Aqueles dias
Que diferença faz um “n” em nossas vidas? Por sorte “aquele” tempo já passou. O tempo em que o termo “naqueles dias” indicava que algo não se passava “tão bem”, sem querer entrar em pormenores com relação às mulheres. Devia ser terrível ter de ouvir alguém a dizer que “fulana estava naqueles dias”. E por falar em dias, nosso ano está cheio deles. Desses e daqueles.
Dia para tudo
Me dei ao trabalho de fazer uma pesquisa. Há dias para tudo. Nosso ano civil, não bissexto, tem cerca de cento e dezesseis dias internacionais. E deve haver bem mais. Varia de acordo com o país, em que pese serem considerados “mundiais”. O 21 de fevereiro, logo mais, guarda o Dia Mundial da Língua Materna. Tem ainda o Dia dos Pais, Dia das Mães, das crianças, dos avós e por aí vai. Não vi na lista nenhum dia dedicado ao ex. Ex-mulher, ex-marido, ex-namorado ou coisa e tal. Em resumo, a cada três dias, um é reconhecido.
Dias esquisitos
Há dias que são esquisitos. O 24 de março, por exemplo, além de ser o Dia do Estudante, é também o Dia da Tuberculose, como se as doenças precisassem ser celebradas. Convenhamos! E se quem tem a doença já sofre, imagine o 21 de março. Em Portugal, além da Floresta, da Árvore e do Sono, é o Dia Mundial da Poesia. Por que raios não escolheram o dia 20, um dia antes (que por sinal está vago) para reverenciarmos a poesia? Reclamações? Enviem para a ONU. Foi ela quem criou o dia. Mas de todos os cento e tal dias mundiais, um dos mais esquisitos de todos é o 24 de abril: Dia do Animal de Laboratório.
Lista
A lista dos dias mundiais prossegue. Em Portugal, por exemplo, o 31 de maio é dedicado aos “não fumadores”, em bom “brasileiro” dia dos não fumantes. Aliás, o fumo é um assunto mal resolvido por esses lados. Algo que o Brasil está muito mais avançado do que os países europeus. Deve ser por isso que se celebra esse dia. De tanta gente que se põe a fumar, é preciso um dia para proteger quem não fuma. Mas um bom entendedor no assunto sabe que dia 17 de novembro também se comemora o dia do não fumador. Como pode? São dois dias com o mesmo motivo.
Há vagas
E como há tantos dias estranhos que são celebrados, eu gostaria de propor mais um. O “dia do nada”. Haveria de ser feriado, para começo de conversa. Um dia em que nada funcionaria. Uma espécie de greve geral sem reivindicações, para desespero dos políticos oportunistas. E como não sou assim, tão exigente, proporia que 29 de fevereiro fosse o Dia do Nada. Já é um “dia de lucro” na vida das pessoas, acostumadas com um fevereiro com 28 dias. Seria perfeito. Daria para não fazer nada o dia todo. E bem que a gente anda precisando disso.