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Expressão Plural

Antes que me esqueçam

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Everton Ruchel.jpeg
Por Everton Ruchel
Foto Arquivo Pessoal

É engraçado como, às vezes, a memória parece ser o único bem que temos, e, ao mesmo tempo, o mais frágil. Acontece que sempre vai chegar o dia em que, inevitavelmente, seremos esquecidos de vez. É um pensamento estranho, eu sei, mas ele vem silencioso, nos momentos mais impensáveis, como quando olhamos pela janela em um domingo de tarde, ou quando estamos lavando a louça e o cérebro, cansado da rotina, começa a vaguear.

Antes que me esqueçam, é preciso dizer algo. Preciso deixar algumas palavras penduradas no ar, com uma assinatura invisível, para que alguém, em algum momento, lembre-se de que estive aqui. Não é vaidade, nem egoísmo, querer ser eterno ou sequer marcar presença de forma grandiosa. É só uma vontade simples de não desaparecer de repente, como quem vai se perder na névoa do tempo sem deixar vestígios.

Sempre me pego pensando nas coisas que marcam a nossa passagem: cheiros, sabores, sons, toques e olhares. Coisas que, ao longo da vida, tentamos guardar em potes invisíveis, para que, mais tarde, quando o tempo começar a apagar o restante, ainda possamos ter uma lembrança clara de quem fomos e do que fizemos.

Antes que me esqueçam, quero deixar dito algumas coisas. Não necessariamente grandes frases, nem palavras que ecoem nas gerações futuras. Talvez eu só precise dizer o que não disse, o que ficou preso no fundo da garganta, por medo de ser mal interpretado ou por vergonha. As palavras que não saem, aquelas que estão sempre à beira da língua, esperando um momento adequado que nunca chega. Ou quem sabe, só a vontade de dizer "obrigado", ou "desculpe", ou até mesmo, "não era nada pessoal". Algo simples, mas que, quando não dito, fica como uma nuvem que nunca se dissipa.

Também espero ser lembrado pelas gentilezas. Não pelos feitos grandiosos ou pelo heroísmo, mas pelos risos compartilhados, pelos gestos que talvez nem tenham sido percebidos, mas que significaram algo para alguém. Os abraços nos momentos difíceis, a água oferecida sem ser pedida, o olhar de compreensão quando as palavras não servem tanto. Porque, no fim das contas, são esses pequenos movimentos que podem verdadeiramente aquecer o coração de quem permanece.

O medo de ser esquecido é, no fundo, o medo da irrelevância. O medo de que, após a última página virar, o nome, as palavras e os gestos se percam na poeira de algo que já não existe mais. Enfim, pode ser que o segredo para não ser esquecido seja justamente esse: não viver com a obsessão de ser lembrado, mas com a certeza de que, enquanto estivemos presentes, fizemos diferença, de algum modo.

E, antes que me esqueçam, quero deixar isso claro: é um prazer e uma honra estar aqui, tentando ser alguém que faz a diferença, mesmo que por breves momentos. Talvez, um dia, alguém ainda se lembrará disso. Ou talvez, apenas as pequenas coisas permanecerão. Mas isso já será o suficiente.

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