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Plano de Mobilidade Urbana de Erechim vai sair do papel?

Estudo foi entregue em 2023. Primeira ação concreta foi criar o Conselho Municipal de Mobilidade Humana Sustentável de Erechim. A redação do Bom Dia conversou com o secretário, Jackson Arpini responsável pelo assunto, para saber o que vem pela frente

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Secretário Jackson Arpini
Plano de ação e investimentos
Por Igor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

O Plano de Mobilidade Urbana Sustentável de Erechim, iniciativa da Prefeitura de Erechim, já foi elencado como prioridade da atual gestão 2025-2028. E tendo isso como premissa e de que este projeto está ligado ao bem comum, o Jornal Bom Dia está acompanhando a sua evolução na prática.

A aplicação dele envolve recursos públicos, vontade política, mas também questões culturais e comportamentais da população, e, por isto, é um tema complexo, contudo, necessário para que o espaço público seja, conforme o estudo, cada vez mais, meio de integração, inclusão, bem-estar das pessoas e humanização da cidade. A questão que fica é se ele vai ser colocado em prática? 

Planejamento, Mobilidade Urbana e Segurança Pública

A redação do Jornal Bom Dia procurou o secretário de Planejamento, Mobilidade Urbana e Segurança Pública, Jackson Arpini, para falar do assunto. “Mobilidade Urbana é um tema atual que vem afligindo médias e grandes cidades, em virtude de uma série de fatores que tem reflexos diretos, como ir e vir das pessoas, no cotidiano da cidade”, afirma.

Ele comenta que esta situação não é exclusividade da cidade de Erechim, que vem enfrentando problemas, em momentos e situações pontuais. “Para tanto, a municipalidade solicitou um estudo técnico para verificar a possibilidade de intervenções estratégicas para minimizar os entraves”, comenta.

Conferência

“Nesta direção, foi constituído, ainda em 2023, um Conselho Municipal de Mobilidade Urbana Sustentável, através do Decreto nº 5.640, com representantes do Poder Executivo e da sociedade civil. Também foi aprovado, por meio da Lei nº 7.262/23, o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, que versa sobre esta matéria, e precisamos realizar, até a metade do ano, a Conferência Municipal de Mobilidade Urbana”, explica o secretário.

Frota

Segundo o secretário de Planejamento, o estudo técnico sinalizou que há necessidade de intervenções para melhorar a trafegabilidade nos pontos de estrangulamento. “Importante destacar que o tema mobilidade urbana tem relação direta com o dinamismo da cidade, envolvendo vários setores, como educação, saúde, comércio, segurança, enfim, com o dia a dia das pessoas. Segundo dados do IBGE, o município de Erechim está na 17 posição do ranking, de 497 municípios, com 94.095 mil veículos (2024), sendo que, em 2006, este indicador era de 39.315 veículos. A população atual é de 105.705 (2022) e a estimada de 2024 é de 109.497”, observa ele.

Escolas

Jackson Arpini afirma que a cidade vem crescendo e se destacando como uma das maiores economias do Estado, o que traz, também, no seu encalço alguns indicadores que carecem de atenção. “Nossas escolas estão localizadas na área central do município e sua grande maioria de educação infantil, no qual os pais levam e buscam seus filhos ou o deslocamento é realizado por serviços especializados. O nosso traçado histórico conduz as avenidas e ruas para um ponto central, que faz da cidade referência geográfica, mas, ao mesmo tempo, com o passar dos anos, está trazendo obstáculos à fluidez do trânsito”, explica.

Ações 

“Algumas ações serão adotadas a curto prazo, como, por exemplo, a atualização e ampliação da composição do conselho, na ótica de universalizar o debate pelos seus reflexos diretos na sociedade. A realização da conferência municipal. Semáforos inteligentes e controladores de velocidade. Intervenções nos locais identificados como pontos críticos, com melhora do gerenciamento da mobilidade. Fiscalização nos espaços escolares, em observância às regras vigentes, entre outros”, relaciona o secretário.

Conforme Jackson Arpini, o Plano contempla 10 diretrizes, sendo segurança e circulação viária; gestão democrática; acessibilidade universal, PCD e inclusão; ciclo ativos e transporte não motorizado; transporte público, coletivo e outros; integração dos modos públicos e privados; polos geradores de viagem e transporte de cargas; áreas e horários de acesso e circulação restrita e controlada, estacionamentos; instrumentos de financiamento do transporte coletivo e da infraestrutura; e inovação.

Ele observa que as ações propostas pelo estudo são de curto, médio e longo prazo, mediante, é claro, ampla discussão com a sociedade, envolvendo intervenções simples a situações mais complexas.

“O tema é complexo e necessita de análises técnicas para que possa apresentar resultados positivos, bem como necessita envolver a sociedade, considerando o fator cultural quando mencionamos mobilidade urbana. A cidade cresceu, as pessoas adquiriram seus veículos e motocicletas, as escolas são centrais, somos uma cidade polo e os tempos são outros, por esta razão é inevitável que tenhamos desafios postos e que necessitam de intervenções”, conclui o secretário.

Mais informações sobre o plano

O plano foi elaborado pela empresa GO Soluções em Projetos e entregue para a prefeitura em 2023. A sua realização também faz parte da adequação à lei federal 12.587/2012 o que possibilita buscar recursos federais para investimentos no município.

A primeira ação concreta do Plano de Mobilidade foi criar o Conselho Municipal de Mobilidade Humana Sustentável de Erechim, responsável por fiscalizar e colocar o projeto em prática, tendo em vista sempre o planejamento financeiro da prefeitura.

O Plano foi construído ouvindo a comunidade e contou com a participação de mais de dois mil erechinenses, a empresa trabalhou as questões técnicas e legais, as expectativas e necessidades das pessoas, por meio de entrevistas, pesquisas e audiências públicas.

Princípios

O Plano de Mobilidade Urbana tem como princípios descentralização do trânsito, disciplinar a circulação de veículos minimizando os conflitos existentes; democratizar o espaço público; promover sistemas viários completos com circulação de diferentes modais em segurança; priorizar o pedestre, hierarquizar o espaço disponível priorizando os modais não motorizados.

Além disso, a proposta do plano é aumentar os espaços de convivência, ampliar os espaços de lazer e convivência; valorizar o comércio e prestação de serviços, investir nos espaços públicos em frente aos estabelecimentos; organizar o trânsito, equilibrar os modais democratizando o espaço para todos; resgatar a identidade local, estimular a cultura e trazer vitalidade aos espaços públicos. Todas estas informações estão disponíveis no site da prefeitura.

Diretrizes

As 10 diretrizes do plano foram construídas com base em problemas apontados pela comunidade. No total, são 94 ações dentro das 10 diretrizes que serão trabalhadas no curto, médio e longo prazo e custo total estimado em mais de R$ 96 milhões. 

 

 

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