O município de Erechim, após ser acometido por uma intensa chuva de granizo, que trouxe perdas significativas para a população, passa por uma transformação visual evidente, especialmente quando observado de cima. Os novos telhados instalados após os estragos tornaram a cidade mais refletiva, sobretudo em dias ensolarados.
No entanto, nessa mudança necessária, perdeu-se parte de um encanto de outrora. O visual urbano foi alterado pela urgência da reconstrução e, em muitos casos, pela opção pelo mais prático, em detrimento do cuidado com os detalhes.
Mas aonde quero chegar com esta introdução? À história, ao passado, à beleza das casas com telhas trabalhadas, que fazem toda a diferença em uma edificação, especialmente nas mais antigas. Muitas moradias tradicionais do município tinham sua essência justamente nos telhados, elemento que, no conjunto arquitetônico, exerce papel fundamental, sobretudo quando visto de cima.
É como um castelo medieval erguido com rochas rústicas. Imagine se alguém tivesse a infeliz ideia de rebocá-lo e alisar suas paredes. Continuaria sendo um castelo, mas certamente perderia sua história, tornando-se apenas mais uma edificação comum, sem brilho.
É importante deixar claro que não somos contrários à utilização de telhas de aluzinco na maioria das casas atingidas pelo granizo, tampouco ao esforço descomunal realizado para atender toda a população afetada. Ressalto, porém, que parte da história se perdeu nesse processo. Seria como optar pelo aluzinco para cobrir o Castelinho ou restaurar a antiga agência dos Correios escolhendo esse material. A história deixaria de existir.
Dessa forma, muitos afirmam que a cidade passou por uma nova fase de modernização. No entanto, não é bem assim. Com exceção de casas em bairros menos abastados, cujos telhados, com mais de 50 anos, já não tinham condições de reparo, grande parte da cidade se transformou, mas perdeu identidade.
Já imaginou uma cidade como Gramado inteiramente coberta por telhados de aluzinco? Perderia totalmente a graça, a essência histórica, a identidade. Em grande parte, Erechim vive hoje essa realidade.
As poucas construções que preservaram sua identidade se destacam entre tantas outras. Alguns proprietários fizeram verdadeiro malabarismo financeiro para adquirir telhas de cerâmica ou barro, mantendo seus telhados com a beleza que sempre tiveram. Isso é manter a história viva, latente para esta e para as futuras gerações.
Muita gente ganhou economicamente e a cidade mudou. Mas que perdemos parte da nossa história, isso não há como negar.