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Região

Barragem: moradores estão revoltados com a mortandade de peixes

Nos últimos dias, milhares apareceram mortos no lago da barragem da Usina Hidrelétrica Passo Fundo no município de Quatro Irmãos. Segundo relatos é o terceiro ano que isso ocorre no local

Cazzuni ressalta que são milhares de peixes pequenos e alevinos mortos no local. A situação já se re
Local fica na barragem do Rio Passo Fundo em Quatro Irmãos, na Linha Carreta Quebrada
Peixes de diferentes espécies e tamanhos
É enorme a quantidade de peixes mortos
O biólogo Jorge explica que a problemática dos peixes está envolta numa série de fatores
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Os moradores de um loteamento com 40 casas às margens da barragem do Rio Passo Fundo em Quatro Irmãos, na Linha Carreta Quebrada também conhecida como Estrada das Tropas, estão preocupados e revoltados com a mortandade de peixes no local. O fenômeno já vem ocorrendo há três anos, segundo relato dos frequentadores.

O agricultor erechinense, Cristiano May, que tem casa no local, está indignado com a situação, já que ao chegar no fim de semana com a família no local encontrou o caos. “Nesse fim de semana fomos na barragens e a gente se apavorou por ver a quantidade de peixes mortos”, disse.

Ele acredita que a usina está produzindo muita energia e precisa de muita água para isso. “A barragem está praticamente só no leito do Rio Passo Fundo, não tem água represada para os peixes fazer a desova no meio do capim e voltar ao leito do rio”, explica.

Cristiano explica que nos dias de chuva esses locais acumulam água e os peixes saem do leito do rio para fora, onde se formam pequenas ilhas. “Mas durante a semana, a água começou a baixar rapidamente e os peixes não conseguiram voltar, ficaram presos nessas poças, a água foi baixando e os peixes estão morrendo”, desabafa.

O microempresário, Everton Luiz Cazzuni, que também tem casa no local, afirma que faz três anos que ocorre essa situação. “Ano passado, nessa mesma época foi a mesma coisa, uma mortandade imensa de não aguentar o cheiro de peixe podre. Esse ano foi o caos”, afirma.

Segundo Cazzuni, o peixe precisa de água, e ele não compreende como uma barragem dessa extensão os peixes estão sem comida, “morrendo dentro de um buraco”. E, acrescenta, “está insuportável o cheiro de peixe pobre”.

Ele entende que em função de se querer produzir mais energia a água diminui rapidamente e não dá tempo do peixe escapar. “Quando chove a água sobe, então os peixes vão para as margens, as ilhas, e quando abaixa a água dá nisso aí”, comenta.

Cazzuni ressalta que são milhares de peixes pequenos e alevinos mortos no local. “O sol quente e a pouca água quase cozinha os peixes, eles morrem nas poças por falta de oxigênio”, diz.

Há três anos ele vê essa mesma situação e depois de entrar em contato várias vezes com funcionários da empresa, chegou a conclusão que isso se dá devido a produção muito grande de energia.   

Na sua avaliação, algumas espécies de peixes precisam do capim para se reproduzir, para fazer a desova. No entanto, a maior parte do período de piracema os peixes ficaram só no leito do rio, sem a possibilidade de acessar esses locais, não fazendo direito a reprodução. E aqueles que conseguiam fazer agora estão morrendo em função da falta de água.

“Essa semana passou dois funcionários da barragem deixando folhetos. Quando questionei se a água do lago ia aumentar eles falaram que a barragem foi feita para produzir energia e não criar peixe”, conta.

Para Cazzuni, os estragos são ainda maiores já que ele está localizado no começo do lago da barragem, perto do leito do rio. “Imagina onde pega todos os braços do alagado essa situação deve ser muito pior”, observa.

Cazzuni se mostra preocupado e diz que essa situação está acabando com os peixes, que o Rio Passo Fundo era um bom lugar para pescar e se divertir e hoje não tem mais nada. “A empresa que usa também deveria pensar em preservar os peixes, justamente na época da piracema”, afirma.

Há dois anos a comunidade vem soltando peixe no Rio Passo Fundo, com objetivo de conscientizar e repovoar o rio, não somente tirar os peixes da barragem, e tudo é feito com recursos dos moradores. “A gente compra os alevinos e solta na barragem tentando fazer um trabalho de preservação. Mas se continuar assim não vai ter mais peixe no Rio Passo Fundo”, diz.

Biólogo

O professor doutor em Biologia da URI – Erechim, Jorge Reppold Marinho, ao olhar as fotos e vídeos da mortandade de peixes fez uma série de considerações.

A primeira delas e que ele quis deixar bem claro é que a questão da proibição de pesca, piracema e nível de reservatório não estão relacionados, são assuntos completamente separados.

“Quanto ter baixado o nível de água do reservatório, existe um processo de licenciamento desses empreendimentos nos quais é solicitado uma vazão mínima. Enquanto essa vazão mínima estiver sendo cumprida, o empreendimento não está cometendo nenhum crime ambiental”, observa.

Jorge enfatiza que o respeito pela piracema existe em qualquer sistema hídrico, da mesma forma que a manutenção da vazão, que a empresa é obrigada a manter.

O biólogo explica que a problemática dos peixes está envolta numa série de fatores. “O que causa essa mortandade de peixes é a falta de oxigênio, pela redução do nível da água e o represamento, somado a isso, todo aporte de matéria orgânica, que fica depositado ali, adubo das lavouras, que diminui o oxigênio da água”, observa.

Jorge salienta que por ser uma barragem antiga, a deposição de matéria orgânica já é muito grande, inclusive o local pode até receber o esgoto orgânico cloacal das casas, que pioraria ainda mais a situação. “Por isso a preocupação com a mata ciliar e uma série de outros fatores. O que se vê ali são lavouras ao lado da margem do reservatório, isso aumenta a matéria orgânica e, por consequência, a redução de oxigênio, que leva a mortandade dos peixes, como também alta densidade de peixe, redução no nível da água e pouco oxigênio”, enfatiza.  

Patram

Segundo o tenente e comandante do Pelotão Ambiental de Erechim, Tiago Bernieri, a Patram não tinha até ontem conhecimento dessa situação, mas o comandante disse que iria fazer uma análise da situação no local.

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