Recentemente, enquanto rolava os reels do Instagram — aquele momento em que o tempo escorre sem a gente perceber —, surgiu um vídeo do Leandro Karnal que parecia ter sido encomendado pela minha consciência. Ele falava exatamente sobre isso: distração, ansiedade, irritabilidade... tudo consequência dessa conexão constante com a tela.
Não é à toa que o vídeo apareceu ali, no meu feed — o algoritmo acaba sabendo.
Parei. Pensei. Assisti até o fim. E confesso: fiquei mexida.
Quantas horas gastamos vendo vídeos curtos, imediatos, piscando rápido diante dos nossos olhos? Quantas vezes prometemos que assistiríamos só um... e lá se vão quarenta minutos? Tempo que poderíamos ter usado para coisas que realmente valerão mais a pena: ler, escrever, caminhar, preparar uma comida gostosa, conversar sem pressa com alguém que está ao nosso lado.
Mas não. Nós mergulhamos no vício da distração. Depois vem o arrependimento. E, no dia seguinte, tudo se repete — com a mesma culpa, um pouco maior a cada vez.
No vídeo, Karnal fala sobre foco. Diz que o cérebro é treinável, e que quanto mais praticamos a atenção, mais ela se fortalece. Sugere a leitura como exercício, como disciplina.
Achei super válido, mesmo sabendo que se tratava de uma propaganda sobre um clube de leitura. Mas a mensagem me fez querer mudar. E como tudo nas redes, também ali havia uma estratégia.
Aliás, uma pesquisa recente mostrou que o Brasil é o terceiro país do mundo que mais consome redes sociais. Segundo dados do We Are Social e Meltwater, divulgados pela Mackenzie, temos 187,9 milhões de internautas em 2024. Isso representa 86,6% da população. Um número que espanta — ou deveria.
Sabe quanto tempo, em média, passamos online por dia? Nove horas e treze minutos. A maior parte desse tempo (57,6%) é gasta em smartphones. Pequenas telas que tomam um espaço enorme na nossa vida.
Penso nisso enquanto escrevo essas linhas. Talvez seja a tentativa de fazer algo diferente hoje. Talvez seja só um lembrete para mim: o foco é um músculo, e ele também pode se atrofiar.
Talvez amanhã eu leia mais do que role. Talvez você também.