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Região

Dez escolas iniciam implementação do Novo Ensino Médio

Para a 15ª CRE, a proposta coloca o jovem como protagonista de sua formação
Professora (UFFS) - campus Erechim, Márcia de Campos
Estrutura da BNCC/ Fonte: Governo do Estado
Por Amanda Mendes
Foto Divulgação

Há mais de dois anos após ser aprovada, a lei que altera a estrutura do ensino médio brasileiro está ganhando força no Rio Grande do Sul. Neste mês, as escolas estaduais iniciaram a etapa de escuta para identificar os interesses da comunidade escolar sobre os itinerários formativos, parte do currículo que será flexível conforme a escolha do estudante. 
De acordo com a 15ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), a pesquisa de opinião compõe as ações de transição ao Novo Ensino Médio e consiste na aplicação de um formulário com professores, pais, alunos e todos os segmentos da comunidade escolar. O questionário está disponível na Internet até o dia 30 deste mês. "O objetivo dessa atividade é diagnosticar aspectos que incidirão na oferta de diferentes itinerários formativos, a partir dos interesses e necessidades dos estudantes, que devem indicar qual o modelo de ensino médio que almejam, e, considerando as possibilidades do sistema de ensino", informou o setor pedagógico da 15ª CRE à reportagem do Jornal Bom Dia.
Esse é um dos primeiros passos para a implementação da lei que será gradual: primeiro nas escolas que estão participando do projeto-piloto, que são 10 na região de abrangência da 15ª CRE e 300 em todo o Estado. Ao fim da aplicação do formulário dois relatórios serão gerados: um direcionado às instituições do projeto e outro que irá orientar toda a rede estadual. No próximo ano estas 300 escolas já começam o calendário letivo com o novo currículo, para que em 2021 seja ampliado em toda a rede. 
Conforme o setor pedagógico do órgão, o Novo Ensino Médio coloca o jovem no centro da vida escolar. "Ele irá decidir o modo como irá se desenvolver a aprendizagem e, sobretudo, a reformulação estimula o seu desenvolvimento integral, por meio do incentivo ao protagonismo, à autonomia e à responsabilidade do estudante com relação as suas escolhas e seu futuro", concluiu por meio de nota.

Confira a lista de escolas da região que participam do projeto:
Escola Estadual de Educação Básica Aratiba;
Escola Estadual de Ensino Médio Erval Grande;
Escola Estadual de Ensino Médio Francisco de Assis, de Estação;
Colégio Estadual de Sananduva;
Escola Estadual de Ensino Médio Nossa Senhora de Lourdes, de Três Arroios;
Colégio Estadual Libano Alves de Oliveira, de Gaurama;
Escola Estadual de Educação Básica Érico Veríssimo, de Jacutinga;
Instituto Educacional Estadual Marcelino Ramos;
Escola Estadual de Ensino Médio Érico Veríssimo, de Erechim; 
Colégio Estadual Haidée Tedesco Reali, de Erechim. 

"Reflexão deve ser intensificada" 
Para a mestre em Educação e professora da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Márcia de Campos, a mudança é indispensável. "É extremamente necessária a reflexão, construindo espaços de escuta ao jovem e aos professores, além de seminários e debates, contando com a participação das universidades para garantir que o ensino médio rompa com práticas ultrapassadas", pontuou. 
Contudo, ela avalia que é preciso ter uma participação mais significativa dos professores. "Não podemos nos esquecer a importância de seu papel, pois ela é essencial como promotor de todas estas mudanças, afinal, ele tem conhecimento e deve ser parte de todas estas reflexões. Neste ponto estamos muito atrasados, as redes precisam fomentar a participação, estudo e reflexão de todos os lados". 
Além disso, não é apenas o currículo que deve ser alterado. "O projeto não contempla o que vivenciamos diariamente nas escolas: espaços físicos com necessidade de adequação e investimentos, materiais didáticos desatualizados, maciço investimento em formação de professores e articulação com as universidades que formam estes profissionais. Educação é investimento e o ensino médio não fica fora deste processo. As mudanças são necessárias desde que abraçadas pela comunidade e feitas de forma a beneficiar o aluno em relação ao conhecimento", argumentou Márcia.
Neste sentido, a docente ainda se preocupa com a maneira como as escolas estão recebendo estas mudanças, considerando que o debate ainda precisa ser intensificado. "Ainda não estamos preparados para nenhuma mudança que não tenha a reflexão dos envolvidos como pauta essencial, ouvir os estudantes e suas necessidades, receber a contribuição dos professores, dos sindicatos que representam a categoria, são fundamentais para elevar o debate. Quanto mais estudarmos sobre o jovem de hoje e suas necessidades, discutirmos investimentos para que as escolas possam ser atrativas e com qualidade, maior será a adesão a qualquer proposta. O professor sozinho, com quadro e giz, não muda o panorama atual. O trabalho precisa ser coletivo e contextualizado. As transformações ocorrem gradativamente, estamos falando de uma geração de jovens que tem opinião, necessidades, desejos e sonhos, eles precisam fazer parte destas discussões para propor que a escola seja o espaço onde eles constroem sua identidade e aprendem".

O que muda? 
Segundo a docente, a proposta indica que o currículo seja alicerçado na Base Comum Curricular Nacional (BNCC) e também no Referencial Curricular Gaúcho (RCG). "A base esclarece a organização do currículo por meio de arranjos curriculares e itinerários formativos", citou, questionando ainda, como essa proposta será de fato implementada. "Como estes itinerários serão organizados nos pequenos municípios, nas escolas sem bibliotecas, nos espaços sem acessibilidade? Como os sistemas estão preparando os professores, a parte física e estrutural para que o ensino médio seja realmente diferente? Há professores contratados em número necessário? Aquisição de materiais de laboratório, livros, Internet, materiais de apoio como jogos pedagógicos?", concluiu. 

Currículo

Cerca de 60% do currículo será composto pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e por itinerários formativos, que corresponde a 1,8 mil horas ao longo dos três anos.

Já as 1,2 mil horas restantes serão divididas em itinerários formativos que o estudante deverá escolher: Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas e Ensino Profissional.

Apenas as disciplinas de Português e Matemática serão obrigatórias.

 

Estrutura da BNCC

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