A Copa do Mundo de 1974 teve sua sede definida dentro de um planejamento amplo da FIFA. Em 1966, a entidade decidiu antecipadamente as sedes dos Mundiais até 1982, estabelecendo a Alemanha Ocidental como anfitriã de 1974, a Argentina em 1978 e a Espanha em 1982.
O Mundial alemão marcou o início de uma mudança no controle do futebol. Um mês antes do início da competição, o brasileiro João Havelange foi eleito presidente da FIFA, encerrando a era europeia à frente da entidade e com um discurso de expansão do torneio, prometendo ampliar o número de participantes e dar maior espaço a países fora do eixo europeu e sul-americano.
Entre os classificados, muitas histórias. Pela única vez, Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental disputaram uma Copa juntas. No confronto direto entre as duas, na primeira fase, a seleção oriental venceu por 1 a 0, em um resultado cheio de simbolismo em plena Guerra Fria. O Mundial também teve as presenças de Haiti e Zaire, representando América do Norte e África. Ambos disputaram sob forte vigilância das ditaduras de seus países (Baby Doc e Mobutu Sese Seko), chegando a ocorrer até ameaças de morte (não concretizadas) aos jogadores após as eliminações na etapa inicial.
Também houve polêmica com a classificação do Chile. Após o golpe de estado deflagrado por Augusto Pinochet em 1973, o Estádio Nacional de Santiago tornou-se um centro de detenção de opositores. Sua adversária na repescagem, a União Soviética se recusou a disputar a partida naquele local e os chilenos avançaram sem jogar.
O torneio marcou ainda os retornos da Polônia, que surpreendeu ao terminar em terceiro lugar, e da Holanda, que apresentou ao mundo uma revolução tática. Liderada por Johan Cruyff, a seleção holandesa encantou com o chamado “futebol total”, caracterizado por movimentação constante, troca de posições e domínio coletivo do jogo. Completaram os participantes: Brasil, Suécia, Itália, Argentina, Uruguai, Escócia, Iugoslávia, Bulgária e Austrália.
O regulamento da Copa do Mundo também mudou em 1974. O mata-mata após a fase de grupos foi substituído por uma segunda fase em grupos, em que as seleções classificadas foram divididas em duas chaves. Os líderes de cada grupo avançariam à final, e os vices disputariam o terceiro lugar.
Para o Brasil, o Mundial representou um período de transição. A saída de Pelé em 1971 deixou um vazio técnico e simbólico difícil de preencher. Ainda sob o comando de Zagallo, a seleção buscava uma nova identidade, mais pragmática e sem o brilho de 1970. A campanha começou com empates em 0 a 0 com a Iugoslávia e com a Escócia, em duas partidas fracas. A classificação só veio com a vitória por 3 a 0 sobre o Zaire.
Na segunda fase, o Brasil venceu a Alemanha Oriental por 1 a 0, manteve chances de ir à final ao bater a Argentina por 2 a 1, mas foi eliminado após a derrota por 2 a 0 para a Holanda, em um confronto que expôs a superioridade tática do “Carrossel Holandês”. Na disputa do terceiro lugar, os brasileiros levaram 1 a 0 da Polônia.
A caminhada rumo ao título foi protagonizada pela Alemanha Ocidental, que cresceu ao longo do torneio. Após ficarem em segundo na fase inicial, à frente de Chile e Austrália, mas atrás da Alemanha Oriental, os anfitriões venceram Iugoslávia, Suécia e Polônia no grupo semifinal, avançando à final. Do outro lado, a Holanda encantava o mundo com seu futebol revolucionário, sendo a favorita na decisão.
Na final em Munique, o confronto simbolizou o embate entre eficiência e inovação. A Holanda abriu o placar aos dois minutos de jogo, mas os alemães viraram ainda no primeiro tempo e venceram por 2 a 1, conquistando seu segundo título mundial.