Depois de 28 anos (o último foi Waldomiro Fioravante em 1998), Erechim elege um deputado federal. O vereador de Erechim, Rony Gabriel, com 98,12% de apuração aparece em 4º lugar geral, com 220.823 votos.
Um “intruso”, entre os candidatos que buscaram a reeleição. Dos 18 mais votados, é único que vai para o primeiro mandato, aumentando o tamanho do feito.
Em 2016, quando disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara de Vereadores, Rony recebeu 367 votos. Não foi eleito. Quatro anos depois, novamente candidato, desta vez pelo Republicanos, chegou a 797 votos. Dobrou praticamente a votação, mas novamente ficou na suplência.
A eleição de 2024 mudou o patamar. Concorrendo pelo PL, Rony Gabriel alcançou 2.046 votos e terminou como o segundo vereador mais votado de Erechim. Em oito anos, saiu de 367 votos para mais de dois mil. Sua votação multiplicou-se por mais de cinco.
Entre uma eleição e outra, Rony encontrou nas redes sociais um caminho para fazer política sem depender exclusivamente das estruturas tradicionais. A partir de 2021, passou a produzir conteúdo político e ampliou significativamente sua presença no ambiente digital. O discurso de direita, a oposição ao campo político adversário e a aproximação com nomes de expressão nacional ajudaram a transformar um vereador.
E é justamente aí que começa a próxima etapa. Rony trocou novamente de partido. Depois de passar por PDT, Republicanos e PL, chegou ao Podemos em 2026 para disputar uma vaga de deputado federal.
O eleitorado deixa de ser o de Erechim e passa a ser o RS inteiro. O adversário deixa de ser apenas o político conhecido da cidade e passa a incluir centenas de candidatos com estruturas partidárias, recursos financeiros e exposição regional.
Ganhou projeção nacional após afirmar que recebeu uma proposta milionária para produzir conteúdos nas redes sociais em defesa do Banco Master e com críticas à atuação do Banco Central na liquidação da instituição. Segundo seu relato, a abordagem ocorreu por meio de uma empresa de gerenciamento de crise e envolvia contrato de confidencialidade. EM
Recusou a proposta e levou o caso às autoridades, apresentando conversas e documentos sobre a abordagem. O valor divulgado nas diferentes reportagens chegou a R$ 2 milhões,
O episódio passou a integrar investigações da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal, que apuram uma possível articulação para utilizar influenciadores digitais na defesa do Banco Master e em questionamentos à atuação do Banco Central.