Há um trecho da obra de Paulo Freire que ilustra, de forma direta e simples, o caráter social dos livros e a capacidade que têm em auxiliar na compreensão sobre o mundo, “é preciso que a leitura seja um ato de amor”. A leitura — e, por extensão, a educação — deve ser feita com empatia, respeito e envolvimento.
No dia 9 de abril, é celebrado o Dia Nacional da Biblioteca, data que destaca a importância destes espaços de conhecimento, aprendizado e cultura. Criada há 78 anos, a Biblioteca Pública Municipal Dr. Gladstone Osório Mársico dispõe de um acervo com mais de 36 mil exemplares, entre literatura infantil, infanto-juvenil, romance, suspense, biografias, autoajuda e livros didáticos de todas as áreas do conhecimento.
Para a bibliotecária Naira Benvenutti, que atua há 4 anos na Biblioteca Pública de Erechim, o ambiente representa uma ponte entre a cultura, o lazer, a educação e as pessoas. “A biblioteca exerce esse papel de ter as portas abertas para, gratuitamente, proporcionar o contato das pessoas com o livro. Pessoas de qualquer classe social e de qualquer localidade, inclusive”, destaca.
De fato, o espaço é democrático, afinal todos podem ter acesso às obras, mesmo não residindo em Erechim. Para isso, basta efetuar o cadastro no balcão de atendimento da biblioteca, apresentando um documento com foto e o comprovante de residência atual. Após o cadastramento, o novo sócio já pode retirar um livro e, a partir da devolução, até três livros por vez.
Além disso, é possível acessar a plataforma online da biblioteca, que conta com todo o acervo de livros e oferece serviços como consulta das obras disponíveis, renovação, além do acompanhamento das obras já retiradas e devoluções.
Muito além dos números
Atualmente, a Biblioteca Municipal conta com 11.522 sócios e, em março deste ano, atingiu a marca de mais de mil atendimentos no mês. “Nessa geração, de acesso à internet e e-books, ter um número expressivo assim de acessos à biblioteca é bem interessante, mostra realmente o papel que o livro ainda desempenha”, aponta o Diretor de Cultura do município, Deloan Perini.
O espaço recebe, duas vezes por ano, recursos públicos destinados à compra de livros. Além dessas aquisições regulares, a biblioteca conta com doações do público, mas também doa os exemplares que não vão para o acervo.
“A primeira estante, à direita da porta de entrada, é de doações. Então se a pessoa tem interesse em algum daqueles livros, pode levar. Há obras que não temos mais como aceitar, infelizmente, como enciclopédias, porque a biblioteca não comporta mais esse tipo de material pelo espaço e pela utilidade. Então a gente coloca ali e o pessoal leva”, explica Naira.
Renovação
Contrariando os estereótipos, o ambiente conta com um acervo atualizado, mas não perde o charme que os clássicos oferecem. Tiago Biolo, que trabalha há 10 anos na Biblioteca Municipal, reforça a importância da literatura clássica, principalmente para aqueles que pretendem prestar vestibular. Dessa forma, além de ampliar o acesso à leitura, a biblioteca tem a capacidade de democratizar também o acesso à educação.
Para Simone Maria Vitali, funcionária pública e auxiliar de limpeza há 8 anos na biblioteca, o caráter mágico que o espaço adquire assim que as crianças têm contato com os livros é o que faz da Biblioteca Municipal um lugar extraordinário.
“Particularmente, como funcionária da biblioteca há oito anos, é difícil até descrever. Mas o que eu mais acho extraordinário é quando vêm as crianças, os pequeninos das escolas. É maravilhoso ver eles descobrindo esse novo mundo. A gente sabe o potencial que os livros têm, né? E ali, naquele momento, está nascendo um novo interesse, uma nova curiosidade”, conta.
A Biblioteca Pública Municipal Dr. Gladstone Osório Mársico está aberta de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 11h30 e das 13h às 17h, na Av. Pedro Pinto de Souza, 100 – Centro.
(Texto produzido por Marina Oliveira, com a supervisão de Carlos Silveira)