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Desafiando os estereótipos nas profissões

Mulheres estão transformando realidades e mostrando que o sucesso não depende do gênero, mas da dedicação e competência

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Ivone Lombardi trabalha como auxiliar de serviços gerais há 22 anos no Cemitério Pio XII, em Erechim
Completando 4 anos de trabalho como motorista de transporte escolar, Angélica, adora o que faz, prop
Há cinco anos, a convite de seu esposo, Luciano, Silvane começou a trabalhar como taxista para ajudá
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Elisandra Javornik trabalha há 8 anos atua como auxiliar de manutenção na Diretoria de Obras Escolar
Por Gabriela de Freitas; Marina Oliveira
Foto Arquivo Pessoal; Gabriela de Freitas

O 8 de março, comemorado como o Dia Internacional da Mulher, celebra a luta de muitas mulheres que, no passado, buscavam seu espaço na sociedade e a igualdade de direitos, como o acesso ao mercado de trabalho, o direito de votar, estudar, ter independência financeira e a ampliação das políticas públicas voltadas para o combate à violência de gênero. No entanto, ainda há muito a ser conquistado para que todas as mulheres possam, de fato, usufruir de seus direitos e ocupar mais espaços. Ao analisarmos a linha do tempo das conquistas femininas, podemos perceber que essas possibilidades são recentes, e o caminho ainda é longo.

Trabalhadoras mulheres

Ao longo da história, diversas profissões foram vistas como "coisas de homem", mas cada vez mais mulheres têm mostrado que competência e capacidade não têm gênero. Em Erechim, várias profissionais têm ocupado espaços antes dominados por homens, enfrentando desafios e conquistando respeito no dia a dia.

Silvane Honse Alves (Taxista)

Há cinco anos, a convite de seu esposo, Luciano, Silvane começou a trabalhar como taxista para ajudá-lo com a demanda crescente. "Além da vontade de ajudar meu esposo, eu sempre fui apaixonada por dirigir, conhecer novas pessoas, lugares e, claro, prestar serviços", conta Silvane.

Inicialmente, ela auxiliava Luciano, mas logo conquistou sua autonomia e passou a atender seus próprios clientes em um ponto de táxi localizado na Av. Maurício Cardoso, perto da Catedral. "Por ser uma profissão predominantemente ocupada por homens, acredito que consegui conquistar meu espaço no setor de táxis por diversos fatores, como meu bom humor, a qualidade no atendimento, atenção, responsabilidade, pontualidade e, acima de tudo, respeito pelos meus clientes."

Andressa Miranda de Araujo (Soldadora)

Andressa trabalha como soldadora há um ano e enfrentou inseguranças iniciais devido à predominância masculina na área, ela foi a única mulher na turma de seu curso.

"Já vi muita cara de espanto quando perguntam com o que trabalho e respondo que sou soldadora. Também já ouvi frases como ‘mulher tem que trabalhar no mais leve’ e ‘a solda não é para mulher’. Sabe aquela frase que diz ‘não precisamos provar nada para ninguém’? Pois é, no caso de uma mulher que trabalha em áreas onde supostamente seria para homens, todos os dias temos que provar que somos capazes", revela Andressa.

Inspirada por mulheres fortes em sua vida, como sua mãe, avó, irmãs e esposa, Andressa nunca desistiu, apesar das dificuldades. Hoje, ela é soldadora em uma grande empresa e é grata pela oportunidade e reconhecimento que recebe. "Se pudesse deixar um recado para todas as mulheres que estão lendo, seria: nunca desistam dos seus sonhos e objetivos. Por mais que algumas pessoas tentem te desanimar, você sempre deve saber do seu valor e do seu potencial."

Angélica Saugo (Transporte Escolar)

Completando 4 anos de trabalho como motorista de transporte escolar, Angélica, carinhosamente chamada de "tia do micro", adora o que faz, proporcionando diversão e cuidado para as crianças, ao mesmo tempo em que recebe carinho e reconhecimento dos pequenos e suas famílias. "Eu trabalho e me divirto ao mesmo tempo; cantamos, dançamos e fazemos coisas diferentes. Sou uma mulher realizada profissionalmente e sempre que posso, incentivo outras a fazerem o mesmo", acrescenta Angélica.

A motorista salienta que, por ser mulher, ela consegue criar uma relação de confiança com as mães, transmitindo segurança ao confiar seus filhos. Ela se sente grata por ser parte desse trabalho e constantemente incentiva outras mulheres a seguirem o mesmo caminho. "A cada florzinha, cada cartinha recebida, me deixa muito feliz e disposta a ser cada dia melhor".

Ivone Lombardi (Auxiliar de serviços gerais)

Ivone Lombardi, de 55 anos, trabalha no Cemitério Municipal Pio XII há 22 anos. Ela começou em 2002 e, desde então, tem se dedicado a um trabalho pouco comum para as mulheres. No início, fazia faxina e queria fazer concurso para a prefeitura, passou no processo seletivo e hoje trabalha como auxiliar de serviços gerais no local.

"A gente vem da roça, então o trabalho não estranha tanto", diz ela, referindo-se ao tipo de serviço que realiza, que envolve carregar caixões, ajudar os pedreiros e fazer a limpeza do local. Ivone diz se orgulhar de ser uma guerreira e recebe reconhecimento por sua força e dedicação. "Todo o trabalho exige esforço, mas é assim que garantimos a nossa sobrevivência. Assim como aprendemos, também ensinamos", afirma ela.

Elisandra Javornik (Auxiliar de manutenção)

“Lugar de mulher é onde ela quiser estar”, afirma Elisandra Javornik, que há 8 anos atua como auxiliar de manutenção na Diretoria de Obras Escolares da Secretaria Municipal de Educação.

Elisandra teve a oportunidade de aprender sobre manutenções após uma troca de setor. Inicialmente, enfrentou comentários misóginos, como questionamentos sobre sua presença em uma equipe predominantemente masculina, que realizava um trabalho pesado e sujo. No entanto, ela não se deixou abalar. “Basta ter força de vontade que tudo é possível, driblar o preconceito, erguer a cabeça e mostrar que somos capazes, sim, de realizar muitas tarefas”, reforça.

Com o tempo, o ambiente se tornou mais acolhedor. Elisandra se desenvolveu profissionalmente, aprendeu e trocou experiências com seus colegas.

Elas podem ser o que quiserem!

A presença feminina nessas profissões não é apenas uma questão de escolha individual, mas um passo importante para a igualdade de oportunidades. Quanto mais mulheres ocupam esses espaços, mais natural se torna vê-las nessas funções, incentivando outras a seguirem seus sonhos sem medo de julgamentos.

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