Nada melhor que falar de fusão de partidos ou uni-los em federação, que no dia 12 de junho, Dia dos Namorados. Digo isso, pois namoros não são eternos, e no caso da política está sendo utilizado num primeiro momento, para evitar que partidos não atinjam a cláusula de barreira nas eleições de 2026, o que significa ficar sem recursos do fundo partidário, o que praticamente pode sepultar muitas siglas que correm esse risco. Outros partidos se unem para ter mais força política e barganha junto ao governo federal.
O que diz a lei
A lei estabelece que os partidos precisarão eleger 13 deputados federais no ano que vem ou ter 2,5% dos votos válidos para Câmara e 1,5% em pelo menos nove estados. Caso esse patamar não seja atingido, as siglas perderão acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda em rádio e televisão.
Muita conversa
Diante dessa realidade as direções nacionais dos partidos conversam e bastante, para estarem numa federação ou mesmo numa fusão, que é a criação de um novo partido, a partir de dois ou mais já existentes.
As Federações que já concorreram em Erechim
Em Erechim os partidos estão de olho nessas fusões ou federações, pois irá, sem dúvida, trazer reflexos em composições futuras nas eleições para prefeito de 2028. Nas eleições do ano passado, duas federações existiam: PT/PCdoB/PV e PSDB/Cidadania. Na primeira elegeu um vereador do PT, Clairton Balen, e uma vereadora do PCdoB, Sandra Picoli. Na segunda o PSDB elegeu três vereadores- Emerson Schelski, William Racoski e Carlinhos Magrão. Dois viraram secretários – Schelski e Racoski – e subiram dois suplentes, Juares Bernardi e Carla Talgatti que é do Cidadania.
Mas pelos movimentos, principalmente deste ano, quando as eleições municipais de 2028 chegarem deveremos ter várias fusões e federações.
União Brasil e Progressistas juntos podem se cacifar para 2028
União Brasil e Progressistas já anunciaram a Federação com o nome União Progressista Brasileira (UPB), que tem validade para quatro anos. Em Erechim os dois partidos fazem parte do governo. E juntos ficam fortes com quatro vereadores – Ricardo Argenta (UB), Lindomar Kossmann (UB), Claudemir de Araújo (Progressistas) e Gustavo Zin Farina (Progressistas). Além de três secretários municipais com Jackson Arpini (UB), Vianei Mueller (UB), e Micael Kasmirski (Progressistas). Se trabalharem unidos, em 2028 tem bala na agulha para se cacifar para algo maior.
MDB e Republicanos: mais um partido para o governo
MDB e Republicanos conversam a nível nacional para se unirem em Federação. Em Erechim, o MDB é o maior partido com seis vereadores – Clarice Moraes, Nadir Barbosa, Romildo Pereira da Silva, Fifo Parenti, Eclesan Palhão e Sérgio Alves Bento. E tem ainda cinco secretarias: Educação (Manynha Lipsch), Fazenda (Ana Oliveira); Gestão e Governança (Edgar Marmentini); Meio Ambiente (Cristiano Moreira) e Obras Públicas (Mario Rossi). Além do prefeito Paulo Polis, que está em seu quarto mandato. O Republicanos não tem nenhum cargo eletivo em Erechim. Concorreu a prefeitona última com Anax Pezzin ficando em 4º lugar e não elegeu nenhum vereador. Se unirem os dois, é um partido a menos na oposição e mais um na coligação de vários partidos que governa Erechim.
PSDB e Podemos: possibilidade de mais uma sigla na base
Quem vive um dilema é o PSDB, principalmente após a saída do governador Eduardo Leite, que se filiou no PSD. A nível nacional já anunciaram que não irão renovar a Federação com o Cidadania. Flertou com algumas siglas maiores, mas as negociações não avançaram, e atualmente conversa com o Podemos, que também não tem cargo eletivo em Erechim e na eleição passada apoio Ernani Mello (PL) para prefeito que ficou em 2º lugar. Se fecharem a federação pode ser mais um partido que pode embarcar no governo municipal.
O tamanho da desidratação dos Tucanos
Mas tem outra questão em jogo em Erechim, que é saber o tamanho da desidratação do PSDB no município, pois seus dirigentes aguardam desdobramentos superiores e uma parte significativa deve migrar para o PSD, do governador Eduardo Leite. O primeiro nome deve ser o vice-prefeito Flávio Tirello. E os vereadores aguardam movimentos em função da fidelidade partidária para não perderem o mandato. O PSD já faz parte do governo, mesmo sem ter cargos eletivos em Erechim e tem como presidente Cláudio Pagliosa, que terá que ter pulso firme, pois com o crescimento da sigla, não faltarão pretendentes querendo comanda-lo.
Partidos que tentam driblar a cláusula de barreira
Existem outros movimentos no país onde partidos tentam driblar a cláusula de barreira. Alguns são constituídos em Erechim e outros não. E entre eles o próprio PSDB, que tem o vice-prefeito, além do Cidadania, Podemos, Solidariedade, PSB, PDT, PV, PRD, Novo, Avante e Rede. Buscarão uma fusão ou federação, para manter o fundo partidário e o tempo de TV e rádio.
Fortalecimento governista
Fiz toda essa análise, para mostrar a dificuldade dos partidos, mas principalmente para trazer essas questões políticas para Erechim. O governo municipal já possui uma grande quantidade de partidos o apoiando, e pode ganhar mais alguns com possíveis uniões nacionais, entre eles o Republicanos e o Podemos.
Um na esquerda e outro na direita
Desta forma, se tudo isso se concretizar, quando 2028 chegar, e se manterem os partidos unidos, deixará duas siglas apenas contrárias ao governo. O PT representando a esquerda (com PV e PCdoB por hora) e o PL, que tem dois vereadores – Rony Gabriel e Tiago The Police e um deputado estadual, Paparico Bacchi.