O escritor e filósofo sino-americano Deng Ming-Dao é alguém que aparece com frequência nesta coluna. Deve ser, desconfio, um de meus “mestres de poder”, para usar a expressão da tradição xamânica. Nesta passagem de ano, trago dois de seus textos: um para o último dia do ano e outro para o primeiro dia do ano. Ambos são introduzidos por breves poemas. Inspire-se, e um excelente 2025 para ti:
Aqui o primeiro:
“Depois da conclusão vem a plenitude/ Com a plenitude, vem a libertação/ A libertação permite que você continue/ Mesmo a morte não é um término verdadeiro/ A vida é continuação infinita.”
“Sempre termine o que você começa. Só isso já é disciplina e sabedoria suficiente. Se seguir essa regra, será superior à maioria das pessoas. Quando você chega ao fim de um ciclo, um novo ciclo se inicia. Você poderia dizer que a conclusão realmente começa em algum lugar no meio de um clico e que novos começos são engendrados a partir de ações prévias.
Completar um ciclo significa plenitude. Significa que você conquistou o conhecimento de si mesmo, disciplina e uma nova maneira de compreender a si e ao mundo que o rodeia. Naturalmente, você não pode parar. Há sempre novos horizontes. Mas você pode buscar novos panoramas com confiança e sabedoria renovadas.
A cada giro da roda você vai mais longe. A cada giro da roda você se liberta do pântano da ignorância. A cada giro da roda vem a continuação. Gire a roda da sua vida. Faça revoluções completas. Celebre cada volta. E persevere com alegria.”
E aqui o segundo:
“Este é o momento de embarcar/ Todos os sinais auspiciosos estão presentes.”
“No início, todas as coisas estão cheias de esperanças. Nós nos preparamos para começar de novo. Embora possamos estar concentrados na magnífica viagem à nossa frente, todas as coisas estão contidas neste primeiro momento: nosso otimismo, nossa fé, nossa resolução, nossa inocência.
Para começar, devemos tomar uma decisão. Essa decisão é um compromisso com o autoaperfeiçoamento diário. Devemos estabelecer uma forte ligação com o nosso eu interior. As questões exteriores são supérfluas. Sós e desnudos, temos de vencer todas as atribulações da vida. Portanto, só nós devemos fazer algo de nós mesmos, transformando-nos nos instrumentos para experimentar a mais profunda essência da vida.
Assim que tomarmos nossa decisão, todas as coisas virão até nós. Os sinais auspiciosos não são uma superstição, mas uma confirmação. São uma resposta. Dizem que, se escolhermos orar para uma rocha com devoção suficiente, mesmo essa rocha se tornará viva. Da mesma maneira, assim que decidirmos nos comprometer com a vida, mesmo as montanhas e os vales reverberarão o som de nosso propósito.”