Todas as profissões têm as suas próprias características e peculiaridades que as distinguem umas das outras. Independente de todos os avanços tecnológicos incorporados aos trabalhos, algumas atividades exigem aquilo que é mais próprio do ser humano para sua realização: sensibilidade e capacidade de aprender permanentemente. Entre elas está o profissional que faz a revisão de textos, análise linguística, diagramação e projetos gráficos de livros e revistas, como a profissional, Claudia Servelin.
“Trabalho nesta área há 30 anos, porém, no início fazia digitação e formatação de trabalhos acadêmicos, de acordo com normas metodológicas, como a ABNT, Vancouver, APA e outras específicas de universidades e revistas”, afirma Cláudia Servelin.
A vocação
Ela conta que tudo começou quando percebeu que tinha vocação para trabalhar com textos. “Foi durante a fase em que apenas digitava e formatava metodologicamente os materiais manuscritos pelos clientes, passei a auxiliar, quem solicitava, a fazer correções e melhorias na redação, especialmente, em textos comerciais, alguns para se adequarem aos parâmetros exigidos por empresas certificadoras, por exemplo, certificação ISO”, comenta.
Para Claudia, esta profissão sempre fez sentido, desde o início. “Ver o trabalho finalizado, seguindo certos parâmetros que são determinados pelas normas metodológicas, imprescindíveis para muitos tipos de textos, quer sejam comerciais ou acadêmicos, faz diferença e traz satisfação”.
Características do trabalho
“Penso no meu trabalho como sendo parte integrante de quem eu sou. Afinal, não posso excluir o caráter social, pois por meio do meu trabalho fiz e conservo grandes amizades. Nestes 30 anos pude acompanhar a trajetória de clientes que estão comigo desde a primeira graduação e atualmente já cursaram até mesmo pós-doutorado, em alguns casos. Então penso que é algo que se permeia tanto na minha vida, quanto na deles”, observa Claudia.
Ela não tem ideia de quantos trabalhos já fez, não tem a contagem exata, mas entre revisões, formatações, diagramações, afirma que foram centenas. “Não vejo grandes dificuldades, já que gosto muito do que faço. Talvez a necessidade de atualização constante em relação às novas tecnologias utilizadas no meu dia a dia”, afirma Claudia.
O que não pode faltar
“Acredito que são diversos os atributos necessários, entre eles um bom conhecimento da Língua Portuguesa, gramática, ortografia, pontuação e estilo; atenção aos detalhes, procurando identificar possíveis erros e inconsistências no texto, adaptando a revisão ao tipo de material (acadêmico, literário, publicitário etc.); conhecimento de manuais de estilo, como ABNT, APA, entre outros; compreensão acerca de cada público-alvo, bem como da intenção do autor para sugerir melhorias sem alterar a essência do texto. Também considero importante a atualização contínua, estando atenta às mudanças linguísticas, novas regras e tendências editoriais”, comenta.
Importância da leitura
Segundo Cláudia, o livro impresso propicia contato físico com o papel, o cheiro do livro e a sensação de folhear as páginas cria uma experiência mais imersiva e prazerosa. “O diferencial talvez esteja justamente na valorização do objeto em si, pois os livros podem ser guardados como lembranças, presenteados e até passados de geração em geração, criando um valor sentimental único. Além disso, ao contrário dos digitais, livros físicos não precisam de bateria, internet ou compatibilidade com dispositivos, estando sempre prontos para serem lidos”, pondera a revisora.
Livro impresso e digital
“Acredito que já está acontecendo, uma espécie de hibridização, com a presença de ambos os formatos, tanto impresso, quanto digital. O livro físico terá sempre seu espaço, assim como o digital, que vem avançando rapidamente, conferindo acessibilidade e praticidade, permitindo que cada vez mais pessoas acessem conteúdos antes restritos a determinados círculos”.
Para Claudia, o futuro é a coexistência dos dois formatos e, ainda, com ampliação para materiais como hiperlinks, que levam a realidades aumentadas, em que o leitor passa a ser um observador ou até participante da história ou dos conhecimentos inseridos no livro. “Por que não? ”, questiona.
Como funciona
Conforme Claudia, o trabalho dela, basicamente, envolve a revisão textual e a formatação de acordo com normas específicas. “Para a fase de revisão são realizadas leituras minuciosas, mas não existe um segredo, o serviço envolve mesmo uma boa leitura e conhecimento de estruturas gramaticais e estilos, a fim de reformular o texto, quando necessário, sem alterar o teor. Para a formatação, geralmente utilizo editor de textos, bem como para o serviço de diagramação, em que utilizo programa específico”, explica.
Principal
O trabalho de revisão e formatação de texto é a principal atividade dela. “Mas posso dizer que a energia envolvida é a que, talvez, outras pessoas, destinem aos seus hobbies, pois a realizo com o maior gosto”, destaca Claudia.
Ela acredita que o aspecto mais difícil da sua profissão se deve aos prazos estreitos que, por vezes, precisa lidar. “Existem épocas nas quais o volume de serviço aumenta e o prazo nem sempre se estende, sendo que é necessário realizar em poucos dias, atividades que, normalmente, levariam semanas para serem realizadas. E tudo sem perder a qualidade”, enfatiza.
“Minha atividade carrega um simbolismo profundo”
De acordo com Claudia, o que mais chama atenção ao terminar um trabalho é a satisfação de ver ele pronto, atingindo os objetivos para os quais foi projetado e realizado. “Minha atividade carrega um simbolismo profundo, pois ocupa o lugar de guardiã da linguagem e da comunicação eficaz. A atuação é nos bastidores, garantindo que as ideias do autor sejam transmitidas com clareza, coerência e precisão. É necessário zelo, aprimoramento e respeito pela palavra escrita, assegurando que o texto atinja seu máximo potencial sem ruídos ou falhas”, finaliza.