21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Expressão Plural

Os heróis que não existem

Pai do Miguel e do Gael, jornalista e escritor

teste
Marcelo V. Chinazzo.jpeg
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Arquivo Pessoal

Não sei vocês, mas eu me incomodo muito quando me falam “Ah, mas você ajuda bastante”. Até entendo que as pessoas falam isso com a melhor das intenções, como um elogio, mas a verdade é que isso não deveria ser considerado um elogio. E o que mais me incomoda é ouvir isso da minha própria esposa. Já deixo claro aqui: não, eu não ajudo em nada em casa, e nem com o meu filho.

Imaginemos uma situação inversa: dois amigos conversando, e um pergunta “Tua esposa te ajuda?”. O outro responde: “Sim, ela me ajuda em casa e também com o nosso filho, ela brinca com ele, troca fraldas...”. Não seria, no mínimo, estranho ouvir isso? A diferença é que, normalmente, ouvimos as mulheres dizendo isso, e não os homens.

Muitas vezes, as pessoas reclamam que o homem só “ajuda”. Não discordo que alguns fazem apenas o mínimo do mínimo, mas mesmo o mínimo NÃO é ajuda, é o que deve ser feito. O que é o mínimo e o que é o máximo? Isso já é uma reflexão para outro texto. Aqui, vamos nos concentrar em outro ponto.

Quando você está na casa de um amigo e ele pede para você lavar um prato, isso é ajuda. Agora, na sua própria casa, lavar um prato é sua obrigação, afinal, você reside ali.

Se sua irmã pedir para você buscar seu sobrinho na escola, isso é ajuda. Já buscar o seu próprio filho na escola? Essa é sua obrigação, porque o filho é seu. A diferença é clara, e deveria ser óbvia, mas, infelizmente, não é.

Homens, vocês não ajudam em casa, vocês moram nela. Homens, vocês não ajudam com seus filhos, vocês são os pais deles. Mulheres, seus maridos não ajudam vocês, eles têm a mesma responsabilidade que vocês. Mulheres, seus maridos não ajudam com os filhos, eles são os pais deles, com tantas responsabilidades e obrigações quanto vocês.

Homens, vocês não são super pais por fazerem o mínimo. Não é um grande feito lavar uma louça ou trocar uma fralda, isso é apenas o básico. Homens, parem de bater no peito e se vangloriar por cumprir o seu papel. Mulheres, entendam que quando dizem “ele me ajuda”, vocês corroboram com o pensamento que isso já é o máximo. Na verdade, ele não tem que te ajudar, ele tem que dividir tudo com você. Não deve ser celebrado como um herói por simplesmente cumprir com suas responsabilidades.

Ninguém deve ser elevado ao status de herói por fazer o que é esperado. Mas, principalmente, não devemos validar um herói que não existe, alguém que faz o mínimo e é visto como um grande feito, enquanto tudo o que uma mulher faz já é colocado automaticamente na caixinha do "mínimo", sem méritos e, julgado de antemão. O peso do mínimo é muito desigual entre homens e mulheres, entre pais e mães. E isso só vai mudar quando mudarmos nossa mentalidade. Cada um na sua casa. E quando digo casa, não me refiro apenas a um espaço físico, mas ao corpo que habitamos e, principalmente, à mente que comandamos.

Se conseguirmos mudar esse pensamento, talvez comecemos a perceber a realidade de maneira mais justa, equilibrando as responsabilidades, independentemente do gênero. E lembrando sempre, homem não ajuda, homem tem corresponsabilidade.

Publicidade

Publicidade

Blog dos Colunistas

;