Já escrevi em outra oportunidade que gosto mais da noite do que do dia para pensar e desenvolver meus projetos. E entre uma coisa e outra, escuto estações de rádio. Rádio FM mesmo, não playlists de YouTube ou Spotify, embora também tenha as minhas. É que esse hábito me traz uma sensação nostálgica, de um tempo onde tudo parecia mais simples.
Outro dia, passando pelas estações que alcançavam o sinal do meu celular, parei em uma dessas programações automáticas de madrugada que tocava apenas as mais antigas da MPB, anos 70 e 80. E uma das músicas que tocou foi “Ilegal, Imoral ou Engorda”, na versão de Roberto Carlos. É uma boa letra, que me fez pensar sobre o que fazemos e deixamos de fazer por conta de julgamentos ou pressões.
Desde pequenos, somos ensinados a buscar a aceitação dos outros - seja dos pais, dos professores, ou mais tarde, dos colegas de trabalho e da sociedade em geral. Essa busca por aprovação nos faz ajustar nossos comportamentos, suprimir certos desejos, e até mesmo redefinir nossas metas, tudo para nos encaixarmos nas expectativas alheias.
Essa pressão pode se manifestar de maneiras sutis, como em pequenas decisões do dia a dia, ou de formas mais profundas, que afetam escolhas importantes, como a carreira que seguimos, as pessoas com quem nos relacionamos, ou até mesmo os sonhos que deixamos de perseguir. Muitas vezes, a voz do julgamento alheio se torna tão internalizada que não conseguimos distinguir se estamos agindo por vontade própria ou para atender às expectativas dos outros.
O medo de ser julgado ou criticado nos paralisa, nos impede de arriscar, de experimentar, de nos expressar de forma autêntica. Ficamos presos em uma zona de conforto que, embora segura, pode ser limitante. Renunciamos a oportunidades de crescimento, por receio de que nossas escolhas possam ser vistas como inadequadas ou erradas.
Mas o que aconteceria em um mundo livre dessas pressões? Se, por um momento, pudéssemos agir conforme nossos próprios valores e desejos, sem nos preocuparmos tanto com a opinião dos outros? Talvez descobríssemos uma nova versão de nós mesmos, mais autêntica, mais ousada, mais alinhada com aquilo que realmente nos faz felizes.
Claro, não é fácil. Vivemos em uma sociedade onde as normas e expectativas são fortemente enraizadas, e ir contra elas pode ser assustador. Mas começar a questionar o porquê de nossas escolhas, reconhecer quando estamos sendo guiados pelo medo do julgamento, já é um primeiro passo. E, aos poucos, podemos começar a nos libertar dessas correntes invisíveis, a nos dar permissão para viver de acordo com nossas próprias regras.
Talvez o segredo esteja em entender que nem todos os julgamentos são necessariamente negativos, e que a opinião dos outros pode, em alguns casos, nos ajudar a crescer. Mas ao mesmo tempo, devemos ter a coragem de seguir nossos próprios caminhos, de fazer escolhas que nos tragam realização.
E antes que me esqueça, tudo isso que escrevi foi pensado no sentido de se fazer o que bem entender, sem causar mal a outras pessoas. Não interprete o nome da música de maneira literal. Afinal, a vida é uma só, e cada um cuida apenas da sua própria, não é mesmo?