Mesmo antes da definição do resultado final de domingo (25), o primeiro turno das eleições já deixou uma marca histórica para Erechim e o Alto Uruguai. A região conquistou uma representação política expressiva, com quatro parlamentares eleitos com domicílio eleitoral regional: três deputados estaduais e um deputado federal. Um resultado que dá peso político para a região e cria novas perspectivas para o encaminhamento de demandas históricas.
Na Assembleia Legislativa, o Alto Uruguai terá Marcelo Arruda (PSD), Paparico Bacchi (PL) e Delegada Nadine (PSD). Na Câmara dos Deputados, em Brasília, Rony Gabriel (Podemos), que alcançou a quarta maior votação no RS, será a presença regional no Congresso Nacional.
A região precisa de interlocução e capacidade de articulação
É uma bancada que reúne diferentes partidos e correntes políticas. E essa diversidade, longe de ser um obstáculo, pode se transformar em uma vantagem, desde que prevaleçam os interesses coletivos sobre as disputas partidárias. A região precisa de interlocução, capacidade de articulação e, sobretudo, unidade na defesa de suas prioridades.
Diálogo com o Senado Federal
O cenário ganha relevância quando se observa a ligação de outros nomes eleitos com o Alto Uruguai e municípios próximos. Sanderson (PL), o senador mais votado do Estado, é natural de Erechim. Seu segundo suplente, Ernani Mello, também é de Erechim, onde construiu sua trajetória política. São vínculos que podem garantir possibilidades de diálogo permanente com o Senado Federal.
Conversão de capital eleitoral com compromissos efetivos
A representação regional também conta com Salmo Dias de Oliveira (PP), de Nonoai, e Gilmar Sossella (PDT), de Tapejara, além de outros parlamentares que receberam votações expressivas nos municípios da região. A expectativa é que esse capital eleitoral se converta em compromissos efetivos com as comunidades que confiaram seus votos a esses candidatos.
Separar expectativa de resultado
Mas é preciso separar expectativa de resultado. Ter representantes eleitos é uma conquista importante, mas não significa que os recursos chegarão ou que as demandas serão atendidas. A força política precisa ser demonstrada na prática, por meio de emendas parlamentares, articulação junto aos governos estadual e federal, defesa de projetos estruturantes e presença nas discussões que definem os investimentos públicos.
Necessidade de uma região organizada com prioridades definidas
Também caberá aos prefeitos, vereadores, entidades empresariais, lideranças comunitárias e organizações regionais aproveitar esse novo cenário. Uma bancada forte precisa de uma região organizada, com prioridades definidas, projetos tecnicamente estruturados e capacidade de cobrar resultados. Sem essa articulação, até mesmo uma representação numericamente expressiva pode perder força.
Disputa menos visível, mas decisiva
A eleição entregou ao Alto Uruguai uma oportunidade rara. Agora, começa outra disputa, menos visível do que a campanha eleitoral, mas decisiva para o futuro regional. A disputa por recursos, investimentos e espaço nas decisões políticas do Estado e do país.