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Região

“Usina não determina o seu nível de produção de energia elétrica e o consequente nível da água”

Essa é a resposta da UHE Passo Fundo aos questionamentos realizados pelo Jornal Bom Dia. O gerente regional do Rio Uruguai, Diego Collet, afirma que o resultado dos laudos dos especialistas é que subsidiarão as conclusões sobre o que levou a mortandade dos peixes. E que nos 46 anos de operação da usina esta é a primeira ocorrência dessa natureza

Milhares de peixes apareceram mortos no lago da barragem da Usina Hidrelétrica Passo Fundo
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Milhares de peixes apareceram mortos no lago da barragem da Usina Hidrelétrica Passo Fundo, nos últimos dias, numa comunidade localizada na Linha Carreta Quebrada, também conhecida como Estrada das Tropas, no município de Quatro Irmãos. Os moradores ficaram revoltados e assustados com tamanha mortandade. Segundo relatos, essa é a terceira vez que presenciam essa enorme quantidade de peixes mortos no local. O fato foi noticiado pelo jornal e a TV Bom Dia e provocou uma série de comentários nas redes sociais. Nessa entrevista, ouvimos o posicionamento do gerente regional do Rio Uruguai, Diego Collet sobre essa situação na UHE Passo Fundo.    

A empresa tinha conhecimento dessa situação, já que segundo os moradores do local é o terceiro ano que isso ocorre?

Diego Collet - Foi fato inédito na UHE Passo Fundo, nunca tivemos informações deste tipo de ocorrência nos nossos monitoramentos de qualidade da água, ictiofauna e fiscalização do reservatório.

O que a empresa vai fazer com relação ao assunto? Vai analisar a água, peixes, enfim, quais medidas serão tomadas?

Estamos tomando as providências imediatas de campo, ou seja, possível resgate e coleta de peixes. Nossa equipe de técnicos especialistas já está realizando análises de parâmetros de água e sintomatologia dos peixes.

A empresa tem um trabalho de conscientização sobre mata ciliar, pesca predatória, entre outros cuidados ambientais?

Realizamos monitoramentos ambientais (qualidade da água e peixes), atividades de produção de mudas, proteção de nascentes e ilhas, bem como programa de educação ambiental focado principalmente nas escolas e proprietários rurais no entorno do reservatório. Além disso, existe o programa de visitas da UHE Passo Fundo, no qual são repassadas informações técnicas sobre a geração de energia e todos os cuidados ambientais envolvidos.  

Nesse mesmo sentido, como a empresa faz o controle do nível da água, principalmente na época de piracema, já que sem água é inevitável as mortes de milhares de peixes?

O controle do nível do reservatório está dentro da faixa operativa da usina e oscila conforme a demanda energética do país. É necessário esclarecer que a Usina não determina o seu nível de produção de energia elétrica e o consequente nível da água. Ela obedece a programação definida pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS. Após análise do especialista, chegaremos à causa mais provável desta ocorrência.

A usina gera energia à noite? Há possibilidade de se estar usando muita água e não respeitando a vazão mínima prevista em lei?

O Sistema Elétrico Brasileiro possui uma programação de geração definida pelo ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico, para atender a demanda dos consumidores, 24 horas por dia e sete dias por semana. Não é a Usina que determina o seu nível de produção de energia elétrica e o consequente nível da água, é o ONS.

Qual é e como se controla essa vazão mínima?

O controle de vazões de água da Usina é realizado através da programação de geração definida pelo ONS, dentro dos limites operacionais de projeto.

No período de piracema a vazão mínima cobre as áreas em que se encontra o capim, comida, nas bordas do lago da barragem, usada normalmente para algumas espécies fazer a sua reprodução?

Conforme as estações do ano e seu regime de chuvas, o grau de exposição das margens pode variar, assim como ocorre em qualquer curso natural de rio. O nível do reservatório da Usina pode variar 14 m, partindo da sua cota mínima operacional até a sua capacidade máxima de armazenamento. Quando temos mais água chegando no reservatório do que o que é consumido para gerar energia, o nível sobe. E, quando temos pouca chuva resultando em baixas vazões chegando no reservatório, e temos uma grande demanda de energia em que o volume de água consumido é maior que o recebido, o nível baixa.

Adicionalmente, as margens de rios e reservatórios possuem diferentes níveis de inclinação, criando alternativas de acesso àquelas espécies que necessitam de vegetação rasteira (capim), conforme sua dinâmica alimentar ou atividade reprodutiva.

O que fazer para não se repetir essa mortandade de peixes?

Nos 46 anos de operação da usina, esta é a primeira ocorrência dessa natureza que verificamos. Vamos identificar as possíveis causas desse evento para definição das ações futuras.

Gostaria de ressaltar alguma informação?

A usina possui há mais de 10 anos certificações de gestão da qualidade, meio ambiente e saúde e segurança do trabalho, que asseguram nossa responsabilidade na gestão do empreendimento. Buscamos adotar as melhores práticas ambientais nos nossos processos de geração de energia, bem como o cumprimento da legislação ambiental vigente para esta atividade. Também é importante a integração com a sociedade através dos nossos programas de relacionamento e educação ambiental, os quais buscam conscientizar sobre atitudes que melhoram as condições ambientais da região e do reservatório.

A onda de calor nos últimos dias de janeiro pode ter diminuído a quantidade de oxigênio nas águas dos rios e lagos, principalmente nas áreas rasas. Na última semana tivemos grandes variações de temperatura e esta pode ser uma das causas. Acreditamos que só o resultado dos laudos dos especialistas é que subsidiarão as conclusões sobre o que levou a essa mortandade. 

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