos caingangues e guarani migraram da região central da América do Sul e ocuparam 100 colônias, e ali se estabeleceram ainda no século 18.

Na segunda metade do século 19, o Votouro e proximidades passaram a receber migrantes da região de Nonoai, onde o Passo do Goio-En servia de passagem para os tropeiros de mulas que se deslocavam entre o Rio Grande do Sul e a feira de Sorocaba em São Paulo. A região mais próxima de Erechim foi acessada através da região da Vila Ungre (Campinas do Sul) e Floresta (Barão de Cotegipe).

Os primeiros moradores do primitivo núcleo habitacional localizado a beira da estrada que liga Erechim a Nonoai, na Linha Sete, 2ª Secção Cravo - atual São Valentim, foram João Saroli e Pedro Meneghetti. Já existiam algumas famílias, entre elas, Setembrino Alves, descendentes de italianos e portugueses, que tinham terras na região de Vista Alegre. Setembrino era gaiteiro e se orgulhava de tocar um instrumento que garantia ter recebido das mãos do empresário Tulio Veronese, fabricante de acordeon em Bento Gonçalves. E, João Dendena, agricultor, descendentes de italianos.

O povoado de São Valentim começou a se desenvolver com a chegada dos irmãos, Ártico e Nulli Marcos Faé; Antônio Moro, Alberto Deboni, Antônio Pascoal, José Rampanelli, Ângelo Baldissera; os comerciantes, irmãos Zaffari e irmãos Sonda. Em 1920 foi construída a primeira capela dedicada a São Valentim. Em 1924, a escola particular era subvencionada pelo município de Erechim e atendida pela professora Marieta Padoin. O primeiro médico foi Salim Farret, chegando em 1930.

Revolução de 23

Em 1923, o Rio Grande do Sul vivia mais uma revolução e o território de São Valentim foi palco de alguns confrontos. Os moradores assistiram muitas vezes a passagem de forças revolucionárias (de Assis Brasil) e governistas (de Borges de Medeiros). Em Votouro foi organizado um contingente revolucionário comandado pelo capitão José (Zeca) Ferreira. Num confronto que manteve com forças legalistas dia 3 de março de 1923, Zeca Ferreira derrotou o capitão Jaime José Machado.

Em 19 de setembro, novamente em Votouro, o coronel rebelde João Bento de Souza foi derrotado pelo governista Tenente Coronel Edmundo Dalmácio de Oliveira, que após a vitória rumou para Erechim onde ocupou a vila. Mais tarde São Valentim voltaria a sediar movimentos revolucionários. Desta vez envolvendo Gaudêncio dos Santos e João Inácio, no Tapir e Vau Feio, respectivamente.

10º Distrito de Erechim

Em 1931, São Valentim alcançou a categoria de 10º Distrito de Erechim, tendo sido nomeado Márcio de Oliveira como primeiro subprefeito. Mais tarde o subprefeito sofreria um atentado a dinamite. Como Juiz Distrital foi indicado o capitão João A. Sicolli, e para escrivão, Pedro Antônio Alves. Ocuparam também o cargo de subprefeito: Pedro Oldra e Idalécio dos Santos. Outros juízes distritais nomeados ao longo dos anos: João Marcon, Waldemar Cabral Vieira e José da Costa. Pedro Alexandre Zaffari (que foi vice-prefeito de São Valentim e vice-prefeito de Erechim em duas oportunidades), Ângelo Sonda, Domingos Zanco, Danilo Oltramari, Severino Beal, Reno Cominetti.

Paróquia

No ano de 1944 foi criada a paróquia de São Valentim, por Decreto Eclesiástico assinado em 13 de fevereiro. O padre Estevão Maurício Wonsowski foi o primeiro vigário, indicado pela Diocese de Erechim.

Emancipação

O progresso de São Valentim levou as lideranças encaminharem o processo de emancipação. O território de São Valentim tinha além da antiga comunidade do Votouro, Vila Alegre, na margem do Rio Passo Fundo, Faxinalzinho em franco desenvolvimento depois da construção da estrada entre Linha São João, Nonoai e Benjamin Constant. A área pretendida pelo município tinha 550 quilômetros quadrados e população expressiva, com cerca de 15 mil pessoas, produzindo no meio rural e sedes dos distritos. Possuía toda a infraestrutura para se desmembrar de Erechim.

Após exitosa mobilização o município foi emancipado pela Lei Estadual nº 3.724 de 17 de fevereiro de 1959 e instalado em 6 de junho com a posse do primeiro prefeito eleito, o médico Salim Farret.

Após a emancipação a região entrou em desenvolvimento, sustentado pela suinocultura, pecuária, trigo, milho, feijão, soja. Na década de 70 seria construída nos limites da fronteira de São Valentim, a Usina Hidrelétrica do Rio Passo Fundo, que mudou o perfil da região, acelerando o progresso de Vila Alegre.

Cerca de 30 anos após a emancipação de Erechim, São Valentim seria dividido em quatro partes. O desenvolvimento levou as comunidades como Vila Alegre, Faxinalzinho, Benjamin Constant e Vila Palmeira a pensar em desmembramento e vida política e econômica independentes.

Dos 550 quilômetros quadrados de território emancipado em 1959 restam, hoje, ao município 154 quilômetros quadrados. Mas, como diminuiu a área, São Valentim ganhou em importância, pois passou a condição de líder natural da região dos municípios emancipados e outros lindeiros.

População         

A população estimada em 2020 é de 3.259 pessoas, com uma densidade demográfica (2010) de 23,56 hab/km².

Trabalho e rendimento

Segundo o IBGE, em 2018, o salário médio mensal era de 2.1 salários mínimos. A proporção de pessoas ocupadas em relação à população total era de 16.1%. Considerando domicílios com rendimentos mensais de até meio salário mínimo por pessoa, tinha 30.5% da população nessas condições, o que o colocava na posição 264 de 497 dentre as cidades do estado e na posição 4579 de 5570 dentre as cidades do Brasil. 

Educação           

A taxa de escolarização de 6 a 14 anos de idade (2010) foi de 99,1%. O IDEB – anos iniciais do ensino fundamental (Rede pública), dados de 2017, foi de 7,5. O IDEB – anos finais do ensino fundamental (Rede pública), dados de 2017, foi de 5,1. Matrículas no ensino fundamental (2018): 350 matrículas. Matrículas no ensino médio (2018): 72 matrículas. Docentes no ensino fundamental (2018): 36 docentes. Docentes no ensino médio (2018): 13 docentes. Número de estabelecimentos de ensino fundamental (2018): 4 escolas. Número de estabelecimentos de ensino médio (2018): 1 escolas.

Economia           

O PIB per capita em 2017 foi de RS 24.500,15. O percentual das receitas oriundas de fontes externas (2015) foi de 89,6%. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), dados de 2010, foi de 0,720 o que situa o que situa o município na faixa de Desenvolvimento Humano Alto (IDHM entre 0,700 e 0,799). A dimensão que mais contribui para o IDHM do município é Longevidade, com índice de 0,820, seguida de Renda, com índice de 0,745, e de Educação, com índice de 0,612.  

O total de receitas realizadas em 2017 foi de R$ 16.532,06 (×1000) e o total de despesas empenhadas em 2017 foi de R$ 14.004,72 (×1000).

Saúde

Conforme o IBGE, a taxa de mortalidade infantil média na cidade é de 26.32 para 1.000 nascidos vivos. As internações devido a diarreias são de 0.3 para cada 1.000 habitantes. Comparado com todos os municípios do estado, fica nas posições 1 de 497 e 324 de 497, respectivamente. Quando comparado a cidades do Brasil todo, essas posições são de 1 de 5570 e 3907 de 5570, respectivamente.    

Território e ambiente

Conforme o IBGE, São Valentim apresenta 29.4% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 89% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e 32.5% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio). O bioma é de mata atlântica e pampa.

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