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Buracos no caminho até à acessibilidade

Calçadas irregulares, piso tátil desgastado, ausência de rampas e passeios esburacados expõem desigualdade de acesso às vias públicas de Erechim

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Rampa em área azul dificulta o deslocamento de pessoas com deficiência
Faixa de segurança sem rampa de acesso à calçada
Por Marina Oliveira com supervisão de Carlos Silveira
Foto Marina Oliveira

Não é difícil perceber o descaso com a acessibilidade nas ruas de Erechim, a real dificuldade está nos deslocamentos pelas vias públicas do município. Calçadas irregulares, semáforos sem sinal sonoro para travessia de pedestres com deficiência visual, piso tátil desgastado e danificado, sinalização equivocada ao longo dos percursos, ausência de rampas e até mesmo buracos na calçada. Questões que, muitas vezes, são ignoradas por aqueles que não se atentam às necessidades e direitos básicos alheios.

A carência de um olhar empático nada tem a ver com a falta de visão. Para Jandira Fátima Lourenço Ronemberg e Antônio Marcos Pume, fundadores da Associação dos Deficientes Visuais de Erechim (ADEVE), a acessibilidade, ou a ausência desta, é uma questão que requer a atenção de todos. “Se a calçada não está acessível para o idoso, não está acessível para a criança, para o cadeirante, nem para você, moça bonita de salto”, aponta Jandira.

Mas o discurso sobre acessibilidade, geralmente vinculado a termos como “inclusão”, “empatia” e “capacitismo”, já não demonstra ser eficiente e nem mesmo objetivo quando se trata de ações efetivas. “Sinceramente, empatia eu não sei o que é, mas apatia eu conheço. Porque essa ‘empatia’, eu nunca vejo concretizada. É falada, mas não é colocada em prática”, relata Ronemberg.

Se o deslocamento em si já representa uma dificuldade, sentir-se incluído em estabelecimentos, tanto públicos quanto privados, beira o impossível. Um exemplo disso é o acesso à sede da prefeitura de Erechim, em que não há rampa nem piso tátil indicando a escadaria de entrada. Já a calçada que leva à Secretária Municipal de Saúde, que além de irregular possui buracos no lugar do piso tátil, representa um risco à saúde física dos cidadãos que por ali passam, considerando as chances de uma possível queda.

Acerca da igualdade de acesso, fica evidente a exclusão social e a urgência em implementar políticas públicas voltadas a esse direito fundamental, bem como em fiscalizar as ações já existentes.

Aldecir Antonio Vicensi, 49 anos, trabalha há 18 anos diretamente com o atendimento a pessoas com deficiência e aponta para os desafios que a acessibilidade ainda enfrenta no município. “Embora tenhamos avançado nos últimos anos, especialmente com a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e a adaptação de normas técnicas, como a NBR 9050 em 2015, ainda há muito a ser feito. Temos visto iniciativas positivas e diálogo com o poder público, mas o progresso precisa ser acelerado”.

Vicensi foi diretor-presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Alto Uruguai (ADAU) por dois mandatos, vice-presidente por outros dois, e afirma que “a maior barreira ainda está ‘da porta de casa para a rua’ – falta capacitação de profissionais, informação, e, sobretudo, planejamento estratégico que leve em conta as reais necessidades da população”.

Enquanto direito básico e fundamental, a acessibilidade está ligada à mobilidade e à dignidade das pessoas, o que deve ser reconhecido e considerado em todas as áreas. “Por isso, acredito que a criação de um Departamento da Pessoa com Deficiência é uma prioridade. Esse órgão poderia centralizar informações, mapear acessos e promover ações que assegurem direitos básicos”, completa Aldecir.

Sobre as solicitações feitas pela ADAU ao poder público municipal, melhorias na infraestrutura urbana, transporte acessível e campanhas de conscientização e educação estão entre as principais demandas da associação.

Reivindicar caminhos acessíveis para todos pode facilitar o percurso até o “lugar do outro” e, assim, transformar a empatia em ações efetivas. (Texto por Marina Oliveira com supervisão de Carlos Silveira)

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