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Escassez de resíduos e problemas no sistema de coleta preocupam recicladores em Erechim

A Secretaria de Meio Ambiente tem adotado medidas para organizar a coleta, mas problemas como a variação sazonal e a separação incorreta do lixo persistem, dificultando o trabalho das associações

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Por Gabriela de Freitas
Foto Gabriela de Freitas

As associações de recicladores desempenham um papel importante na sociedade, realizando a triagem do lixo seco e destinando adequadamente esses materiais, evitando que sejam enviados aos aterros sanitários. Membros de entidades como a Associação Unidos Venceremos, Reviver, Reciclando Pela Vida, Filhos do Rei, Reciclando Pela Cidade Limpa e Nova Geração relataram na manhã de segunda-feira (31) dificuldades na chegada de materiais recicláveis.

Apesar dos catadores receberem um suporte financeiro mensal de R$ 700,00, R$ 182,00 de vale-alimentação e auxílio nas despesas de aluguel dos pavilhões pela Prefeitura de Erechim, a coleta dos materiais recicláveis é essencial para complementar a renda e isso gera preocupação para esses trabalhadores.

Escassez de resíduos

Membros de associações manifestaram que desde quinta-feira, 27 de março, enfrentam dificuldades devido à diminuição de resíduos recicláveis para triagem. A presidente da Associação de Catadores de Materiais Recicláveis Reviver, Catarina Tomaz, relatou o problema: “O material não chega, e quando chega, está misturado com o orgânico. Todos os pavilhões são compostos por famílias que dependem dessa coleta para sobreviver. Nós levamos essas questões sobre os lixos para a Secretaria de Meio Ambiente, e o Pessini nos repassou que as fiscalizações e autuações estão sendo feitas, mas a empresa responsável pela coleta não se agiliza em se adequar para cumprir o contrato”.

Dificuldades no aproveitamento dos materiais recebidos

Além da escassez, a triagem dos materiais está comprometida pela mistura de lixo seco com orgânico, dificultando o aproveitamento. Catarina explica: “O principal problema é a forma como a empresa está fazendo a coleta. Eles estão sem gari, e, embora o pessoal procure emprego, não são chamados. Por causa disso, a empresa leva meia carga de material para cada pavilhão e o restante é levado junto com o caminhão de orgânico para o aterro.”

Juliana Teresinha Rudenco, da Associação Unidos Venceremos, conta sobre as dificuldades diárias enfrentadas na triagem. “Na segunda-feira, o pavilhão fica vazio, recebemos o carregamento até o fim do dia e realizamos a triagem no dia seguinte. Hoje (segunda-feira, 31), a coleta começa a chegar, mas muitas vezes pela metade. O salário depende do que é recolhido e separado, e muitas vezes, fica abaixo do salário mínimo.”

Ações da Secretaria de Meio Ambiente para organizar a coleta

A secretária adjunta do meio ambiente, Carla Orso, explicou a estratégia para organizar a distribuição das cargas: “A distribuição das cargas das coletas seletivas é fracionada entre as oito associações, levando em consideração o número de pessoas e o tamanho de cada pavilhão. Na semana passada, houve uma quebra na equipe de coleta, o que gerou várias reclamações, inclusive sobre a falta de coleta. Para resolver essa situação, nos reunimos e começamos a fracionar as cargas conforme a demanda pendente. Apesar das campanhas educativas, o lixo continua chegando misturado, o que acaba molhando o material reciclável, tornando-o rejeito. Esse material não pode ser triado pelos recicladores e acaba sendo destinado ao aterro sanitário.”

Carla também falou que a separação inadequada do lixo é um problema persistente: “O grande problema não é só da empresa, mas também dos cidadãos, que não fazem a separação adequada do lixo. Estamos trabalhando para modernizar o sistema de coleta, mas isso ainda é um grande desafio, especialmente devido ao crescimento da cidade e à dificuldade de contratar mão de obra para a coleta.”

A variação sazonal no volume de lixo também afeta a coleta e triagem. Carla explicou: “No inverno, tanto o lixo seco quanto o orgânico diminuem, mas em períodos como o verão, o volume aumenta, principalmente devido ao consumo de líquidos e frutas. Embora a coleta possa ter alguns atrasos, o serviço continua funcionando, e as associações não ficam desassistidas.”

Monitoramento das cargas e acompanhamento das associações

Conforme as informações da secretária adjunta, Carla Orso, o acompanhamento contínuo das autoridades visa garantir que os recicladores recebam os materiais necessários e que o sistema de triagem de resíduos siga funcionando de maneira eficiente e sustentável. “As associações devem registrar qualquer falta de material na folha de ponto, e as justificativas para o fechamento do pavilhão precisam ser documentadas. Temos um monitoramento constante para garantir que os recicladores não sejam prejudicados e que todos recebam o auxílio de forma justa. Temos regras claras para garantir que o trabalho nas associações aconteça da melhor forma possível. Se uma associação não tem material para triagem, mas tem rejeito acumulado, ela não pode alegar falta de trabalho. Tentamos resolver as questões de forma justa, garantindo que as associações recebam as cargas necessárias para o sustento de todos os trabalhadores.”

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