Se as pedras do Centro Histórico de Paraty falassem, certamente contariam tudo o que já vivenciaram nestes longos anos. Este ano eu as conheci de perto, representando o Sesc RS na Flip, e cheguei à conclusão de que elas são desafiadoramente lindas. Contam muito mais do que história: contam vida.
Um dos eventos mais importantes, que neste ano teve sua vigésima terceira edição, é a Feira Literária Internacional de Paraty, a FLIP. Gente do mundo todo se reúne para vivenciar uma efusão literária: gente que escreve, gente que consome literatura, gente que lê. Os mais diversos assuntos são tratados nas casas e nas mesas de debates deste que é um dos maiores eventos literários mundiais, provando que quem lê tem seu senso crítico despertado e, sim, está ativo para ler, interpretar e discutir o mundo e suas mudanças, sejam elas quais forem.
Creio que essas mesmas pedras, que tanta coisa já presenciaram, devem se assombrar com tantas mudanças ao longo do tempo. Algumas positivas, outras nem tanto. É preciso olhar para dentro, para as vicissitudes do ser. Compreender que a leitura nos leva além, nos conduz a lugares inimagináveis e impensados. Que somos seres mutáveis e que posicionamentos e opiniões precisam ser constantemente revisitados, revistos e ponderados à luz do bom e velho discernimento que somente a leitura pode nos oferecer. E com leitura, quero aqui dizer, antes do decifrar dos signos e seus significados, a leitura de mundo — esta que, sim, precede a leitura da palavra.
Pode parecer lugar-comum, clichê, mas ler é uma delícia! É um constante maravilhar-se com o pensamento do outro, com o descortinar de mundos novos, até então alheios, adormecidos em nossa completa ignorância. Ler é, antes de mais nada, um exercício de cidadania, ao qual todos têm direito. É preciso que cada vez mais movimentos leitores sejam realizados para o despertar de uma nação que sonha, mas que precisa acordar para as páginas de bons livros.