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Política

Em 2025, Erechim recebeu 0,9% dos valores possíveis das emendas parlamentares

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A questão central é política. Sem representação direta em Brasília, a cidade continua dependente da
Por Rodrigo Finardi
Foto Fábio Portela

Erechim continua convivendo com um vazio político em Brasília que já dura mais de 2,5 décadas. Desde o fim do mandato de Waldomiro Fioravante, em 1999, o município não elegeu mais nenhum deputado federal. Na sua eleição, a votação ainda era em cédula de papel e a internet insipiente (discada). Na prática, isso significa que Erechim atravessou todo o século XXI e o novo milênio (iniciado em 1º de janeiro de 2001), sem um representante próprio na Câmara dos Deputados.

Divisão dos recursos

O reflexo dessa ausência aparece, de forma bastante concreta, na divisão dos recursos das emendas parlamentares. Em 2025, Erechim recebeu cerca de R$ 17 milhões em emendas parlamentares de deputados federais e senadores. São recursos importantes e que ajudam a viabilizar investimentos em áreas como saúde, assistência social, agricultura, obras e desenvolvimento do município.

Baixa representatividade

Mas quando se olha o cenário completo, o número chama atenção pela baixa representatividade.  Somando as emendas individuais dos 31 deputados federais do Rio Grande do Sul, os recursos destinados por três senadores e ainda as emendas coletivas da bancada gaúcha, o total disponível no ano passado chegou a R$ 1,89 bilhão. Desse montante, os cerca de R$ 17 milhões destinados a Erechim representam apenas 0,9% do total possível. Um percentual pequeno para um município que tem peso econômico relevante no norte do Estado.

Rotina conhecida em Brasília

Sem um deputado federal próprio, lideranças políticas e institucionais da cidade acabam enfrentando uma rotina conhecida em Brasília. A peregrinação por gabinetes em busca de recursos.

A diferença entre aliados e representante próprio

Deputados e senadores de outras regiões, ao longo dos anos, acabaram adotando Erechim em suas agendas e encaminhando emendas importantes para o município. Muitos deles mantêm relação política sólida com a cidade e contribuíram para viabilizar investimentos relevantes. Ainda assim, a diferença entre ter aliados e ter um representante próprio é evidente.

Os valores que cada um tem direito

No passado cada deputado federal gaúcho teve cerca de R$ 37,2 milhões em emendas individuais (para 2026 esse valor é de R$ 40 milhões), o que totalizou aproximadamente R$ 1,15 bilhão. Já cada senador teve R$ 68,5 milhões (em 2026 esse valor é de R$ 74 milhões). A bancada gaúcha ainda contou com R$ 530 milhões em emendas coletivas.

35 mil pessoas nasceram e não elegemos deputado

É nesse universo de recursos que Erechim tenta garantir espaço. A ausência de um deputado federal eleito na cidade já chega a 26 anos. Nesse intervalo, segundo dados do Censo 2022 do IBGE, aproximadamente 35 mil pessoas nasceram em Erechim sem que o município tivesse um representante próprio na Câmara dos Deputados. É um hiato político que atravessa gerações.

O cenário não é simples

O cenário também não é simples para quem tenta romper essa barreira. Dos 31 deputados federais eleitos pelo Rio Grande do Sul na última eleição, 23 conquistaram a reeleição, o que representa 74,2% das cadeiras. Apenas oito nomes chegaram à Câmara sem buscar um novo mandato.

Recursos para suas bases eleitorais  

A força das emendas parlamentares ajuda a explicar esse fenômeno. Deputados em exercício têm maior capacidade de destinar recursos para suas bases eleitorais, fortalecendo vínculos políticos e ampliando suas chances de permanecer no cargo. Na prática, candidatos que disputam pela primeira vez largam em desvantagem.

Retrato da política local

A eleição passada também mostrou outro retrato da política local. Dos 554 candidatos a deputado federal, 345 receberam votos em Erechim. Entre os 10 mais votados no município, metade não possui domicílio eleitoral na cidade.  Com nova eleição se aproximando, o debate volta inevitavelmente à mesa. Erechim recebe recursos, sim. Mas poderia receber muito mais, considerando seu peso econômico e regional no Rio Grande do Sul.

Erechim quer eleger um deputado?

A questão central é política. Sem representação direta em Brasília, a cidade continua dependente da boa vontade de parlamentares de outras regiões. No fim das contas, a decisão passa pelo eleitor. A pergunta que fica é simples. Erechim quer, de fato, eleger um deputado federal?

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