Sem água não há vida, desenvolvimento econômico e social. Neste dia 22 de março é celebrado o Dia Mundial da Água, recurso fundamental para a manutenção de todas as formas de vida no planeta e o desenvolvimento sustentável das sociedades humanas. A redação do Jornal Bom Dia conversou com autoridades, especialistas, para ampliar a discussão e conscientizar as pessoas sobre este recurso natural essencial à vida.
Conselho Municipal de Proteção ao Meio Ambiente
Segundo a presidente do Conselho Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (COMPAM), Sônia Balvedi Zakrzevski, no dia 22 de março de 1992, a Organização das Nações Unidas (ONU), criou o Dia Mundial da Água, para fazer um apelo a comunidade internacional, para colocar em pauta questões essenciais que envolvem os recursos hídricos. No ano de 2025, a campanha da ONU para o Dia Mundial da Água, tem como tema central a preservação dos glaciares, essenciais para a regulação do ciclo da água, o equilíbrio climático e o abastecimento de bilhões de pessoas. O derretimento acelerado das geleiras, impulsionado pelas mudanças climáticas, tem causado impactos severos como o aumento do nível do mar, escassez de água potável e desastres naturais, afetando bilhões de pessoas em vários continentes.
No Brasil, incluindo o estado do RS, sentimos o agravamento da crise hídrica em função dos eventos climáticos extremos, intensificados e agravados pela mudança climática. As enxurradas, inundações, enchentes, alagamentos, deslizamentos e também as secas tem causado impactos significativos no meio ambiente e na sociedade, afetando a saúde humana de várias formas, incluindo a segurança hídrica e alimentar.
“Precisamos melhorar a gestão da água e, para isso, tratar sobre questões como abastecimento de água e saneamento, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, segurança alimentar e energética, indústria, redução de riscos de desastres e proteção de ecossistemas. Por isso, são essenciais políticas públicas que coloquem a água no centro dos planos de ação, para desenvolver resiliência, proteger a saúde e salvar vidas”.
Sônia ressalta que a gestão sustentável da água deve ser pensada pelos governos e também pela sociedade. “Todos temos um papel a desempenhar, sendo que ações nos níveis individual e familiar também são de extrema importância”.
Universidade Federal da Fronteira Sul
O professor associado do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) - Campus Erechim, Roberto Valmir da Silva, afirma que o Dia Mundial da Água é uma data para reflexão, conscientização e sensibilização sobre este recurso. “No ano de 2024, o Rio Grande do Sul enfrentou intensas inundações, que causaram profundos impactos em diversas localidades. Em 2025, partes do Estado enfrentam uma severa estiagem que afeta significativamente a agricultura e a economia local”.
“Diante te tal cenário, fica evidente a necessidade urgente de integrar esforços entre governos, iniciativa privada e sociedade civil, especialmente, na implementação de tecnologias inovadoras e estratégias de gestão inteligente da água. Hoje, a deficiência em enfrentar eventos climáticos extremos destaca a importância de medidas que protejam comunidades e garantam o uso sustentável dos recursos hídricos”.
Conforme Roberto, em 2025, o Dia Mundial da Água deve ser encarado, não apenas como uma data comemorativa e divulgação do que todos já sabem: água é vital. “A data deve ser usada como um alerta permanente sobre os eventos de inundações e secas que impactaram e continuam afetando o Estado. Esta ocasião reforça a urgência de intensificar ações e políticas que promovam a sustentabilidade e resiliência, assegurando que a água, recurso vital, seja preservada com a quantidade e qualidade necessárias para garantir um futuro melhor para todos”, enfatiza o professor.
URI Erechim
O professor da URI, Vanderlei Decian, ressalta que o Dia Mundial da água é um dia para refletir. “A água é um recurso natural de suma importância para o funcionamento do planeta, para as funções ecológicas, para a biodiversidade, sendo fundamental para a vida. Originalmente, no sistema terrestre, incluindo a atmosfera, a crosta terrestre e os oceanos, apresentam um equilíbrio quantitativo de água, com disponibilidade hídrica em funções de condicionantes climáticas, de circulação atmosférica, fatores de infiltração e escoamento e das características do ciclo hidrológico local”, observa ele.
“Entretanto, nos últimos anos, podem-se observar anormalidades quanto às características regionais e locais, anomalias em termos de ciclo hidrológico e condições climáticas. Ou seja, muita chuva, ou falta de chuva em locais onde normalmente havia um padrão conhecido e cíclico dos eventos climáticos”, afirma.
A região do Alto Uruguai Gaúcho vem presenciando estas anomalias climáticas que influenciam no ciclo da água, acarretando estiagens frequentes e mesmo excesso de chuvas em um mesmo ano. “O que vivenciamos são eventos extremos de chuvas, com precipitações concentradas em alguns municípios ou mesmo em partes de um município e ausência de chuvas em outros locais a nível regional”, destaca.
“Se avaliarmos, em 2024, a região passou por eventos extremos com chuvas torrenciais que causaram danos no meio rural e alagamentos em cidades, como Barra do Rio Azul, Barão de Cotegipe, Três Arroios e Ponte Preta. Os impactos de uma enchente ou mesmo de uma estiagem são sentidos pela população, que tem suas terras lixiviadas e que causam perda de solo e fertilidade, bem como perda de bens materiais em casos de enchentes e alagamentos. Da mesma forma, passamos por momentos de estiagem em que há perda econômica na agricultura e pecuária pela baixa produção devido à falta de chuvas”, comenta Decian.
Ele ressalta que há, cada vez mais, necessidade de se pensar em alternativas de resiliência para o enfrentamento destas mudanças climáticas que afetam, em especial, o ciclo da água, sendo necessário novas alternativas na produção agropecuária, com armazenamento de água, irrigação e outras formas de minimizar os impactos negativos. “No meio urbano há de se pensar, em especial, em áreas que a água pode causar enchentes e inundações em novas alternativas locacionais para obras e loteamentos, estudando os rios e evitando obras em locais de risco”, afirma.
Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica dos Rios Apuaê-Inhandava
O presidente do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica dos Rios Apuaê-Inhandava, Nilton Cipriano Dutra de Souza, afirma que a sobrevivência do ser humano depende da água, assim como a produção de alimentos, geração de emprego e energia e que o equilíbrio dos ecossistemas depende da água.
“E aí quando se fala em má gestão dos recursos hídricos, entra o papel fundamental dos Comitês de Bacia, na nossa região temos o Comitê de Gerenciamento de Bacia Hidrográfica dos Rios Apuaê-Inhandava, que envolve mais de 50 municípios e são quase 15 mil quilômetros quadrados de território nesta bacia”, comenta ele.
De acordo com Nilton, o dia 22 é uma data que precisa de muita reflexão, por toda a sociedade e todos os habitantes do planeta. “Porque nós teremos problemas de abastecimento, nós teremos problemas para uso, para produção de alimentos. Não temos nada a comemorar em função de todos estes problemas que o planeta vem sofrendo, principalmente, as mudanças climáticas. A água é fator fundamental.
Mundo
“Reunidos em Lisboa, em janeiro de 2025, o Fórum Econômico Mundial (WEF), publicou o Relatório de Riscos Globais compilando o ranking dos 10 maiores riscos contemporâneos para a humanidade. Dentre eles, dois estão no grupo dos riscos ambientais. Um deles, versa sobre as mudanças críticas no Sistema Terra, grandes alterações nas paisagens, nos geossistemas que redundarão e uma cadeia de consequências socioambientais a médio prazo”, comenta o professor adjunto da UFFS Erechim, João Paulo Peres Bezerra.
“Neste portifólio de riscos ambientais, chama a atenção o derretimento acelerado dos glaciares, causado pelo aquecimento do planeta nas últimas décadas. Presentes nas grandes cadeias montanhosas, na Groenlândia, na região da Patagônia, no Ártico e na Antártida. Estas regiões armazenam mais de 60% da água doce planetária e seu derretimento afetará o equilíbrio climático e causará mudanças nas dinâmicas e nos níveis das marés”, observa João.
“Imaginem o a complexidade deste desafio para o mundo contemporâneo, haja vista concentração demográfica em cidades costeiras, logística dos mercados transnacionais e a dependência econômica dos ritmos climáticos, especialmente, para o agronegócio brasileiro. Cientes da importância destes geossistemas (os glaciares), a Organização das Nações Unidas elegeu para o Dia Mundial da Água de 2025, o tema ‘Salvem Nossos Glaciares’. Aproveite o Dia Mundial da Água para refletir, pois se acaso tudo virar ouro o que será de nós que somos água”, questiona o professor.