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Transformando espaços urbanos com o grafite

Com quase uma década de experiência, o casal 'Best Duo' leva a arte a um novo patamar, criando uma conexão com a comunidade e reflexão sobre questões sociais

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Transformando espaços urbanos com o grafite
Por Gabriela de Freitas
Foto Gabriela de Freitas

O grafite, considerado arte urbana, tem ganhado popularidade, um exemplo em Erechim é o mural produzido no Parque do Arvoredo pelo casal de grafiteiros Guilherme Augusto Rossi Garcia e Karina Rocha de Oliveira Garcia. Expressando sua arte com spray e tinta, juntos formaram o "Best Duo”.

Início da jornada no Grafite

A história de Guilherme e Karina com o grafite começa com uma paixão pela arte que foi crescendo com o tempo. Para Guilherme, o grafite surgiu de maneira orgânica, ainda na escola, com os primeiros desenhos e logo após colocado em prática nas ruas. "A primeira oportunidade de pintar surgiu em 2009 e desde então as oportunidades foram surgindo", conta. Karina, por outro lado, demorou um pouco mais para mergulhar de vez na arte: "Eu comecei em 2017. Foram nove anos até levar o grafite mais a sério como profissão. A partir daí, começamos a ser remunerados e fizemos de tudo para aprimorar nosso trabalho."

Agora, com quase 10 anos de experiência, o casal já consegue encarar projetos de maior dimensão, tanto no segmento comercial quanto cultural. "Com o tempo, fomos evoluindo, estudando e praticando, e hoje conseguimos pegar trabalhos maiores", diz Karina.

O mural no Parque do Arvoredo, um dos mais recentes e maiores trabalhos do casal, é apenas um exemplo de sua arte que transforma espaços urbanos. Mas antes disso, a dupla já havia espalhado seu talento por diversos pontos de Erechim e em outras cidades. "Fizemos murais em lugares como o Hospital Santa Terezinha, espaços comerciais, além de cidades como Centenário, Tapejara, Getúlio Vargas e Passo Fundo", explicam.

O casal também se dedica a projetos comunitários, como o projeto de oficina de grafite para crianças no Bairro Progresso. "Estamos com um projeto da Aldir Blanc para realizar uma oficina de grafite com as crianças do bairro. O cronograma está quase pronto, e estamos ansiosos para começar", revela Guilherme.

O processo criativo e as técnicas de pintura

O grafite exige, acima de tudo, uma conexão com o local e a ideia que quer transmitir. A criação de cada mural começa com uma pesquisa cuidadosa e o planejamento do projeto. "Nós sempre criamos um projeto antes, tiramos uma foto do muro e criamos um desenho digital, pensando em todos os detalhes, como a quantidade de tinta e as cores", explica Karina. 

Para trabalhos maiores, como o mural do Parque do Arvoredo, a dupla fala sobre a importância de um fundo bem estruturado, que cria profundidade e destaca os elementos principais. Karina conta que a ideia do mural era trabalhar elementos da natureza, criando desenhos de animais que representam a fauna do Rio Grande do Sul, com um foco especial na região. "Cada elemento é tratado de uma forma única. Por exemplo, o lagarto tem uma pele escamosa, e a coruja, que tem penas, exige técnicas diferentes", detalha Guilherme.

Criação ao ar livre

Pintar murais em ambientes externos envolve suas particularidades, desde as condições climáticas até o esforço físico. "Trabalhar ao ar livre tem seus desafios, como o clima e o tempo de secagem. Não podemos pintar de manhã cedo devido à umidade da parede, e nem debaixo de sol forte, porque a tinta pode ser prejudicada", conta Guilherme.

Além disso, a arte no grafite exige habilidades além da técnica. "Pintamos em lugares altos, como o mural do dragão que fizemos tinha uns 13 metros de altura. Isso exige concentração e cuidado", explica ele, lembrando também de um trabalho feito em um pavilhão de soja a 30 metros de altura.

A influência e a evolução do estilo

Embora tenham influências, o foco de Guilherme e Karina está no desenvolvimento de um estilo próprio, com ênfase em letras e no estilo 3D. "O grafite exige um estilo único. Estamos estudando o estilo 3D, que é mais complexo e desafiador, mas muito interessante", compartilham.

A experiência de viajar para grandes centros urbanos como São Paulo e Curitiba também foi fundamental para o desenvolvimento das técnicas do casal. "Aprendemos várias coisas, como usar o papelão para fazer traços retos ou transferir tinta de uma lata para outra para criar cores diferentes", conta Karina.

O grafite, para o casal, vai além da simples expressão artística. É também uma forma de provocar reflexão social. "O grafite democratiza a arte. Ele está na rua, acessível a todos, e muitas vezes provoca reflexões sobre questões sociais e culturais", afirmam. Além disso, eles veem no grafite uma forma de transformar o ambiente e criar uma conexão com a comunidade. Ao longo de sua jornada, Guilherme e Karina não só consolidaram uma carreira como grafiteiros, mas também contribuíram para a valorização da arte de rua em Erechim e em outras cidades. Seus trabalhos são mais do que meras pinturas; são manifestações de pertencimento e identidade, que transformam espaços e provocam emoções no público.

"Sempre trabalhamos juntos, criando e desenvolvendo os projetos em conjunto. Isso acelera o processo e mantém a qualidade da pintura", concluem.

Em um mundo onde a arte muitas vezes é restrita a galerias e museus, o grafite é reconhecido por sua acessibilidade, impacto visual e, principalmente, por sua capacidade de transformar a cidade e a maneira como as pessoas enxergam o espaço público.

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