O município de Ipiranga do Sul tem hoje cerca de dois mil habitantes, em torno de 1800 eleitores e uma economia 90% agrícola. Nessa entrevista ao Jornal Bom Dia, o prefeito Mario Luiz Ceron faz uma avaliação do seu mandato, como é fazer gestão pública, que os problemas têm que ser assimilados e resolvidos, que a administração pública é cheia de desafios, mas também oportunidades.
Avaliação do seu mandato?
É desafiador. Admiro e na minha opinião é um ato nobre, quem hoje encara a administração pública. Com os pés no chão e de forma organizada, acreditando que tudo tem que ser superado com mais trabalho. em Ipiranga do Sul estou trabalhando tranquilo, porque essa é minha meta, fazer o melhor, dedicar ao máximo e cuidar de todas as atividades, da equipe. Não existe gestor que tenha condições de trabalho sem equipe. Tudo que for de bom é porque tem uma grande equipe. Tentando sempre aproximar a população e que ela faça da máquina pública um atendimento das suas necessidades. Mas que também possa contribuir dando motivação e reconhecimento a quem trabalha, porque quem o atende são pessoas.
Como o senhor entende a administração pública?
A prefeitura tem que ser gerida como uma empresa e tem que ser sempre uma referência em todos os aspectos, em organização, profissionalismo, ética e valores. Esse é um dos momentos mais difíceis da administração pública. Ser político é um ato nobre. Estou no meu segundo mandato de prefeito, e aprendi uma coisa, feliz de um povo que acredita numa pessoa, que auxilia essa pessoa, mas também que a promove para que ela continue fazendo aquilo que ela se determinou a fazer. Apesar das dificuldades, estamos conseguindo fazer um trabalho bem abrangente em Ipiranga do Sul, atuando em todas as áreas, sociais, infraestrutura, educação, saúde. Os problemas têm que ser assimilados e resolvidos. É muita divulgação de problemas, precisamos fazer com que as pessoas acreditem que dá para fazer sua parte, dar a sua contribuição e melhorar. Trabalho numa empresa e aprendi, nesse decorrer dos anos na atividade pública, que tem que ser autêntico, saber que o dia é cheio de desafios, mas também de oportunidades e também de produção.
O principal problema dos municípios da região?
O que falta é fazer projetos mais prioritários. Se nós não começarmos a fazer investimentos públicos, mostrar um caminho para a sociedade civil, de que as coisas estão acontecendo, ela também se retrai e ao invés de impulsionar o setor público para se desenvolver, porque isso desenvolve toda a cadeia, está sendo feito o contrário. A sociedade civil está deixando os recursos parados. O serviço público é formador de opinião. O serviço público não pode trabalhar em desacordo com o que se propõe fazer, que é promover o desenvolvimento social, cultural e econômico. Ele tem que acreditar em projetos novos, fazer e investir, com visão de futuro, senão está fazendo o caminho inverso e aí perde sua credibilidade.
A crise econômica afeta os municípios?
Com certeza e de forma avassaladora. A situação dos municípios chegou ao caos, nem o básico se consegue fazer em vários municípios. Os municípios é que tem que determinar as prioridades e os valores para fazer gestão pública no Brasil. Trabalho muito com prioridades. Cada investimento tem que ser um propulsor do desenvolvimento. Teria que trabalhar essa mudança, essa logística, burocracia, não há necessidade de concentrar os valores em Brasília, nas mãos de poucas pessoas para depois eles determinarem onde nós devemos investir. Se o gestor não souber fazer os melhores investimentos, atender a maior demanda, fomentar a economia do município, a comunidade também vai participar.
O que não pode faltar no político?
Clareza. Abertura. Não pode ser centralizador e achar que ele resolve tudo sozinho. O político tem um vínculo com a comunidade, ele tem que saber ordenar e coordenar. Não pode fechar fronteiras, blindar, saber mostrar ao povo uma forma de governança. Tomar decisões, mas sempre próximo das necessidades da população. Fazer uma gestão de uma empresa em que prevaleça o bem-estar público. O exemplo dentro da gestão pública, em todos os sentidos, se transfere naturalmente para a sociedade civil.
Como o senhor olha o Alto Uruguai?
A região do Alto Uruguai tem que trabalhar coletivamente, respeitando as individualidades, atividades, profissionais de cada município, para que que a nossa região seja destaque no cenário econômico gaúcho. Como se faz? Aproximando cada vez mais entidades, forças vivas, setor público, e conduzir harmonicamente para que todo mundo possa contribuir, produzir.
Amau tem um papel importante nisso?
A Amau é um dos fatores e alavanca do desenvolvimento dos municípios e está trabalhando coletivamente pela região, com integração.
Gostaria de ressaltar alguma informação?
O que eu posso contribuir, dentro das minhas possibilidades, dentro desse cenário, vou trabalhar para fazer a melhor escolha pelo município.