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Impactos ambientais e saúde pública: a importância de preservar a Camada de Ozônio

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Fernando Loebler
O professor de Química, Rogério Dallago explica o quanto a preservação da camada de ozônio é importa
A dermatologista Ariane Assoni, lembra que é preciso tomar cuidados ao se expor as radiações ultravi
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Fernando Loebler

A ozonosfera é uma espécie de escudo, que desempenha um papel vital na proteção da vida na Terra

Desde 1994, no dia 16 de setembro, é comemorado o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio. A data foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em alusão à assinatura do Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio, ocorrido em 1987. Desde então. Todos os Estados signatários, incluindo o Brasil, promovem anualmente atividades de acordo com os objetivos do tratado e suas emendas.

O Protocolo de Montreal é um acordo ambiental de referência que regula a produção e o consumo de cerca de 100 produtos químicos artificiais, que podem destruir a camada de ozônio. Sem esse tratado, a redução do ozônio aumentaria dez vezes até 2050, se comparado aos níveis atuais, aumentando as incidências de câncer e catarata ocular. Existe uma estimativa que, até 2030, dois milhões de pessoas não sejam acometidas pelo câncer de pele, justamente por ações adotadas pelo Protocolo, que também, contribuir de maneira significativa para a proteção do sistema climático global.

O que é a Camada de Ozônio?

A camada de ozônio é uma região da estratosfera terrestre, ficando entre 15 e 35 km de altura, que contém uma alta concentração de ozônio (O₃). Ela atua como um escudo, desempenhando um papel crucial na proteção da vida na Terra ao absorver a maior parte da radiação ultravioleta (UV) do sol, que pode ser prejudicial.

Compostos químicos na Camada de Ozônio

Os compostos que mais afetam a camada de ozônio são os Halocarbonetos, especialmente os Clorofluorocarbonetos (CFCs), que eram muito utilizados em compressores de refrigeradores e ares-condicionados. Além de aerossóis e como agentes expansores em materiais poliméricos.

De acordo com Rogério Marcos Dallago, professor de química, “na estratosfera, sob efeito da radiação UV, os CFCs se decompõem gerando cloro radicalar, que atuam como catalisador da decomposição de ozônio em um processo cíclico contínuo. Estipula-se que até o cloro radicalar perder sua capacidade catalítica ele consiga decompor até 50.000 moléculas de O3”.

Camada de Ozônio e Radiação UV

A camada de ozônio absorve a radiação UV-B (200 a 290 nm) e UV-C (290 a 320 nm), que são mais energéticas e prejudiciais. Sem essa camada protetora, a radiação UV-B atingiria a superfície da Terra em níveis muito mais elevados.

A exposição excessiva à radiação UV-B pode causar diversas doenças de pele, incluindo câncer de pele, como o melanoma e o carcinoma basocelular. Também pode levar ao envelhecimento precoce da pele, como rugas e manchas, além de danos oculares.

A Dra. Ariane Assoni, dermatologista, confirma que a exposição solar e, consequentemente aos raios ultravioletas, são os causadores do câncer de pele, do envelhecimento precoce da pele e da degeneração das células. “Existe um estudo, feito na região da Antártida, onde tem uma diminuição da camada de ozônio, que mostrou que a exposição solar naquela região aumenta o risco de danos celulares cutâneos, então isso comprova que existe esse aumento de câncer de pele quando a camada de ozônio for menor”.

Fora os problemas de saúde, causa danos e intensificando a degradação de elementos sensíveis a radicação UV, como materiais poliméricos.

Água e Radiação UV

A água absorve e reflete a radiação UV. No entanto, a água não é um bloqueador eficiente de UV, especialmente para radiações UV-B e UV-C. Assim, pessoas que passam muito tempo na água podem estar expostas a mais radiação UV, devido ao reflexo da água.

Em águas rasas e claras, a radiação UV pode penetrar mais profundamente, o que aumenta o risco para quem passa longos períodos na água, mesmo se a camada de ozônio estiver intacta.

Nos ecossistemas marinhos o fitoplâncton, que é o responsável pela produção de oxigênio, por ser muito sensível à radiação UV-B, pode ter sua capacidade de realização fotossíntese reduzida e com isso sua reprodução. Como ele é a base alimentar de várias outras espécies, tem-se um efeito em cascata.

Impactos da diminuição da Camada de Ozônio

A redução da camada de ozônio, conhecida como buraco na camada de ozônio, permite uma maior quantidade de radiação UV-B atingir a superfície da Terra. Aumentando também, a intensidade da radiação UV que é refletida e absorvida pela água, elevando o risco de problemas de saúde associados à exposição ao sol, como as doenças de pele, além de problemas oculares, como catarata.

A diminuição da camada de ozônio também afeta ecossistemas aquáticos e terrestres, que podem ter consequências indiretas para a saúde humana, devido à importância dos ecossistemas aquáticos para a alimentação e outros recursos.

Protocolo de Montreal

Um ponto importante que Dallago destaca é que “se fala muito do buraco na camada do ozônio e na verdade não existe um buraco na camada do ozônio. Porque não tem como fazer um buraco no ar ou na água. Então, na verdade, o que acontece é que em algumas regiões, a camada é mais espessa e em outras, menos espessa, com maior concentração ou menor concentração”.

O que se observou é que chegou a um nível alarmante da diminuição drástica da concentração desta camada em algumas regiões do planeta e então surgiu o Protocolo de Montreal.

Esse acordo impôs a substituição dos principais compostos responsáveis pela destruição da camada de ozônio, os CFCs por outros compostos menos agressivos, como os hidrocarbonetos. Dessa forma é notável que a camada de ozônio está em constante recuperação.

As mudanças climáticas também afetam a camada de ozônio, embora sejam comportamentos mais específicos, como lembra Dallago “com mais radiação UV chegando à superfície da terra, a qual, conforme a superfície, é absorvida e posteriormente reemitida como radiação IR, a qual fica aprisionada podendo contribuir assim para o aquecimento global”.

A camada está em constante recuperação, hoje seus níveis estão muito melhores de quando foi lançado o Protocolo de Montreal, por exemplo, “pois o uso dos gases que contribuíam para a sua destruição está praticamente extinto”, pontua Dallago. E complementa, “a concentração pode oscilar conforme a mudança do vento, a propagação. Então, às vezes a concentração está um pouco menor, outras maior, não há uma concentração constante”.

Dallago lembra também que a cada ano, várias moléculas químicas novas são sintetizadas e que, muitas delas, ainda não se sabe muito sobre seus efeitos no meio. Os resultados vão aparecer com o tempo e aí novos estudos irão surgir. É também um processo cíclico.

Proteção

Para se proteger e prevenir doenças de pele, Assoni lembra que é importante evitar o sol nos horários de pico, das 10h às 16h, usar protetor solar e reaplica-lo de tempos em tempos, especialmente em dias ensolarados ou quando se está exposto ao sol por períodos prolongados. Além de usar roupas de proteção, chapéus e óculos com lentes adequadas, que podem ajudar a reduzir a exposição direta ao sol.

Fazer revisões anuais com o seu dermatologista ajuda a prevenir doenças de pele, porém “se você nota que uma ferida não está cicatrizando, que tem uma pinta preta que está mudando, uma lesão que arde, coça e sangra, procure imediatamente um médico porque isso pode ser um câncer de pele, pontua Assoni.

A manutenção de acordos internacionais, como o Protocolo de Montreal, que visa reduzir substâncias que destroem a camada de ozônio, é crucial para proteger nossa camada de ozônio e, por conseguinte, a saúde humana.

Embora a relação entre água e a camada de ozônio não seja direta, a camada de ozônio desempenha um papel crucial na proteção contra a radiação UV, que afeta tanto a água quanto a saúde humana. A diminuição da camada de ozônio pode intensificar a exposição à radiação UV, impactar ecossistemas aquáticos e aumentar os riscos para a saúde.

A recuperação da camada de ozônio certamente será positiva para a melhora da qualidade da água, mas “tem muitos outros pontos que afetam também. Não sabemos até que ponto eles podem ter alguns efeitos cumulativos com outros fatores, mas h hoje, digamos assim, a camada do ozônio em relação à água, acho que ainda é o menor problema”, friza Dallago.

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