Essa é a afirmação do prefeito de Barra do Rio Azul (RS), Marcelo Arruda, município que integra a região Alto Uruguai, que será vice-presidente da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs). Arruda será empossado no dia cinco de julho e fará parte da gestão 2019/2020. A Famurs é composta por 27 associações regionais, a entidade representa todos os 497 municípios gaúchos e reúne prefeitos, vice-prefeitos, secretários, técnicos e órgãos da gestão pública municipal. Conversei com o prefeito, por telefone, para saber qual sua avaliação e como ele vê esse momento.
Segundo Marcelo, essa é uma “oportunidade ímpar” para região, a Famurs vive um novo momento e cada vez mais próxima dos municípios. “A gente quer levar a bandeira da entidade, colher informações sobre as principais demandas dos municípios, ser ativo junto ao governo do estado, governo federal, para realmente auxiliar o estado a buscar soluções para que a nossa economia volte a ser referência”, afirma.
Marcelo ressalta que a situação dos prefeitos é frustrante porque não conseguem avançar nas suas demandas, não recebem os recursos dos programas de educação, saúde, por exemplo, em dia, e o município tem que custear tudo sozinho. “Instigar a entidade a ajudar o governo do estado, auxiliar até nas medidas amargas que o RS precisa tomar para voltar a ter força e se desenvolver”, afirma.
O prefeito vai mostrar as demandas do Alto Uruguai na Famurs. “Nossa região é desassistida em acesso asfáltico, dos 32 municípios 11 não tem acesso asfáltico. Umas das bandeiras é fazer que a região também entre no rol dos investimentos da bancada gaúcha na Câmara Federal”, afirma.
Principais pontos
A proposta da atual gestão é enxugar custos dentro da entidade e estar mais presente nos municípios. “Lutar, realmente, para que os recursos estaduais e federais cheguem aos municípios, que as coisas aconteçam, pois a população cobra diretamente das prefeituras”, destaca.
Dívida pública
Marcelo comenta que, na última reunião da Amau, os prefeitos discutiram que para o estado aderir ao regime de renegociação da dívida do governo federal tem que comprovar que gasta mais de 70% com pessoal. “Mas o governo estadual não consegue comprovar isso, e também eles não mostram aonde está indo os recursos, que não é para custos e pessoal, mas está consumindo o orçamento”, afirma.
Ele ressalta que os prefeitos também querem entender qual o destino dos recursos do estado. “Se é má gestão ou um estrutura muito grande”, diz. Os gestores municipais também querem clarear essa situação, para discutir regionalmente o assunto, e compreender “se realmente é tudo isso que o governo fala”, diz.
Vocação empreendedora
“Os gaúchos que foram para o oeste de Santa Catarina desenvolveram aquela região; os gaúchos que foram para o oeste do Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul desenvolveram aquelas regiões, que estão em pleno desenvolvimento; e nós, o povo gaúcho, povo trabalhador, lutador; que temos uma economia forte não conseguimos sair desse buraco, passa governo entra governo e estamos na mesma”, questiona.
Sobrecarga
O prefeito destaca que os municípios estão tendo que abraçar todas as contas, tudo está recaindo sobre a administração municipal, e os municípios não estão recebendo nenhuma contrapartida para isso. Conforme Marcelo, o estado tem que fazer a sua parte, o pacto federativo de hoje leva o grosso dos recursos pro governo federal e estadual. “Os municípios ficam com a menor fatia e as maiores responsabilidades perante a sociedade”, destaca.