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Expressão Plural

A história das Copas: 1978 e a vitória suspeita

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Everton
Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

Depois de quatro tentativas frustradas ao longo do século, a Argentina finalmente recebeu o direito de sediar uma Copa do Mundo em 1978. O país já havia se candidatado anteriormente, mas sempre ficou pelo caminho nas decisões da FIFA, até que a escolha encerrou uma longa espera e colocou o futebol argentino no centro das atenções do mundo.

O contexto político marcou profundamente o torneio. Em 1976, um golpe militar instaurou uma ditadura no país, e a Copa passou a ser tratada como uma peça estratégica do governo. O evento foi utilizado como instrumento de propaganda, com investimentos altos, controle da informação e uma organização que, para muitos observadores, parecia desenhada para favorecer a própria Argentina, ainda que isso jamais tenha sido admitido oficialmente.

Além da Argentina, a competição reuniu Alemanha Ocidental, Holanda, Itália, Polônia, Áustria, Espanha, Suécia, França, Hungria, Escócia, Brasil, Peru, Irã, México e Tunísia. Esta foi a última edição que contou com 16 seleções.

O Brasil chegou ao Mundial com um elenco que mesclava nomes consagrados da geração de 1970, como Rivellino, com jogadores que se tornariam protagonistas em 1982, como Zico. Sob o comando de Cláudio Coutinho, a seleção apresentou ideias consideradas avançadas para a época, com forte preparo físico, movimentação intensa e conceitos coletivos influenciados por estudos científicos. Muitas dessas propostas, no entanto, foram pouco compreendidas na época, gerando críticas em um ambiente que ainda cobrava genialidade individual.

A campanha brasileira começou com empate em 1 a 1 com a Suécia, em um jogo marcado pelo gol de Zico anulado no último lance, quando o árbitro apitou o fim da partida enquanto a bola ainda estava no ar. Na sequência, novo empate em 0 a 0 contra a Espanha. A classificação veio com a vitória por 1 a 0 sobre a Áustria, garantindo o segundo lugar no grupo e a vaga na segunda fase, onde uma de suas adversárias foi a Argentina.

Os argentinos começaram a campanha com oscilações: venceram Hungria e França, mas perderam para a Itália e terminaram em segundo lugar em seu grupo na primeira fase.

No grupo semifinal, o Brasil iniciou de forma convincente ao vencer o Peru por 3 a 0, com atuação sólida. Já a Argentina fez 2 a 0 na Polônia. Em seguida, veio o confronto mais esperado do torneio: Brasil x Argentina, em Rosário, que terminou em 0 a 0, em uma partida tensa e equilibrada.

A definição do finalista ficou para a última rodada. À tarde, o Brasil enfrentou a Polônia, venceu por 3 a 1 e encerrou com cinco pontos e saldo positivo de cinco gols. À noite, já sabendo que precisava vencer por quatro gols de diferença para superar os brasileiros no saldo, a Argentina entrou em campo contra o Peru e, de maneira muito fácil e suspeita, goleou por 6 a 0, garantindo a vaga na final.

O questionamento foi inevitável. O fato de o jogo ter sido disputado após o confronto do Brasil, o contexto político do país e a atuação apática da seleção peruana contribuíram para a controvérsia. Anos depois, alguns jogadores peruanos afirmaram que houve incentivos financeiros para a derrota, embora nunca tenha havido comprovação oficial de irregularidades. Na disputa do terceiro lugar, o Brasil venceu a Itália por 2 a 1 e Cláudio Coutinho afirmou que o Brasil foi o “campeão moral” da Copa, por ter encerrado a campanha sem perder nenhum jogo.

Na final, disputada no estádio Monumental, em Buenos Aires, a Argentina enfrentou a Holanda. No tempo normal, as seleções empataram em 1 a 1. Na prorrogação, empurrada pela torcida, a seleção argentina marcou mais dois gols e venceu por 3 a 1, conquistando seu primeiro título mundial.

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