Doze anos após a última edição, o futebol voltava a se reunir em torno da Copa do Mundo em 1950. Em um planeta ainda marcado pelas consequências da Segunda Guerra, o retorno do torneio representava uma tentativa de retomada da normalidade em meio a um cenário político e econômico ainda instável.
Ainda no fim da década de 1930, a FIFA havia iniciado o processo de escolha da sede para a Copa do Mundo de 1942, com candidaturas de Brasil, Argentina e Alemanha. No entanto, com o avanço da guerra na Europa, a entidade cancelou o torneio em 1940, interrompendo o calendário internacional. Apenas ao final do conflito a retomada do Mundial voltou à pauta.
Encerrada a guerra em 1945, a FIFA encontrou pouco entusiasmo entre os países. A reconstrução era prioridade, os custos eram elevados e o cenário econômico assustava. Apenas o Brasil demonstrou interesse em sediar a próxima Copa do Mundo, assumindo o protagonismo. Inicialmente, a edição estava prevista para 1949, mas a CBD convenceu a FIFA a adiar para 1950, argumentando que o país precisava de mais tempo para a construção do Estádio do Maracanã, idealizado para ser o maior do mundo.
Mesmo com o Brasil como sede, o torneio foi marcado por boicotes, ausências e suspensões. A Argentina recusou-se a participar por conta de uma rixa esportiva com o futebol brasileiro, agravada por divergências institucionais. Alemanha e Japão estavam suspensos das competições internacionais em razão de seus papéis no conflito mundial. A Itália, apesar de ter sido uma das potências do Eixo, acabou poupada de uma suspensão devido aos esforços para preservar o troféu da Copa, escondido e protegido por dirigentes. Outros países também desistiram: Escócia e Turquia abriram mão da vaga após se classificarem, enquanto Índia e França se retiraram por motivos logísticos e financeiros.
Com isso, a fase de grupos ficou desalinhada. A Copa de 1950 adotou um formato único em sua história: 13 seleções foram divididas em quatro grupos com números diferentes de equipes (dois com quatro, um com três e um com duas), e apenas o vencedor de cada chave avançava para um quadrangular final, que definiria o campeão em sistema de pontos corridos.
As seleções que se juntaram ao Brasil e disputaram a Copa de 1950 foram: Uruguai, Paraguai, Bolívia, Chile, Inglaterra, Espanha, Suécia, Itália, Iugoslávia, Suíça, México e Estados Unidos. A presença inglesa foi especial, já que o país disputava sua primeira Copa do Mundo após ter ficado fora da FIFA entre 1928 e 1946, em desacordo com a condução do futebol internacional e a própria criação do Mundial.
Dentro de campo, o Brasil empolgou. Em casa, a seleção teve atuações dominantes e chegou ao quadrangular final como ampla favorita, depois de vencer o México por 4 a 0, empatar em 2 a 2 com a Suíça e vencer a Iugoslávia por 2 a 0. No quadrangular final, goleadas por 7 a 1 sobre a Suécia e por 6 a 1 sobre a Espanha criaram um clima de festa antecipada, e o país se preparava para celebrar seu primeiro título mundial.
O Uruguai, porém, contrariou todas as previsões. Na primeira fase, o time goleou a Bolívia por 8 a 0 (no grupo de duas seleções). No quadrangular, a Celeste empatou com a Espanha e venceu a Suécia. No jogo final, diante de mais de 190 mil pessoas no Maracanã, os uruguaios venceram o Brasil por 2 a 1, de virada, e conquistaram seu segundo título mundial com cinco pontos, ante quatro dos brasileiros. O episódio entrou para a história como o “Maracanazo”, transformando a Copa de 1950 em um dos capítulos mais traumáticos do futebol nacional.