A diretora da Penitenciária de Canoas 1 (Pecan 1), Emilinha Nazário, recebeu, nesta sexta-feira (27), mais de 60 agasalhos para presos que foram confeccionados por outros do Presídio Central de Porto Alegre (PCPA). A iniciativa se deve à parceria da Susepe com o Judiciário, que destinou R$ 10 mil originários das penas alternativas para compra dos tecidos e outros materiais.
Os apenados do PCPA trabalham em duas máquinas retas e uma overloque para produzir mais de 400 moletons soft para abrigar os apenados do Complexo de Canoas 1, onde é obrigatório o uso de uniforme pelos presos. A superintendente da Susepe, Ane Stock, enfatizou que a doação do valor destinado à Pecan 1 chegou na hora certa. "Com a chegada do frio, alguns presos não tinham moletons e abrigos e a Susepe não possui dotação orçamentária para a compra desse material", disse a superintendente.
Economia
Para o diretor do PCPA, tenente-coronel Marcelo Gayer, esta frente de trabalho pode ser rentável para os presos quando progredirem para a liberdade. “Esta parceria com o Judiciário e Susepe permite também com que tenhamos condições para efetivar ações no ambulatório, por exemplo”, observa.
Serão cerca de 400 moletons produzidos na linha de montagem e com meta de aumentar a escala de produção. A alfaiataria está ligada à Atividade de Valorização Humana (AVH), incluindo arte, cursos, artesanato e leituras. Conforme Gayer há projeto para ampliar o espaço de costura, que atualmente funciona na Escola de Artes do PCPA. "Temos plano de incrementar a costura. A ideia é que este projeto seja permanente aqui, pois promove a autossuficiência, diminui custos de materiais fornecidos para o acolhimento de um preso, já que é produzido de preso para preso", explicou Gayer. Além disso, os trabalhadores serão beneficiados com a remição (cada três dias de trabalho diminui um da pena).
De casa
Desde o corte e costura do tecido são auxiliados pelo sargento Alexandre Simas, que era alfaiate antes da vida militar. "Ensino como fazer o corte e montagem das peças e ainda contribuo na manutenção do maquinário quando necessário", explicou. O maquinário recebeu manutenção dos próprios brigadianos, auxiliados pelos presos, que já tinham tido alguma experiência em costura antes da reclusão. "Minha mãe fazia uniforme para a Brigada Militar e, de vez em quando, eu ajudava", disse o preso C.P., 38 anos, que é artista plástico e participa do mutirão da confecção dos uniformes para ajudar outros presos.
Com a mão de obra prisional, muitas construções, reformas, reciclagens de lixo, artesanatos, cozinha e agora o mundo da costura, o PCPA não para. "Eu trabalhava como alfaiate no seminário, mas aprimorei o talento em costura aqui no PCPA", informou G.O., 53 anos, considerado o chefe do pret à porter. O PCPA aceita doações de máquinas de costura, serralheria e tudo que ajude nos trabalhos em artes em ferro e madeira.