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Expressão Plural

Elitismo cultural

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JF Martignoni.jpeg
Por JF Martignoni
Foto Arquivo pessoal

Recentemente me deparei com um vídeo da Mc Taya sobre como exigir que todo artista de rock tenha banda aliena a periferia, afinal instrumentos são caros, hora de estúdio é cara, etc. Logo em seguida assisti um vídeo do Finn Mckenty do ‘The Punk Rock MBA’, sobre como o roquismo ou seja, a visão de que o rock como era feito nos anos 70 é o ápice da música ou a maneira certa de se fazer música, é problemático. Não se pode ter faixas de apoio, se no estúdio tem oito guitarras numa parte, precisa de oito guitarristas no palco, se tem uma orquestra leve-a pro palco. Quantos artistas no mundo podem fazer isso?

Agora vamos falar do elitismo cultural. Quem nunca ouviu falar que a maneira certa de se ouvir um álbum é no vinil? Ali está a verdadeira experiência, e também trezentos reais (no mínimo), por álbum que for ouvir, fora os mil reais da agulha, dois mil do prato, três mil dos amplificadores. E ouvir naquele fone de cinco mil reais que deixa o som perfeito, então?

Só se sabe se a banda é boa se ela soa igual ao estúdio no ao vivo, não é? Considerando que os ingressos de um show nacional estão beirando os quinhentos reais e os internacionais não baixam de mil para um lugar bem longe do palco.  Aliás, o lugar para realmente se apreciar um filme é no cinema, com seus trinta a cinquenta reais de entrada; para realmente entender uma pintura precisa ir no museu, lá sim você sente. Viajando pra Europa. O livro tem que ser lido no papel, capa dura... Não é estranho como só uma classe social “realmente” consome e produz arte?

Por que a Mona Lisa, no Louvre, em Paris, vale os vinte e dois euros para ser admirada (cerca de cento e dezoito reais), mas o artista local expõe gratuitamente e não parece interessante? Por que o cinema local com audições gratuitas é menos interessante que o filme internacional com ingressos super faturados? Por que o músico local cobra um absurdo com seus vinte reais de ingresso, mas o internacional vale os mil reais e comprar merch etc.

Agora entramos na parte da produção por que o funk feito num notebook ou celular em casa não é música, mas o som feito no estúdio mais luxuoso com o equipamento mais caro é? Sabia que o álbum “Sexta dos Crias” do DJ Ramon Sucesso recebeu nota 7.7 da Pitch Fork (o maior site de review musical do mundo), ficando acima de “Sonic Highways” e “Medicine By Midnight” do Foo Fighters, “Anthem of the Peaceful Army” da “salvação roquista” Greta Van Fleet, acima também de "The Tortured Poets Department / The Anthology" da maior artista pop da atualidade Taylor Swift, entre milhões de outras produções milionárias.

Estranho que a arte é boa na mesma medida que seu consumo é caro. Só é bem feita na medida que foi cara para produzir. O dinheiro é a maior qualidade do artista, e isso é deprimente, pois representa nossa total ignorância e insensibilidade a arte.

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