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Erechinense conduz série de reportagens sobre memória do Holocausto

O jornalista Salus Loch revisitou campos de concentração da era nazista, oito décadas após libertação dos prisioneiros

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Portão de entrada de Auschwitz
Uniforme dos prisioneiros dos campos de concentração, em Terezín
Entrada do campo de Mauthausen
Por Marina Oliveira com supervisão de Carlos Silveira
Foto Salus Loch/Arquivo Pessoal

Assim como cantou Belchior, “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Acontece que, de tempos em tempos, faz-se necessário abrir os armários da história e resgatar peças antigas, vestir a memória e expor os trajes na vitrine da sociedade, para que tais lembranças impeçam que o autoritarismo, a indiferença e o silêncio voltem à moda.

Em 27 de janeiro, a ONU marca o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto e, neste ano, a data corresponde também ao 80º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, um complexo da Polônia então mantido pelo regime nazista.

 

Projeto Liberação

Com a proposta de educar para o presente e o futuro, o projeto “Liberação”, série de reportagens conduzidas pelo jornalista erechinense Salus Loch, em parceria com o Museu do Holocausto de Curitiba e a Casa da Memória Unimed Federação/RS, revisitou campos de concentração da era nazista, oito décadas após sua liberação. Assim como em 2020, na celebração dos 75 anos da liberação de Auschwitz, em 2025, Salus foi o único jornalista que saiu do Brasil para cobrir o evento.

“O objetivo é reviver algumas histórias a fim de assegurar que as lições do passado impeçam novas barbáries”, resume Salus - que há mais 10 anos se dedica ao estudo da Shoá, assassinato em massa provocado pelo Estado nazista durante a Segunda Guerra Mundial, tendo entrevistado cerca de 20 sobreviventes no Brasil, Europa e Israel.

A partir de uma perspectiva contemporânea, somada ao conhecimento histórico, cultural e social, o jornalista compõe o projeto com elementos diversificados, como vídeos curtos, que captam a essência e a história de cada local, e imagens atuais, cotejadas com fotos históricas, criando pontes visuais entre o antes e o agora. Tais componentes estão incorporados também a uma série de narrativas, histórias minuciosamente investigadas e contadas com precisão jornalística, capazes de auxiliar a compreensão pública sobre cada campo e o impacto duradouro do Holocausto.

A divulgação do projeto ocorre majoritariamente por meio das redes sociais do Museu do Holocausto e dos parceiros, destinada a engajar uma audiência global e educar uma geração digital a se conectar e aprender com a resiliência da memória histórica.

 

Na parede da memória

Para a produção das reportagens, Salus visitou cinco campos de concentração, Auschwitz-Birkenau, Plaszow, Dachau, Mauthausen e Terezín. O jornalista destaca que, além da presença física, a viagem foi de caráter evocativo e simbólico, à medida que o projeto conecta o presente aos ecos sombrios do passado.

No complexo de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, as celebrações dos oitenta anos da liberação do campo da morte, acompanhadas por Salus no dia 27 de janeiro, foram documentadas a partir de um olhar que buscou aproximar o ontem e o hoje. Em Dachau, na Alemanha, primeiro campo de concentração nazista, que funcionou de 1933 a 1945, apresenta-se um terreno propício para narrativas viscerais, possibilitando percepções e reflexões profundas.

O Memorial de Mauthausen, na Áustria, a brutalidade desumanizadora que ressurge, enquanto em Terezín, na República Tcheca, a estranha coexistência de cultura e opressão ofereceu uma perspectiva única e impactante. Na avaliação de Salus, o projeto faz com que viagens a esses lugares se tornem experiências transformadoras, indispensáveis para a educação sobre direitos humanos e paz.

 

Lembrar para não repetir

"Viver esta experiência está sendo como abrir um canal direto com o passado, onde é possível sentir a urgência e a responsabilidade de preservar estas histórias, pois elas não podem permanecer silenciosas”, aponta Salus.

Muito além de uma série de reportagens, o Projeto Liberação é uma referência em movimento à resiliência coletiva e à continuidade dos direitos humanos fundamentais por meio da narrativa histórica e educacional. (Texto produzido por Marina Oliveira com a supervisão de Carlos Silveira)

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