Dia desses, ao reorganizar minha biblioteca particular, encontrei um livro que eu não me lembrava de ter: uma antologia poética de Drummond. Considerando ser este meu poeta preferido, até aí, nada demais. A surpresa veio quando abri o livro: uma dedicatória. Eu não só havia esquecido da existência do livro, como não me recordava de quem me havia dado ele e as circunstâncias nas quais isto se deu.
A dedicatória era direta e objetiva, assim como era a pessoa que me presenteou: Com Carinho, Salete Barbosa Zancanaro. Aquelas palavras me tomaram de assalto. Para poder partilhar com você, caro leitor, a emoção que senti, foi como se saísse para passear e ao acaso encontrasse na rua alguém que há muito tempo não via, um reencontro tomado de emoção, no qual saudade e vontade de eternizar o momento não somente se manifestam, mas perduram. Foi como ganhar um abraço, longo e demorado, de quem já não se esperava encontrar.
Depois de um reencontro desses, não há muito o que falar. Não há palavras que possam traduzir o que a gente sente quando, de repente encontra alguém que já se foi, seja numa dedicatória, numa foto, um áudio ou ainda ao acaso do dia a dia, quando vemos algo que nos lembra de quem seguimos amando, mesmo em outro plano. O jeito é acomodar o coração e seguir a vida, mesmo que precisemos inúmeras vezes mudar a direção a seguir.
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