Jornalista e Historiador
Estamos em um mundo conectado 24 horas por dia, momento em que, ligados a uma conexão — seja celular, computador, tablet ou outros inventos que surgem dia após dia — nos envolvemos quase que por inteiro nas novidades instantâneas que nos chegam, na maioria dos casos, à palma de nossa mão.
Mas a que custo tudo isso tem para cada pessoa conectada estas exatas 24 horas por dia? Ou seja, até onde é saudável estar ligado aqui ou acolá em questão de segundos? Até onde, hoje, é realmente saudável saber de tudo o que acontece externamente e longe de nossas vidas, se, ao mesmo tempo, não sabemos nada de nós mesmos?
Sabemos o que o mundo usa para festas, o que o artista preferido almoça ou janta, quem está pegando ou traindo quem, mas não sabemos como estão aqueles que fazem parte de nossa própria família. Não sabemos, muitas vezes, nem como anda nossa consciência com relação à vida e à própria sociedade à qual estamos inseridos.
Hoje, temos celulares que fazem praticamente tudo, até mesmo anulam nosso cérebro e nossa consciência humana. A conexão é tanta que, em uma mesa de família, que já não são muitas, o celular passa a ser o prato principal. A conversa alheia e a troca de imagens passam a ser o ato maior, enquanto as conversas de família sobre como foi o dia ou as novidades do trabalho ficam de lado.
Mas, neste mundo, também não podemos esquecer que nasceu uma nova profissão no mundo tecnológico: o influencer. Muitos se dão muito bem neste meio, pois transitam em caminhos que dão extrema notoriedade, embora muitos com total superficialidade, e outros que não conseguem, mas tentam estar inseridos de uma forma ou de outra.
Neste caso, muita juventude está sendo, permitida pelos pais, perdida, pois jovens e adolescentes entram em um mundo de sonhos de ganhar milhões, mas acabam mudando seus perfis de vida, largando seus estudos e vivendo em uma sociedade à parte, ou seja, seu mundo único. São como Transformers e zumbis ao mesmo tempo, pois, à mercê das telas, acabam escravizados por algo que não existe e que dificilmente será alcançado.
E esta é uma realidade mundial, pois vemos no Instagram, no Facebook e no TikTok imagens e vídeos nos mais diferentes contextos, do sexual à comédia, um mundo de venda de ilusões. Não sou eu que vou aqui dizer que não sigo alguns — chineses, brasileiros, indianos e outros tantos que vão aparecendo, aos poucos, na telinha do celular.
Mas, neste universo, também paramos para pensar: o que esta juventude ou esta grande quantidade de pessoas que vivem postando realmente fazem na vida? Sim, vivem do quê e como? Não falo dos que têm milhares ou milhões de seguidores e que já têm sua marca no mundo virtual, mas daquele que posta, posta, posta, mas não decola. Que futuro se apresenta para milhões de pessoas em todo o mundo que passam o dia inteiro num celular tentando achar um espaço, mas não conseguem?
Neste mundo de novos influencers e, voltando um pouco no passado, quando não havia redes sociais, teremos, num futuro próximo, grandes gênios da medicina, da engenharia, da odontologia, do cinema, do jornalismo, escritores, atores, empresários, agrônomos e outras profissões importantes? Cabe a partir de agora uma reflexão sobre isso, já que, logo ali, seremos um país de idosos tentando aproveitar ao máximo o que ainda temos de vida, e uma juventude que não sabe o que quer da vida e que acha que, com um celular, mudará o mundo e a sociedade onde vive.