Desde os primeiros acordes tocados em uma guitarra elétrica já deveria ter alguém alegando o fim do rock, e o caminho foi longo desde então. Saímos do blues rock, pro rock psicodélico, daí pro rock progressivo, em resposta ao progressivo veio o punk, criaram o metal e o soft rock... Naturalmente ficou até difícil definir de fato o que é rock. Precisa de guitarras? Precisa ser uma banda? O tópico é outro.
Para o Elvis o rock morreu nos Beatles; para o glam rock e hair metal o rock morreu no grunge; para o punk o rock morreu no emo; para os metaleiros o rock morreu no nu metal. Mas como a tosse pós pandemia ele sempre volta. O vírus do rock se muta e se adapta.
Quando o rap já tinha tomado todas as paradas e parecia que o rock era coisa de velho, Lil Wayne lançou Rebirth, seu álbum de rock, como tudo que é novo dentro do rock, foi odiado. Mas graças a esse álbum vieram os artistas que tomariam o mainstream norte americano, Lil Peep, XXXtentacion, Juice Wrld... infelizmente todos já falecidos. Esse novo rock aí veio como nunca antes visto, como deve ser, e levantou diversos questionamentos novamente sobre o que é rock. Particularmente acho que o rock tem que conversar com a cena, com a cultura jovem atual, só assim pode se manter vivo. Mas também sou cria do nu metal, então nada é estranho demais para mim.
Não ignorando aqui as diversas bandas que surgem diariamente em todo mundo fazendo músicas sensacionais em modelos mais tradicionais, como aqui em Erechim temos a Atria, Mar de Marte e Port Lash, mas o fenômeno que reparei e gostaria de pontuar é outro. Outra maneira de produção do rock, outra estética, como é o caso da Kouth na faixa “Chrome Hearts” de seu álbum de estreia “MASK ON!” que traz um gótico futurista envolto na estética do “trap” sem deixar de ser o mais puro rock. O rapper PRATA também inova misturando o stoner metal com o rap numa faixa com backvocals guturais, guitarras pesadíssimas e bateria eletrônica chamada “Nova Aposta”.
Na grande mídia vemos artistas como o Major RD cujo rock envolve muito mais atitude entonação vocal e temática que o instrumental, mas se ouvir sua faixa “Só Rock 2” é impossível não lembrar de bandas como Comunidade Nin Jitsu e Charlie Brown Jr. Ryu The Runner outra estrela em ascensão no cenário musical brasileiro trouxe bases de rock beirando o nu metal em seu último lançamento na música “MVP 2” cantando num trap no melody. Falando de nu metal não posso deixar de citar e recomendar a rainha do novo nu metal, metal mandrake e fock: Mc Taya, artista que mistura funk, nu metal, rap, faz show tocando baixo e cria conteúdos sobre a história do gênero nas suas redes sociais.
Basicamente, em vez de lamentarmos o que se foi, vamos dar uma chance ao novo para poder apreciar as suas qualidades.