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Expressão Plural

A história das Copas: 1970 e o Brasil definitivo

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Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

A Copa do Mundo foi novamente ao continente americano em 1970. Em nova eleição, o México foi escolhido como sede em detrimento da candidatura da Argentina, que mais uma vez ficou pelo caminho. A decisão trouxe desafios: a altitude, o calor intenso e os horários das partidas, muitas delas disputadas ao meio-dia e pensadas para atender aos fusos horários da Europa. Fora de campo, o Mundial também marcou mudanças nas regras, com a adoção dos cartões amarelo e vermelho, criando um padrão disciplinar internacional, e da permissão das substituições, duas por equipe.

O torneio também representou um grande avanço na abertura do futebol. Pela primeira vez, a FIFA reservou vagas definitivas simultaneamente para África e Ásia, rompendo com um histórico de exclusões e repescagens desiguais. Os africanos foram representados pelo Marrocos, enquanto os asiáticos tiveram Israel como classificado. Completaram as 16 seleções, ao lado do México: Inglaterra, Alemanha Ocidental, Itália, Brasil, Uruguai, Peru, Bélgica, Suécia, União Soviética, Bulgária, Tchecoslováquia, Romênia e El Salvador.

Para o Brasil, a Copa de 1970 simbolizou um recomeço após o fracasso de 1966. O ambiente era de incerteza, inclusive em relação a Pelé, que chegou a cogitar seriamente deixar a seleção após anos de perseguições adversárias. A retomada começou com João Saldanha, cronista esportivo que assumiu o cargo de técnico e conduziu uma campanha impecável nas Eliminatórias em 1969, com seis vitórias em seis jogos, um ataque avassalador e a recuperação do prestígio da equipe.

Apesar desse sucesso, o início de 1970 foi turbulento. Amistosos com atuações ruins expuseram fragilidades, enquanto divergências internas ganharam espaço. Episódios como a discussão pública em torno da miopia de Pelé desgastaram o ambiente, somando-se a tensões externas que culminaram na saída de Saldanha às vésperas do Mundial, em março.

O novo técnico a assumir foi Mário Jorge Lobo Zagallo, o que trouxe estabilidade à equipe. Campeão como jogador em 1958 e 1962, Zagallo manteve a base construída, promoveu ajustes táticos e encontrou o equilíbrio para explorar o talento do elenco, unindo técnica, inteligência coletiva e capacidade física para suportar as condições extremas. E o melhor foi que a população pôde, pela primeira vez, assistir tudo isso ao vivo pela televisão, 90 milhões em preto e branco e algumas centenas em cores.

A campanha foi dominante desde o início. Na fase de grupos, venceu a Tchecoslováquia por 4 a 1, a Inglaterra por 1 a 0 e a Romênia por 3 a 2. Nas quartas de final, o Brasil superou o Peru por 4 a 2, reencontrando Didi como técnico adversário. A semifinal contra o Uruguai, carregada de simbolismo pelo trauma de 1950, terminou em 3 a 1, com atuação madura e o histórico quase gol de Pelé, em que ele dribla o goleiro apenas com o corpo, mas a bola passa raspando a trave.

A final foi disputada diante da Itália na Cidade do México, no imponente estádio Azteca. Com gols de Pelé, Gérson, Jairzinho e Carlos Alberto Torres, o Brasil venceu por 4 a 1, coroando uma das exibições mais emblemáticas da história do futebol. A seleção de 1970 passou a ser consagrada como o melhor time de todos os tempos, reunindo o Rei Pelé, mais Tostão, Jairzinho, Rivellino, Gérson, Carlos Alberto e outros nomes no conjunto definitivo quando falamos do futebol brasileiro.

O tricampeonato garantiu ao Brasil a posse definitiva da Taça Jules Rimet, conforme previa o regulamento da FIFA. Mas o troféu permaneceria no país somente até 1983, quando foi roubado da sede da CBF, no Rio de Janeiro, e nunca mais recuperado, provavelmente derretido pelos ladrões.

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