O novo presidente da Associação dos Municípios do Alto Uruguai (AMAU), Mario Luiz Ceron (PTB), prefeito de Ipiranga do Sul, fala nesta entrevista, ao Jornal Bom Dia, sobre como irá conduzir a associação em sua gestão ao longo de 2020. Ele enfatiza, também, os desafios da administração pública municipal, as demandas prioritárias, a necessidade de fazer investimentos para se desenvolver e a urgência da mudança na forma de partilha dos recursos públicos do país.
Continuidade
Segundo Ceron, os desafios para os prefeitos do Alto Uruguai continuam e só aumentam para os gestores locais conseguiram atender as demandas dos munícipes, sendo que este ano ainda é de eleições. “A ideia é dar continuidade ao trabalho da Amau, do grupo, e de projetos que venham fortalecer os municípios e a região como um tudo”, disse.
Principais demandas
De acordo com Ceron, existem três demandas prioritárias ao Alto Uruguai, que envolvem e afetam diretamente todos os municípios da região. Duas delas na área de infraestrutura, o asfaltamento da BR 153 – Transbrasiliana, e a implantação dos 11 acessos asfálticos que faltam na região, que impactam negativamente nos alicerces da estrutura produtiva. A outra demanda é no setor da saúde, e diz respeito a realização do complexo hospitalar Santa Terezinha.
“Essas são pautas que já estamos trabalhando, entre os integrantes da Amau, que sabem os efeitos e o quanto elas irão impactar nas famílias e no desenvolvimento social e econômico regional”, disse.
Foco também nos municípios
O novo presidente da Amau comenta que a atenção as três maiores demandas da região não vão impedir que se atenda as questões que digam respeito somente a cada município. “E que queira, também, o apoio da associação, que também pode fazer isso, porque cada projeto, investimento, inovação que sai no município, também repercute em âmbito regional, nos 32 municípios. As melhorias no município têm reflexo positivamente para todos”, explica.
Soma de esforços
Ele explica que a metodologia de ação que a Amau vem construindo há bastante tempo é de consenso, isto é, a questão partidária fica de lado, o foco é o desenvolvimento regional.
Valorização
“Os prefeitos estão sempre empenhados, é preciso valorizar os representantes públicos regionais, porque em meio a tantos desafios, ainda os municípios fazem gestão pública, e conseguem investir, e muito desses investimentos são recursos próprios, fruto de um trabalho coletivo e contínuo”, afirma.
Conforme o prefeito, houve está havendo uma transformação nas gestões públicas municipais com reflexos efetivos à comunidade, já que as prefeituras estão conseguindo melhorar o atendimento à saúde, educação, segurança, entre outras áreas.
Mais cobrança
Para Ceron, é preciso um envolvimento maior das lideranças que atuam aqui e são de outras regiões. “É necessário cobrar mais efetividade dos representantes de fora e que fazem votos aqui”, diz.
Representante da região
No decorrer da entrevista, por telefone, pergunto para Ceron, se no horizonte de aperfeiçoamento da gestão pública municipal, o próximo passo nesse processo seria trabalhar, regionalmente, por um representante em Brasília. E ele responde que sim, que é necessário e possível. “Desde que todos, a classe empresarial, política e as famílias do Alto Uruguai estejam de acordo”.
E complementa, “um representante seria notório, temos capacidade, e aumentaria o compromisso com a região, precisamos fortalecer lideranças, a juventude, trabalhar com a possibilidade de eleger um representante da região para a Câmara Federal. É possível”, diz.
Em algum momento, como presidente da Amau, ele diz que pode abordar esse assunto, até porque há pessoas capazes e é necessário fortalecer a ideia de que é possível. “É uma região forte, temos que dar o devido valor ao Alto Uruguai”, afirma.
O que falta
De acordo com Ceron, uma questão que mais prejudica a administração pública municipal é o abismo que existe entre municípios, Estado e União. “De imediato, teríamos que ter o Estado mais próximo, os prefeitos estão tendo que fazer mágica com os recursos que tem”, observa.
Ele relata que o prefeito faz uma carga horária extensa, passa o dia todo tentando achar maneiras de trabalhar com sua equipe, porque ele tem que suprir a ausência do Estado e da União, entes federados que absorvem o maior percentual de recursos do país. “Eles estão dificultando e retardando o desenvolvimento dos municípios”, diz.
Segundo Ceron, o município estabelece um objetivo, faz com que ele saia do papel, mas até se efetivar na realidade demora muito. “E isso envolve todos os projetos que o município for buscar recursos em Brasília, emenda parlamentar, entre outros, sendo que os recursos, a produção, a riqueza que é gerada nos municípios acaba retornando muito tempo depois, demora muito para se tornar um novo investimento, e assim, fomentar projetos e o desenvolvimento municipal”, explica.
Ele ressalta que tem que encurtar o tempo de chegada dos recursos ao município, e que é preciso sair de condição em que se está trabalhando hoje, somente sanar as deficiências, ao invés de fazer investimentos de fato. “Os municípios estão conseguindo contornar bem as dificuldades, as mais diversas e grandes exigências, mas precisamos investir, não somente gastar”, diz.
Inovar
Para Ceron é necessário buscar a inovação, a implantação de projetos que venham desenvolver o empreendedorismo das famílias, sem esquecer de cuidar de áreas centrais como saúde, educação e infraestrutura. “São dois caminhos que merecem atenção, é preciso cuidar todo dia do que já existe e é necessário, mas não dá pra deixar de investir no futuro para as próximas gerações”, afirma.