Em 24 de fevereiro é celebrado o Dia da Conquista do Voto Feminino no Brasil, data que marca a luta das mulheres por igualdade política e social. No país em que 53% do eleitorado é feminino, conforme estatísticas do TSE Mulher coletadas entre os anos de 2018 e 2024, a participação política pode ser um recurso poderoso, senão o mais eficiente, para mudar o curso da história escrita e imposta às mulheres ao longo dos séculos.
A história diz quem são?
Ainda segundo os dados extraídos pelo TSE Mulher, 34% dos candidatos às eleições do período eram mulheres e 17% das candidaturas eleitas são femininas. Parece pouco, e é, mas já foi impossível.
O direito ao voto e à candidatura política foi garantido às mulheres há menos de um século atrás, por meio do Decreto nº 21.076, de 1932. Passados 93 anos desde a conquista, atualmente, no Brasil, o fato de que mais da metade das pessoas votantes corresponde a eleitoras indica que o futuro está, majoritariamente, nas mãos das mulheres.
Sistema frágil
Como resultado das eleições municipais de 2024, em Erechim, 23,5% dos cargos do legislativo pertencem a mulheres, ou seja, de 17 cadeiras, somente quatro são ocupadas por parlamentares do gênero feminino. Tal dado, além de evidenciar a desigualdade, demonstra que tal violência, já integrada na sociedade, nem mesmo a política foi capaz de superar.
“Apesar de termos avançado, timidamente, ainda estamos bem distantes de conquistar essa igualdade no meio político. Embora a cota obrigatória de candidatas seja de 30%, nós temos no Congresso Nacional em torno de 17% das cadeiras ocupadas por mulheres, e no Senado bem menos que isso. O que também nos deixa muito atrás da média mundial e até da média dos países latino-americanos. Então, não é uma realidade ainda a igualdade de gênero ou a paridade na ocupação dos espaços políticos”, destaca Sandra Picoli, vereadora reeleita no pleito de 2024 para o terceiro mandato, ocupando também o cargo de 2ª Secretária da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores de Erechim.
Lugar de mulher
Em Erechim, as eleições municipais mais recentes foram marcadas pelo resultado inédito de votos à uma candidatura feminina ao legislativo. Éclesan Palhão é a mulher mais votada na história do município em números absolutos e, para a parlamentar, a democracia depende das mulheres para ser efetiva.
“Certamente a participação feminina na política é fundamental para uma sociedade mais democrática. Quando as mulheres estão envolvidas nas decisões políticas, isso traz diversidade de perspectivas e experiências que são essenciais para a formulação de políticas que atendam a todos os segmentos da população. O olhar da mulher é muito mais inclusivo e voltado ao coletivo. Além disso, a presença de mulheres em cargos de liderança pode inspirar outras mulheres e as gerações mais jovens a se envolverem na política, isso ajuda a quebrar estereótipos de gênero e promove uma cultura de igualdade.
Se fortalece a democracia, mas também enriquece o debate público e resulta em decisões mais justas e representativas”, aponta Éclesan.
Muito além de números
Mais do que estatísticas, o voto reflete a luta e a resistência feminina ao longo da história. O caminho pode parecer truculento, mas a conquista por direitos, assim como a democracia, depende da participação das mulheres para continuar resistindo.
“O voto feminino representa autonomia, voz e transformação. Ele simboliza a conquista de direitos e a capacidade de influenciar os rumores do país. Cada mulher que vota ou se candidata reafirma seu papel na construção de uma sociedade mais inclusiva e democrática, precisamos cada vez mais estar presentes nestes espaços de decisão”, afirma a vereadora Clarice Moraes, que neste ano iniciou o segundo mandato no legislativo erechinense.
Uma por todas, todas por uma
Diante de tantas limitações e impedimentos, buscar força e inspiração, reconhecendo a potência feminina, pode ser um ato revolucionário.
“Os desafios existem, mas temos força para enfrentá-los. Muitas mulheres enfrentam descredibilização e ataques, que são cada vez mais comuns e ofensivos nas redes sociais. Além disso, questões como a responsabilidade com a casa e a família fazem muitas mulheres repensarem se devem entrar na política. Mas, com coragem e apoio, é possível encontrar um equilíbrio e abrir caminho para que mais mulheres ocupem esses espaços. Justamente por entender essas dificuldades, busco honrar todos os dias a oportunidade de estar aqui”, conta Carla Talgatti, vereadora eleita no pleito de 2024 em Erechim.
As revoluções levam tempo, mas desistir não faz parte da história das mulheres.