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Expressão Plural

Crianças e professores

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Gerson Egas Severo.jpeg
Por Gerson Egas Severo
Foto Arquivo pessoal

Eu vinha pensando em escrever alguma coisa inspirada nos dia dos professores/as, e lembrei que não tinha escrito nada calcado no dia das crianças – os recém passados 15 e 12 de outubro, respectivamente. E se houvesse um modo de resolver isso em uma só coluna? Matar dois coelhos com uma “caixa d’água” só? Difícil – mas dois textos brotaram no meu caminho e irei partilhá-los com o caro/a leitor, está bem?

            O primeiro é do escritor e filósofo sino-americano Deng Ming-Dao. Chama-se “Não-talhado” e se inicia com um poema: “Quando uma estátua fica pronta/ É tarde demais para mudar os braços/ Só um bloco virgem/ Oferece possibilidades.”

“Não é fácil criar uma criança. Você tem de dar o exemplo o tempo todo. Às vezes, é importante que a criança e seu guardião compreendam que uma criança não deve fazer certas coisas que o adulto faz. Isso não é hipocrisia. É sabedoria.

            Certa vez, uma criança respondeu às admoestações do pai, dizendo: ‘Você faz a mesma coisa.’ O pai levou o filho a um escultor de imagens para templos. No pátio havia grandes blocos de cânfora e pau-rosa. Dentro das oficinas havia divindades em várias etapas, de deuses ainda com marcas frescas do cinzel a obras-primas esplendorosamente pintadas e douradas. ‘Sou mais velho que você’, disse o pai. ‘Sou como uma dessas estátuas acabadas. Tenho minhas qualidades e meus defeitos. Quando essa figura tiver sido talhada, não poderemos mais mudar a posição dos seus braços. Você, porém, meu filho, é como os pedaços de madeira no pátio, que ainda vão adquirir forma. Não quero que você tenha os mesmos defeitos que eu; portanto, não permito que faça certas coisas. Olhe para mim. Sim, você dirá que ainda faço certas coisas, mas será que isso não mostra como é difícil desfazer um erro que está gravado em você? Não me copie nem cometa os mesmos erros que eu. Só então você irá tornar-se mais belo que eu.”

            O outro é do ex-colega e professor de Filosofia Ricardo Dal Forno, publicado em suas redes sociais:

            “Uma das maiores mentiras desse país é o dia dos professores. Zombam da gente o ano todo e depois nos consolam com um dia de folga e um bombom. A verdade é que a profissão docente está se tornando, gradualmente, um bico para complementar a renda. Um exemplo disso é o concurso do estado que oferece apenas 10 horas de contrato, evidenciando a desvalorização que enfrentamos.

            Cada vez mais, somos vistos como meras máquinas de transmitir conteúdo, “dadores de aulas”, desconsiderando a complexidade e a dedicação que nosso ofício exige. A pressão de lidar com um número excessivo de turmas e alunos ignora a necessidade de tempo e paciência para um ensino realmente eficaz. A busca por economizar recursos no processo educativo prioriza a quantidade em detrimento da qualidade. Somos tratados como mercadoria descartável. Os alunos, muitas vezes, interagem conosco como se fôssemos apenas mais um na esquina de casa, refletindo uma sociedade que desmerece nossa função. Aprendem que a educação, em vez de ser valorizada, é considerada quase irrelevante no final das contas.

            Querem nos dar um presente de verdade nesse dia dos professores? Ensinem seus filhos a respeitar nosso trabalho. Sei lá, apesar de todo o carinho que recebo nos dias dos professores, para mim acaba sendo um dia mais triste do que feliz.”

            Mundos complexos, hein?

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