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Extinção de animais silvestres em Erechim

A necessidade de conscientização e ação coletiva para evitar o desaparecimento de espécies e garantir a preservação do equilíbrio ecológico no município e suas redondezas

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Entre as aves ameaçadas, destacam-se o pica-pau-da-cara-amarela, o coleirinho e o azulão, frequente
Por Gabriela de Freitas
Foto Caio Bagnolo

O Dia Mundial da Vida Selvagem, celebrado em 3 de março, marca o aniversário da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção), assinada em 1973. A data destaca a contribuição da CITES para a sustentabilidade, a conservação da biodiversidade e sua colaboração com organizações e convenções da ONU, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e o Quadro Global de Biodiversidade Pós-2020.

O que caracteriza uma espécie ameaçada?

Antes de discutir as espécies ameaçadas em Erechim, é fundamental entender o que caracteriza uma espécie ameaçada. Segundo o Professor Daniel Galiano, Biólogo, Coordenador do curso de Ciências Biológicas e Professor de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia Ambiental da UFFS Campus Erechim, uma espécie é considerada ameaçada de extinção quando está sofrendo impactos que tornam suas populações inviáveis a longo prazo. “Esses impactos podem incluir perda de habitat, mudanças climáticas e escassez de alimentos. Muitas espécies de anfíbios, como sapos e rãs, são impactadas pelas mudanças climáticas, além da poluição ambiental, especialmente em razão do uso inadequado de agrotóxico”, explica.

Extinção local versus extinção global

Galiano explica que há casos de extinção local, onde espécies desaparecem de uma área, mas ainda existem em outras regiões. Animais como o cateto, a queixada, a onça e a anta, que não estão mais presentes em Erechim, ainda existem em outras partes da América do Sul. Portanto, é importante distinguir entre extinção local e global.

Fatores que levam à extinção

Os principais fatores que contribuem para a extinção das espécies, segundo Galiano, são:

  • Perda de habitat: A destruição de habitats naturais é uma das maiores causas de extinção.
  • Mudanças climáticas: Alterações no clima afetam a distribuição e sobrevivência das espécies.
  • Escassez ou redução de recursos: são subsídios que uma espécie precisa para sobreviver, como alimentos, abrigo e locais para reprodução que podem desaparecer devido à degradação do ambiente.

Como os cientistas identificam espécies ameaçadas?

De acordo com Galiano, existem "listas vermelhas" compiladas por cientistas que categorizam as espécies com base no grau de ameaça. A IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) é uma referência mundial, e no Brasil, o ICMBio atualiza a lista de espécies ameaçadas. Em 2022, mais de 1.250 espécies foram categorizadas como ameaçadas. A lista de espécies do Rio Grande do Sul foi atualizada pela última vez em 2014, com 280 espécies ameaçadas, e uma nova atualização está prevista para 2025.

Espécies em risco em Erechim

A região de Erechim, inserida no bioma Mata Atlântica, enfrenta sérios desafios de conservação. Entre as aves ameaçadas, destacam-se o pica-pau-da-cara-amarela, o coleirinho e o azulão, frequentemente capturados para o comércio ilegal. Entre os mamíferos, espécies como pacas, cutias, quatis, veados e gatos-do-mato enfrentam ameaças crescentes. Felinos como o gato-maracajá, a jaguatirica e a onça-parda também estão vulneráveis. O tamanduá-mirim é outra espécie com risco crescente de extinção local.

Espécies que sobrevivem no ambiente urbano

Algumas espécies se adaptam ao ambiente urbano, como lagartos teius, aves como os bem-te-vis e espécies invasoras como os pardais. No entanto, essa adaptação pode gerar novos desafios ecológicos, como a competição com espécies nativas e a disseminação de doenças. Além disso, há registros de encontros frequentes entre humanos e animais silvestres, como quatis e ouriços-cacheiros. Especialistas alertam para a importância de acionar órgãos ambientais para capturar e soltar esses animais em seu habitat natural.

Iniciativas de conservação e proteção da fauna

Diversas iniciativas para a conservação da fauna têm sido implementadas na região. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente realiza ações na Semana Municipal do Meio Ambiente e promove oficinas em escolas e comunidades. A educação ambiental é fundamental para sensibilizar a população sobre a importância da preservação.

O PSA (Programa de Pagamento por Serviços Ambientais) visa incentivar os produtores a preservarem áreas naturais, oferecendo compensação financeira para a manutenção de vegetação nativa e nascentes, ajudando na conservação da fauna e recursos hídricos. Universidades como a UFFS também desenvolvem projetos voltados para a agroecologia e a conservação ambiental, promovendo a convivência entre a fauna e os pequenos produtores.

O que a população pode fazer para ajudar

A população tem um papel fundamental na conservação, começando por conhecer a fauna local e denunciar crimes ambientais como a captura ilegal de animais e desmatamento. Além disso, evitar o comércio de animais silvestres e agir como fiscal da fauna são atitudes importantes. Gambás e lagartos, por exemplo, frequentemente sofrem maus-tratos em áreas urbanas por medo ou desconhecimento, mas devem ser encaminhados aos órgãos responsáveis para liberação no habitat natural. O gambá, embora estigmatizado, é útil no controle de pragas urbanas.

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