Uma polêmica envolvendo Inteligência Artificial e o Studio Ghibli ganhou as mídias e a redes sociais nessa semana. A atualização mais recente do ChatGPT, da OpenIA, trouxe aquela que é tida como a mais desenvolvida tecnologia de geração de imagens de inteligência artificial existente até o momento, contendo, de acordo com divulgação, “uma vasta gama de estilos de imagens”.
Ocorre que um desses estilos, ligado à estética do Studio Ghibli, a produtora de filmes de animação criada em 1985 por Hayao Miyazaki e super conhecida por obras como “Meu vizinho Totoro” e “O túmulo dos vagalumes”, ambos de 1988, “A viagem de Chihiro”, de 2001, e “O menino e a garça”, de 2023 – ocorre que um desses estilos “viralizou”. A estética Ghibli, em cujo escopo encontra-se o “estilo Ghibli de desenho”, o “traço Ghibli”, encheu as redes sociais nos últimos dias – uma vez que as pessoas fizeram “versões Ghibli” de si mesmas em seus perfis, muitas vezes fotografias inteiras. O “abuso” levou a discussões sobre violação de direitos autorais e ética, e o próprio Miyazaki queixou-se em um pronunciamento incrédulo, irado. As dezenas de milhares, talvez milhões, de pessoas que fizeram uso do recurso, defendem-se: puxa!, é só uma brincadeira...
Reconheço que a questão é séria – mas não quero entrar nela, não sou obrigado. Pelo menos hoje. Como se revelou que muita gente, também, está se perguntando “que diabos é Studio Ghibli”, pensei em trazer, nesta coluna e na próxima, elementos do que estou chamando, então, de Filosofia Ghibli, ou de “toques Ghibli”: momentos notáveis dos diversos filmes, vazados em diálogos e excertos de diálogos, está bem? No próximo texto, dou a fonte. ‘Bora lá e bom proveito!
“Não importa de quantas armas tu disponhas, não importa quão avançada tua tecnologia seja. O mundo não pode viver sem amor.” O castelo no céu, 1986.
“Para se tornar uma borboleta, a lagarta precisa antes se transformar em uma crisálida, mesmo que não tenha desejado nada disso em nenhum momento.” Memórias de ontem, 1991.
“Ninguém deveria esperar perfeição quando se está apenas começando.” O sussurro do coração, 1995.
“Eu não estou sendo rebelde. Estou indo atrás de meus sonhos.” O sussurro do coração, 1995.
“Tu não podes mudar o teu destino. Ainda assim, pode escolher levantar-se e enfrentá-lo.” Princesa Mononoke, 1997.
“Liberdade completa para fazer tudo o que se quiser fazer. Mas quando a temos... o que fazer? Eu não saberia...” Meus vizinhos, os Yamada, 1999.
“A honestidade é sempre o melhor. Não esqueça.” Meus vizinhos, os Yamada, 1999.
“Esse nó no cabelo irá protegê-la. É feito dos fios que suas amigas e amigos trançaram.” A viagem de Chihiro, 2001.
“Sempre que alguém cria uma coisa em que empenha todo o seu coração, essa coisa criada recebe uma alma.” O reino dos gatos, 2002.
“Bem, uma das coisas boas de se envelhecer é que nada nos amedronta.” O castelo animado, 2004.
“Ninguém e nenhuma coisa neste mundo vive para sempre. Mas somente a nós é dado saber que iremos morrer. E isso é um bem precioso. Essa vida, que é o nosso tormento e o nosso tesouro, não perdura. É como uma onda no mar. Tu forçarias o mar a cessar seu movimento para salvar uma onda? Para salvar a ti mesmo?” Contos de terramar, 2006.
“Tu não podes te mover em direção ao futuro sem que, primeiro, conheça o passado. Destrua tudo o que é antigo, e estará desonrando todos aqueles/as que viveram e morreram antes de nós.” Da colina Kokuriko, 2011.
“Não é engraçado como grandes ideias parecem vir nos momentos em que mais se precisa delas?” Aya e a bruxa, 2020.