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Expressão Plural

Escrever e ler

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Everton Ruchel
Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

Se tem duas coisas que gosto de fazer, é escrever e ler. Contando aqui no jornal e em meu blog, já são mais de 1300 textos escritos. Tenho um ano de coluna no Expressão Plural e quase dez na internet. Escrevo tanto que sinto o tempo utilizado nesse primeiro gosto faltar para o segundo, o de ler. Não lembro qual foi a última vez que consegui terminar um livro em poucos dias. Ultimamente, eles passam semanas, e até meses, na minha mão até que eu consiga concluir uma leitura.

Escrever, para mim, sempre foi uma forma de organizar pensamentos e colocar para fora meus conhecimentos. No entanto, e em uma contradição até engraçada, essa mesma vontade de escrever tem me afastado da leitura. Mas será mesmo que isto acontece apenas por falta de tempo? Ah, o tempo... esse que parece se esvair entre os dedos, dividido entre compromissos, responsabilidades e, claro, a escrita.

A sensação de dever cumprido ao terminar um texto é inigualável, mas ela vem acompanhada de um leve peso na consciência por deixar de lado aquelas histórias que esperam para serem descobertas. Quando finalmente consigo abrir um livro, sou arrebatado pela sua magia, mas logo a realidade me chama de volta. As interrupções são constantes, e o ritmo de leitura se arrasta. O que antes era uma maratona, agora se tornou uma caminhada lenta, parando em cada obstáculo que a vida coloca no caminho.

Acredito que esse conflito entre escrever e ler é algo que muitos que amam as palavras devem enfrentar. A leitura, juntamente com a música, sempre foi uma fonte inesgotável de inspiração para a escrita. Através de livros e outros textos descubro novas formas de pensar e de contar histórias. As letras musicais vieram mais tarde, com a facilidade de eu poder escutá-las a qualquer momento, inclusive enquanto escrevo. Porém, ainda mais tarde, percebi que minha produção começou a se alimentar também de outras fontes: das conversas, das experiências cotidianas, das observações que faço no dia a dia. Isso é maravilhoso, claro, mas a falta de uma leitura constante deixa um vazio, como se faltasse uma peça no quebra-cabeça criativo.

Tenho pensado em formas de conciliar melhor essas duas paixões. Talvez, eu deva ser mais disciplinado com meu tempo, estabelecer momentos específicos para a leitura, assim como faço com a escrita. Quem sabe, também, tentar voltar a ler em blocos menores de tempo, mas de forma mais frequente. Afinal, ler um pouco todos os dias é melhor do que não ler nada, e isso pode ajudar a manter o hábito vivo. E, mais importante, pode reavivar aquela chama da curiosidade que sempre me impulsionou a buscar novas histórias e novas ideias.

No fundo, escrever e ler são faces da mesma moeda. Uma alimenta a outra, e ambas me ajudam a entender melhor o mundo e meus gostos. Talvez eu devesse encarar esse dilema como uma oportunidade, e não como um problema. Uma chance de redescoberta ao mesmo tempo em que continuo a disseminar meu conhecimento e minhas ideias.

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