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Região

“Ilusão achar que peixe cresce sozinho”

Família de Faxinalzinho decide investir na criação de tilápia como atividade complementar, no entanto, segundo produtor Joel Bonatto cultivo exige muita atenção e cuidados

Piscicultura exige muitos cuidados, um deles é com a oxigenação da água
Já foi instalado dois aeradores no tanque, e até o final do processo vai ter que instalar mais um
O objetivo é ampliar e fazer mais um tanque com 2 mil metros quadrados
"Para o futuro essa será uma opção ao produtor, porque é uma das atividades que mais rende por área"
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Arquivo BD

A produção de tilápia vem crescendo nos últimos anos na região. No entanto, é uma cadeia que está se estruturando mas enfrenta muitas dificuldades para se consolidar, desde o fornecimento de alevinos, ração, conhecimento técnico e comercialização.

A família do produtor rural, Joel Bonatto, de Faxinalzinho, decidiu investir na produção de tilápias, mas como atividade complementar, já que a principal fonte de renda, da propriedade de 30 hectares, é a produção de leite, que hoje está em torno de 16 mil litros por mês, tudo feito com trabalho familiar.

Segundo Joel, como a propriedade tinha muitas áreas pouco aproveitadas, se resolveu fazer nesses locais tanques para criar peixe. Em 1998 foi construído o primeiro tanque com seis mil metros quadrados, que sofreu modificações e foi concluído há uns cinco anos.

O segundo tanque, que hoje se faz a criação de tilápias, ficou pronto há quatro anos, mas vinha sendo usado só para repasse de peixe do primeiro tanque, quando era feito a despesca se colocava ali para recriar os peixes pequenos. “Não tinha sido explorado de forma produtiva, era mais um passatempo”, afirma.  

Joel conta que no ano passado foi concluído a construção de mais um tanque, ficando a propriedade com 1,3 hectares de área de açudes, com profundidade em média de 1,5 metros.

“Assim começamos a estudar a demanda por peixes com o auxílio do Jonas Farina da Emater de Faxinalzinho. Há cinco anos fizemos a 1ª Feira do Peixe do município e foi comercializado 1,5 mil quilos de peixes. Na ocasião faltou e foi uma surpresa para nós a demanda por peixe num município pequeno com 3200 habitantes”, comenta.

Profissionalização  

No ano passado, a família amadureceu a ideia e resolveu começar a criar tilápias de uma maneira profissional. Tendo em vista também a importância do peixe como uma proteína saudável.

“Fizemos um custeio pecuário de R$ 50 mil e entramos com um volume grande de peixes. O recomendado para quem inicia é de duas a três tilápias por metro quadrado de lâmina d´água. A gente entrou com seis peixes por metro quadrado de lâmina d´água”, afirma.

Ele explica que por ser uma atividade que a família não conhecia, iniciaram o projeto com uma lotação grande, e isso gerou uma atenção ainda maior, já que a criação de peixe demanda bastante cuidados diários. “Ilusão achar que peixe cresce sozinho”, diz. Hoje, a família cria 17 mil tilápias em 3 mil metros quadrados de lâmina d´água.

Cuidados

Conforme Joel, a piscicultura exige muitos cuidados, um deles é com a oxigenação da água. “Não imaginava que iria precisar tanta aeração, pensei que fosse somente mais na fase final. Instalamos dois aeradores no tanque, e até o final do processo vai ter que instalar mais um”, explica.

Há uma demanda muito grande por oxigênio, nesse momento as tilápias estão com 300 gramas de peso, e ainda tem mais duas etapas até fazer a despesca. “A ideia é concluir essa produção até o mês de maio com cada peixe pesando cerca de 900 gramas de peso vivo”, diz.

Alimentação

A alimentação de qualidade é outra preocupação diária da atividade. Hoje é colocado nos tanques, diariamente, cerca de 130 quilos de ração para os 17 mil peixes. “É fundamental dar uma ração de qualidade para dar conversão”, diz

PH da água

Segundo Joel, a criação de tilápia exige muita atenção com o PH da água, que precisa ficar entre 7 e 8, por isso tem que ser monitorada e analisada semanalmente. “No início ficamos uma semana sem monitorar o PH e as tilápias pararam de crescer”, lembra.

Esse controle tem que ser feito sem falta semanalmente corrigindo o PH com calcário. “Esse é um custo que não achava que seria tão expressivo, já que vai bastante calcário na nossa água”, observa.

Informações

Para quem vai iniciar na atividade, o criador ressalta, que busque o máximo de informações e profissionais que possam auxiliar e dar um suporte antes e durante a produção. 

Avaliação

Até o momento a avaliação da criação é positiva e está dentro do previsto com a expectativa da produção ser lucrativa. Joel projeta produzir em torno de 15 mil quilos de peixe vivo, e ter um lucro de R$ 20 mil em 3 mil metros quadrados de área em oito meses. “Hoje poucas atividades sobrariam esse valor em tão pouco tempo, e numa área tão pequena”, salienta.

A primeira produção de tilápia vai ser um termômetro para a família avaliar os resultados. “Mas tudo indica que a gente cresça nessa atividade. O objetivo é ampliar e fazer mais um tanque com 2 mil metros quadrados de lâmina d´água, indo para 1,5 hectares de área de açudes”, diz.

Conforme Joel, a princípio já está acertado a venda dos peixes. “A perspectiva no final é um retorno bom”, diz.

Emater

Segundo o assistente técnico regional de Criações da Emater/Ascar, Vilmar Fruscalso, a tilápia já vem sendo cultivada na região e nos últimos anos tem aumentado a sua produção.

Ele explica que a cadeia da piscicultura na região não está organizada e um dos fatores é a falta de abatedouro. “Essa realidade vai mudar no médio prazo quando os primeiros produtores e empreendedores resolverem apostar na atividade”, comenta.

Vilmar afirma que predomina na região a criação de carpas e o policultivo. “Porque a ideia é alimentar a família e vender o excedente, fazer a venda de peixe vivo, que não exige estrutura maior”, diz.

Ele vê com bastante otimismo essa cadeia. “Para o futuro essa será uma opção ao produtor, porque é uma das atividades que mais rende por área, por hectare, por metro quadrado”, afirma.

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