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Expressão Plural

O pouco, o tudo e o que faz o torcedor

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Por Everton Ruchel
Foto Arquivo Pessoal

Os últimos dias foram bastante movimentados para mim. Principalmente por conta do meu aniversário de 31 anos, em 18 de março. Mas também devido à final do Campeonato Gaúcho, no dia 16. Para qualquer torcedor no Rio Grande do Sul, é um momento de atenção, sobretudo quando é seu time que vence.

Não foi o meu caso dessa vez. Pelo primeiro ano nos últimos oito, vi meu time sair derrotado da decisão. Fazer o quê, perder faz parte do esporte e da vida de qualquer amante do futebol. Foi uma situação que eu já não estava mais habituado a conviver, e escrevo sem fazer nenhuma corneta, antes que imaginem. A questão é que tudo isso me leva a pensar na montanha-russa de emoções que é ser torcedor.

Voltei no tempo com esse pensamento. Me tornei gremista definitivamente em 2001. Tenho lembranças de 1999, quando Ronaldinho humilhou Dunga e o Grêmio foi campeão estadual, mas ainda não entendia o que era o futebol. Tudo mudou no Campeonato Gaúcho e na Copa do Brasil dois anos depois, quando vi o Grêmio vencer pela televisão e decidi que seria tricolor. Tinha sete anos na época.

Sim, escolhi ser gremista no ano zero de uma era de vacas magras. De 2002 a 2015, vivi pouquíssimas conquistas com meu time. Fiquei da segunda série do ensino fundamental até o último semestre da faculdade sem ter muitos motivos de orgulho com o futebol. Tirando os lampejos dos estaduais de 2006, 2007 e 2010, e da Série B de 2005, as coisas se resumiam aos quases e aos tropeços do Internacional. Mas o pior era ter que ver o lado vermelho vencer a maioria de seus títulos importantes exatamente ao mesmo tempo. E aguentar praticamente calado as cornetas. Eu e muitos outros estávamos por baixo.

Naqueles tempos, os três estaduais valeram muita coisa para mim. Até que chegou 2016. Foi de lavar a alma assistir o Grêmio voltar a vencer a Copa do Brasil e quatro dias depois ver o Inter ser rebaixado no Campeonato Brasileiro. Foi uma libertação. Depois veio a Libertadores de 2017 e os sete Gaúchos entre 2018 e 2024, que, mesmo sem o mesmo peso comemorativo daqueles títulos isolados na década retrasada (ao menos para mim), serviram para impor um grande jejum ao Inter. De repente, era eu quem estava por cima, mesmo com o rebaixamento de 2021 nesse meio tempo. A época foi boa, pois foi a primeira vez na vida que estive em posição de fazer corneta com o rival.

O torcedor de futebol é isso: torce para seu time vencer, seca para seu rival perder, corneta quando é campeão, fica quieto quando não é. E aprende que a gangorra só funciona quando um lado está no alto e outro está por baixo. O estadual de 2025 representou para os colorados a mesma coisa que os de 2006, 2007 e 2010 representaram para os gremistas, comigo em particular. É o pouco que se tornou tudo. Assim como aconteceu em 1977 para o lado azul, e em 1969 e 1997 para o lado vermelho. Os pontos de esperança para que a chave, ou a gangorra, vire de vez. Teve vezes que virou, teve vezes que não, mas não posso explicar todas essas histórias aqui porque o espaço já está quase no fim.

Como dizem por aí, o futebol é a coisa mais importante entre as menos importantes. Mas é um bom espelho para o mundo em geral. O pouco poder se tornar tudo também é uma regra da vida. E cada um sabe o que basta para si, tanto como torcedor quanto como pessoa.

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