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Região

“O governo do estado precisa sair da zona de conforto e tentar coisas novas”

Essa é a afirmação da prefeita de Itatiba do Sul, Adriana Kátia Tozzo, que destaca, entre outros assuntos nessa entrevista, que a maior herança desses dois mandatos à frente da prefeitura será a efetiva participação popular nas decisões do governo municipal

“Por que o estado não tira como prioridade fazer convênios com os municípios e repassa os recursos p
Temos muita coisa para inovar e avançar na gestão pública nas três esferas
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Rodrigo Finardi

Infraestrutura

Conforme Adriana, essa questão é prioridade para o município, a novidade nesse ano em Itatiba do Sul são as obras de recapeamento das duas principais avenidas da cidade, a padronização dos passeios públicos, e também a arborização e iluminação das vias. A pavimentação de mais duas ruas sem nenhuma infraestrutura. E a construção de um calçamento que dá acesso ao município pela RS 137, que está em estado bem ruim e que também será asfaltada. Serão investidos um total R$ 3,6 milhões.  

Sem acesso asfáltico

“Esse é um grande problema do município, há dois caminhos para chegar em Itatiba do Sul, pela RS 137 via Barão de Cotegipe, e a RS 420. Nenhum dos dois são asfaltados. Essa é uma necessidade muito grande, e por isso, se descarta a vinda de novas empresas para o município em função do acesso ser de estrada de chão”, diz. Em qualquer uma das rotas são 22 quilômetros de rodovia sem asfalto. Segundo ela, isso prejudica muito a economia, as empresa locais, já que aumenta o custo de produção e interfere diretamente na qualidade de vida da população.

Agroecologia

Itatiba do Sul tem se destacado na produção de alimentos agroecológicos com a produção de 7 toneladas desse tipo de alimento, sendo diariamente levado a outros municípios.

Economia

A economia do município é basicamente formada pela agricultura familiar, com um orçamento anual em torno de R$ 20 milhões e uma população de 3600 pessoas.

Atrasos      

A prefeita ressalta que a administração municipal conseguiu fechar as contas em 2018 com uma pequena sobra de recursos em caixa. O município tem mais de R$ 500 mil de verbas atrasadas em repasses para área da saúde do Estado. “Nos últimos quatro anos não recebemos nenhum recurso para o hospital municipal de Itatiba do Sul, que funciona com recursos municipais. Isso acaba prejudicando o desenvolvimento de projetos em outras áreas. Estamos na expectativa e acreditamos que o próximo governo do Estado tenha esse olhar para os pequenos municípios”, diz. No momento, não tem atraso nos recursos do governo federal.

Conforme Adriana, a vida acontece nos municípios e a transferência de recursos do governo federal para o municipal não tem aumentado, e muito menos do estado. De 2013 para 2018 se investia mais, agora é preciso diminuir ou redefinir as ações em função de que os valores que vêm do governo federal se mantém iguais. “As despesas fixas como luz, folha de pagamento, combustível, manutenção da máquina tem um aumento já prefixado todo ano, mas o recurso que vem, não. Isso gera uma dificuldade muito grande aos municípios”, ressalta.

Energia              

Esse é um problema muito grave no município de Itatiba do Sul, diz a prefeita, que tem falta constante de abastecimento. “Diariamente, há alguma região do município sem energia. O que nos passaram na reunião da Amau com a RGE, que iniciariam um trabalho por Itatiba do Sul, mas ainda não iniciaram”, afirma.

Política de fomento

Adriana ressalta que infraestrutura é prioridade para a cidade e para o interior é fortalecer ainda mais a agricultura familiar. E para isso tem sido desenvolvido vários projetos em cada segmento agrícola, para que os agricultores possam de acordo com suas potencialidades, e vontade, escolher qual projeto está mais alinhado com a sua propriedade.

A produção orgânica ocorre no município desde 2001 com duas famílias. Desde o ano passado, o município está auxiliando na assistência técnica nas propriedades, e para isso repassa R$2,2 mil ao Centro de Tecnologias Alternativas Populares (Cetap) para fazer assistência técnica nas famílias e visitar aquelas propriedades que querem iniciar a produção. Auxiliando no processo de adesão a agroecologia e acompanhando depois a produção.

Assistência técnica

A prefeita afirma que de 2001 até 2016 houve uma variação de uma para 10 famílias na agroecologia. “Começamos com a assistência técnica e formação dos agricultores na metade do ano de 2017, até o final de 2018 já tínhamos 50 famílias. Para ver como a assistência técnica é importante aos nossos agricultores”, observa. Outro exemplo está na cadeia da suinocultura, quando a prefeita assumiu o mandato em 2013, tinha cerca de 9 mil suínos hoje tem 18,7 mil suínos, por meio de um projeto específico de fomento a cadeia.

“Estamos iniciando um projeto de incentivo à bacia leiteira, que vem caindo a produção, além da silagem, que já tem incentivo e que o produtor paga só 50% do serviço, agora o município vai pagar um centavo por litro de leite produzido. Serão R$ 40 mil ao ano devolvidos aos produtores com recursos próprios”, comenta.

Itatiba do Sul também é forte na produção de fumo, são vários projetos que atendem todas as cadeias produtivas do município, para produzir mais, ter maior retorno de Icms, mas principalmente, manter as famílias e os jovens no meio rural.

Protagonismo do poder público

“Muitas vezes não é pelo valor que a família vai receber, mas aquilo serve de estímulo para família reorganizar sua propriedade, aderir a um programa, e ver ali na frente que valeu a pena”, diz Adriana. Na cadeia da suinocultura e orgânicos, que o município já está trabalhando a mais tempo, já se sente os reflexos positivos desses projetos.

Turismo

Segundo Adriana, Itatiba tem dois eixos prontos para desenvolver o turismo no município, um deles é o Vinhedo Soliman e, o outro, o Morro da Ascensão no turismo religioso. “Está nas prioridades fomentar mais essa atividade e torna-la uma alternativa de renda. Algumas propriedades agrícolas estão reorganizado suas agroindústrias para que possam fazer parte dessa visitação. Estamos construindo esse caminho”, comenta.

Única prefeita da Amau

Adriana é a única prefeita da Amau, e acredita que a mulher tem participado mais em todas as esferas, e que pouco a pouco, vai consolidando a sua participação na sociedade, mas principalmente, precisa demonstrar a população a sua capacidade de administrar.

“A comunidade julga menos o prefeito do que a prefeita. Ela tem que estar sempre provando que é possível e que é capaz, enquanto para o homem isso não acontece. Procuro me dedicar para mostrar que é possível, e construir um caminho para as futuras gerações”, observa.

Ela comenta que a sua caminhada tem que estimular não somente as mulheres de Itatiba do Sul, mas de toda a região, a também perseguir esse caminho, mostrar as potencialidades enquanto mulher. “Mas que também precisa do apoio dos homens, porque o homem prefeito tem um olhar, e a mulher tem outro. Sempre falo para nossa equipe de governo que a gente se complementa. A sensibilidade da mulher melhora muito a gestão pública”, diz.

Marca do governo

Participação popular e a transparência pública é a marca do seu governo. “Chegamos num grau de participação popular nos atos da administração pública que constituímos um Conselho Político formado por 70 lideranças voluntárias, do interior e da cidade, que avaliam mensalmente o governo, e que nos ajudam a pautar os programas que devem ser colocados em prática”, salienta. Ela enfatiza que a maior herança que vai deixar nesses dois mandatos é a participação popular, o fato das pessoas fazerem parte do governo, saber o que está acontecendo, criticar, opinar de forma igualitária entre a equipe de governo e o cidadão itatibense. “Defino isso como amor ao município”, diz.

Investir mais nos municípios

Conforme Adriana, se viessem mais recursos aos municípios as coisas aconteceriam com mais facilidade, porque é no município que a vida acontece. “Quanto mais recursos forem repassados do estado e da união aos municípios, de forma transparente dentro de programas, os recursos seriam mais bem empregados”, afirma.

Um exemplo é a questão dos acessos asfálticos na região, em que há trechos de um ou dois quilômetros sem asfalto. “Por que o estado não tira como prioridade fazer convênios com os municípios e repassa os recursos para eles executarem as obras. Com certeza teríamos economia de verba e agilidade porque as obras realizadas pelo município são mais baratas”, explica. Enquanto isso não acontece, os municípios ficam com as obras paradas e a população sofrendo.

“O governo do estado que está mais perto de nós precisa sair da zona de conforto e tentar coisas novas. Enxugamento da máquina pública não é simplesmente reduzir, mas fazer com o que está aí aconteça para valer. Porque o estado existe para responder aos anseios da população. Temos muita coisa para inovar e avançar na gestão pública, nas três esferas, e se tivesse mais proximidades entre os governos, teríamos resoluções mais rápidas dos nossos problemas”, ressalta.   

Expectativa

A expectativa para a prefeita é que o ano de 2019 seja bom. E que a região se mantenha unida, apesar das diferenças e de todas as dificuldades de cada município. “Assim, acredito que a gente possa avançar em algumas questões como nos acessos asfálticos, já que estamos abandonados. Se dedicar na gestão pública, trabalhar, ter muito amor pelo que a gente faz e pensar muito regionalmente”, conclui.

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